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Música

Cinco décadas com as crianças

Toquinho traz show infantil a BH poucos dias após lançar box comemorativo

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Toquinho
Toquinho faz show gratuito em BH
PUBLICADO EM 12/10/18 - 03h00

Para definir cinco décadas de trajetória, Toquinho, 72, recorre a uma de suas mais célebres parcerias com Vinicius de Moraes (1913-1980). “Penso muito na música ‘Para Viver Um Grande Amor’: ‘Eu não ando só/ Só ando em boa companhia/ Com meu violão/ Minha canção e a poesia’”, diz. 

A longa carreira iniciada nos anos 1960 está sendo celebrada com um novo projeto. Lançado no início do mês, o box com CD e DVD “Toquinho 50 Anos” traz versões repaginadas de clássicos de sua obra – como “O Caderno” (Toquinho e Mutinho), “Que Maravilha (Jorge Ben Jor e Toquinho”) e “Regra Três” (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971) –, além da participação de algumas intérpretes da nova geração, como Tiê e Verônica Ferriani. 

Ao olhar para seu longo caminho, ele diz perdurar a sensação de uma constante renovação e de um contínuo aprimoramento. “Cada ano robustece o seguinte e as décadas se diluem na descoberta de técnicas novas e na extensão do vigor ampliado pelas conquistas e pelos sucessos. O tempo não apaga o que nos arde na alma. Essa longa trajetória só pode ser alcançada com muita dedicação. Eu me considero um artesão, sempre apoiado no violão que representa o início e o desenvolvimento de tudo. E a música será sempre uma chama a aquecer minha dedicação ao instrumento”, afirma o músico. 

Não é desta vez – ainda – que Toquinho traz a Belo Horizonte o show deste novo trabalho. Ele retorna à cidade neste sábado (13), mas para falar com um outro público que também entende bem: as crianças. Ao lado da parceira Camilla Faustino, ele apresenta no festival Somos Comunidade, em comemoração aos 15 anos do Instituto Unimed-BH, o show “Toquinho no Mundo da Criança”.

Sobre o permanente contato que manteve em toda sua carreira com o público infantil, que se renova numa velocidade maior, ele diz que o segredo é entender a lógica como opera. “Criança é criança. Gosta de brincar, de ser livre, de conviver sem padrões. O que muda são os formatos das brincadeiras. E há que lidar com isso sem imposições, utilizando o modernismo da tecnologia sem excluir a linguagem do lúdico. É o que viso em minhas canções”, diz.

Ainda não há previsão de quando o novo show será visto aqui, mas, enquanto isso não acontece, o músico celebra a oportunidade de retornar a um local pelo qual tem tanto apreço. “Belo Horizonte faz parte de minha vida de uma forma especial, desde o início da carreira, em shows memoráveis com Vinicius. Há uma forte relação pessoal, foi aí que conheci a mãe de meus filhos e fiz tantos amigos que conservo até hoje. É sempre um prazer renovado quando volto a ela, e o show dos 50 anos certamente acontecerá, sem dúvida”, garante.

Cenário nacional. Em entrevista recente ao jornal “Folha de S.Paulo”, Toquinho fez uma análise sobre o que tem sido produzido em termos de música nos últimos anos. Para ele, a atual produção é completamente passiva e perdida historicamente. Acredita que a sua vai permanecer para sempre na história; mas essa, certamente, não.

“Minha geração é transformadora. Conviveu com um Brasil mais leve e colorido, usufruiu do ímpeto progressista do final dos anos 50, perpetuou a beleza da Bossa Nova, vibrou com as conquistas dos anos 60. Ao mesmo tempo, teve de aprender a superar a amargura das opressões da ditadura ludibriando a censura e seus tentáculos tenebrosos. Saiu de todas essas variáveis mais amadurecida e decisiva, com um senso mais profundo de desenvolvimento”, analisa o artista. “As gerações que a sucederam não conseguiram manter essa pujança cultural tanto nas artes quanto na política. A prova são as lacunas que se abriram, difíceis de se fechar”, conclui.

‘Instituições funcionam’, diz músico

Também na entrevista à “Folha de S.Paulo”, Toquinho disse, sobre o processo eleitoral, que votaria mesmo não se sentindo representado por nenhum candidato, para contribuir para a democracia.

“As instituições no Brasil felizmente funcionam bem. Estas eleições são normais num projeto democrático de renovação do poder. A mudança trazida pela operação Lava Jato trouxe esperança de enorme mudança nos costumes e muita polarização. Não houve grandes avanços na política eleitoral como era de se esperar. Tudo indica que os futuros governantes contribuirão para o fortalecimento da democracia, mesmo porque o povo tornou-se muito mais consciente de suas necessidades e de sua força transformadora”, afirma.

Agenda

O quê. Show “Toquinho no Mundo da Criança”, no festival Somos Comunidade

Quando. Neste sábado (13), a partir das 18h.

Onde. Praça Duque de Caxias, Santa Tereza.

Quanto. Entrada gratuita.

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