Covid-19

Menor cuidado com saúde e outras doenças podem explicar mais óbitos de homens

Em Minas Gerais, eles representam quase 63% das mortes até o momento

Por Lucas Henrique Gomes
Publicado em 14 de abril de 2020 | 15:18
 
 
 
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Os dados divulgados nesta terça-feira (14) pela Secretaria de Estado de Saúde apontam que os homens representam 62,9% dos óbitos causados pela Covid-19 em Minas Gerais. São 17 vítimas masculinas e dez mulheres. No país, o índice é semelhante. Dados do Ministério da Saúde apresentados nessa segunda-feira (13) mostram que 58,9% dos 1.066 óbitos com investigações concluídas foram de homens.  De acordo com o médico infectologista, professor da Faculdade de Medicina da UFMG e membro dos comitês de enfrentamento do coronavírus da UFMG e da prefeitura de Belo Horizonte, Unaí Tupinambás, essa prevalência do número pode estar ligada a falta de cuidado com a saúde e outras doenças mais comuns em homens.

"A gente não sabe ainda qual a causa principal disso, há algumas hipóteses, como questão hormonal, por exemplo, é uma delas. Outra questão também seria que os homens têm fatores de maior vulnerabilidade mais prevalentes, como por exemplo tabagismo, hipertensão, obesidade. Pode ser que essa seja a real causa dessa mortalidade mais alta entre os homens, mas repito, a gente não sabe de fato o que está acontecendo. O fato é que realmente os homens têm evolução desfavorável. Pode ser que os homens têm mais isso que falei, tabagismo, doença pulmonar, cuida menos da saúde de modo geral do que a mulher. Tem mais mulher que faz ginástica, mais mulher que preocupa com exercício físico, dieta. Então isso tudo pode ser um fator que está levando essa mortalidade um pouco mais alta entre os homens", disse o especialista.

De acordo com o infectologista, esse é um comportamento que vem sendo percebido desde o início da doença na China, onde os homens também apresentaram maior letalidade relacionada à Covid-19.

Já em relação à raça e etnia, embora o número de brancos seja maior no cenário nacional, a letalidade é maior entre pretos e pardos. Para Tupinambás, essa não é uma questão fisiológica, mas de desigualdade social. "Com certeza a população negra no Brasil ela é mais pobre, mais vulnerável, as condições de vida são precárias tanto no ponto de vista de condições sócio econômicas como acesso aos cuidados. Então parece que eles vão sofrer mais mesmo, mas não pela raça em si, mas pelas questões de inequidade que a gente sabe que é maior na população da raça negra no Brasil", afirmou.

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