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Governo nomeia assaltante condenado e foragido 

Em julho de 2009, sobrinho do deputado participou de assalto à empresa MRV Engenharia

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PUBLICADO EM 06/03/15 - 03h00

O governo de Minas nomeou para um cargo na Secretaria de Desenvolvimento Econômico um assaltante condenado, que cumpre pena em regime semiaberto. Além disso, segundo a Vara de Execuções Penais de Uberaba, há um mandado de prisão expedido contra L., que é sobrinho e indicado pelo deputado estadual Tony Carlos (PMDB). O salário da função passa de R$ 8.200.

O nome de L. foi publicado nesta quinta no “Minas Gerais”, diário oficial do Estado. Após o Aparte
entrar em contato com o governo e com o deputado Tony Carlos para saber detalhes, no entanto, sua nomeação naufragou. De acordo com ambos, L. não será empossado. A versão dada, no entanto, é a de que isso acontecerá por ele não ter diploma de curso superior.

Em julho de 2009, o sobrinho do deputado participou de um assalto à empresa MRV Engenharia. Ele dirigia o veículo usado na fuga, enquanto seus comparsas renderam três funcionários da empresa utilizando armas de fogo, o que configurou a prática de roubo duplamente qualificado. Eles levaram R$ 400 em dinheiro e diversos objetos de valor. Os bandidos e o carro de L. foram reconhecidos pelas vítimas, o que gerou a condenação pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Uberaba, Ricardo Cavalcante Motta, em 2012. Ele foi sentenciado a cinco anos e quatro meses de reclusão e estava cumprindo a pena no regime semiaberto.

Procurado pela reportagem, Tony Carlos confirmou que o nomeado é seu sobrinho e que fez a intermediação “para ajudar”. No entanto, segundo ele, a secretaria se antecipou ao nomeá-lo para um cargo para o qual ele não cumpria um requisito, o diploma de ensino superior. Após ser questionado sobre os antecedentes criminais do parente, Tony Carlos confirmou a condenação de L. e se esquivou sobre o mandado de prisão apontado pela Vara de Execuções Penais de Uberaba. Além de ser sobrinho de Tony Carlos, L. doou R$ 600 para a campanha do tio em 2010.

A secretaria de Desenvolvimento Econômico, chefiada por Altamir Rôso, aliado político de Tony Carlos, por sua vez, afirmou que “erros internos” fizeram com que o nome fosse publicado. Ainda de acordo com o órgão, o “currículo” de L. “não se enquadra na função”.

No Facebook de L. está a informação de que ele é formado pela Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac). Além disso, em uma das imagens que ele publicou na última semana, há um comentário de um dos amigos também condenado no caso, que brinca: “Foragido. Kkk”.

Despesa cresce mais

As despesas do governo de Minas cresceram mais que as receitas nos primeiros dois meses do ano, de acordo com dados do Portal da Transparência. Segundo os números, enquanto a arrecadação total, que inclui a administração direta e indireta, empresas estatais dependentes e fundos, foi ampliada em 4,12% em relação ao mesmo período do ano passado, as despesas totais cresceram 5,46%. Em números absolutos, a arrecadação passou de pouco mais de R$ 12,53 bilhões para R$ 13,051 bilhões. Enquanto isso, a despesa foi elevada de 11,07 bilhões para R$ 11,68 bilhões. Com isso, a diferença entre o que o governo recebeu e o que gastou diminuiu de R$ 1,46 bilhão para R$ 1,37 bilhão, apertando ainda mais as contas do Estado.

Flutuação

Questionada sobre o impacto da redução, a Secretaria de Fazenda do governo de Minas informou que o quadro é natural. “As oscilações aferidas estão inseridas nas previsões orçamentárias indicadas para este período – e refletem inúmeros fatores, tais como variações na economia, taxas de inflação, volume de vendas no comércio, preços de produtos e serviços etc. Cabe destacar, ainda, que oscilações mensais ou bimestrais não representam, necessariamente, peso significativo na arrecadação anual. Quanto aos resultados acerca de despesas e receitas, esclarecemos que está em curso um amplo levantamento – já em fase de conclusão – sobre a situação financeira e administrativa do governo de Minas Gerais. Somente após a conclusão desta análise será possível conduzir as devidas avaliações sobre o tema.”

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Pegou mal. A ideia de colocar o nome do ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no ano passado, no futuro hospital da mulher do Recife tem gerado polêmica nas redes sociais. Além de exigirem que a unidade receba o nome de uma mulher, muitos também questionam a quantidade de obras batizadas com o nome do socialista.

FOTO: MOISES SILVA
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Dilma Rousseff

Limpando o caminho. A presidente Dilma Rousseff desembarca nesta sexta em Araguari, no Triângulo Mineiro, para fazer a entrega de 710 casas do Minha Casa, Minha Vida. Os preparativos para receber a petista na rápida visita de uma hoa e meia incluíram, nesta quinta, um caminhão-pipa para limpar a rua que estava suja de terra em função das obras e que dará acesso à entrada dos convidados e populares ao evento. Em meio à crise hídrica pela qual passa o país, a cena causou indignação até de alguns poucos moradores que já se mudaram para o local e de pessoas que passavam pela área no momento. No dia anterior, choveu na cidade.

O tamanho do problema

A dívida total do Estado de Minas Gerais fechou o ano de 2014 em R$ 84,57 bilhões, de acordo com dados do Banco Central. Para se ter uma ideia do tamanho do débito, a arrecadação total do Estado no ano passado, de acordo com o Portal da Transparência, foi de R$ 73,34 bilhões. Na conta da dívida estão incluídos os débitos com o Tesouro Nacional (R$ 71,5 bilhões), com instituições financeiras públicas (R$ 12,2 bilhões) e com bancos privados (R$ 776,1 milhões). Em relação a 2013, o crescimento nominal da dívida foi da ordem de 5,13%.

Em crescimento

Embora veja sua dívida crescer ano a ano, Minas não está sozinha nessa difícil situação, que motivou, no ano passado, mudança na legislação para aliviar os débitos dos Estados. De todos os entes federados no país, apenas o Piauí viu os valores que deve diminuírem, passando de R$ 1,76 bilhão para R$ 1,73 bilhão. Os outros 25 Estados e o Distrito Federal terminaram o ano devendo mais do que no período anterior, apesar de todo o esforço para pagar as prestações. A maior dívida do país é de São Paulo, que tem também a maior arrecadação. O Estado deve um total de R$ 213,79 bilhões.

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