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Contundência atual em Hamlet

Peça da Armazém Companhia de Teatro já fez mais de 120 apresentações e percorreu 12 cidades

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Icônico. Patrícia Selonk interpreta Hamlet, um dos personagens mais marcantes da história do teatro
PUBLICADO EM 09/11/18 - 04h00

Para o professor e crítico norte-americano Harold Bloom, estudioso da obra de William Shakespeare, as dramaturgias do bardo eram similares a um carvão que queimava mansamente no fim de uma fogueira. Bastava uma lufada de vento forte para o fogo voltar a queimar intensamente. Pensando na atualidade de uma das obras máximas do inglês, a Armazém Companhia de Teatro volta a BH para três apresentações de “Hamlet”, no Centro Cultural do Minas Tênis Clube.

“De alguma forma, nossa montagem acaba absorvendo as questões do mundo pelas quais estamos passando neste momento. Toda vez que a gente volta a Shakespeare, esse recorte passa pela vivência de hoje”, garante a atriz Patrícia Selonk.

Porém, para a Armazém Cia., reconhecer e investir na atualidade da obra do inglês e sua universalidade foi um percurso galgado na contundência da obra, evitando lugares-comuns. “‘Hamlet’ trata de disputas de poder, de assassinato, de traição, temas presentes no imaginário coletivo. Mas nós não queríamos fazer disso algo estereotipado. Por exemplo, se o Claudius (um dos vilões da trama) tivesse uma peruca laranja, remeteria a Donald Trump”, diz Patrícia.

Por falar em evitar os estereótipos, a montagem traz a atriz – uma das fundadoras da Armazém, que completou 30 anos em 2017 – no papel de Hamlet, em uma atuação premiada e bem-recebida pela crítica. “Na época que Shakespeare fazia teatro, somente os homens estavam em cena. Hoje, podemos ver uma mulher fazendo o protagonista masculino da história. É um prazer dar minha feminilidade a Hamlet. Tivemos um processo longo para chegarmos ao entendimento da obra. Para mim, o principal desafio foi encontrar a violência no corpo do personagem”, afirma Patrícia.

Ela entende que a presença de uma mulher no papel do príncipe da Dinamarca é capaz de acentuar algumas características do personagem e suas relações com os demais. “Em determinado da peça, Hamlet se coloca como um louco, com inclinação para o devaneio, absorvendo a loucura do mundo a sua volta. Contudo, ele tem dificuldade de manter essa aparência com as personagens femininas (Ofélia e Gertrudes) e age com extrema violência com elas. Quando o público vê uma mulher encarnando essa violência masculina contra outra mulher, isso costuma levar para um distanciamento reflexivo interessante”, destaca a atriz.

Dramaturgia

Ainda na tentativa de dar vigor atual à obra mais montada de Shakespeare, a Armazém investiu em uma tradução própria, assinada por Maurício Arruda Mendonça, parceiro da companhia em outras dramaturgias.

A Armazém, inclusive, se notabiliza por montagens com textos próprios. “Muitas das traduções do Shakespeare fazem a ponte do inglês arcaico para um português antigo, rebuscado. Isso dificulta. Não queríamos perder tempo com a ideia do que estamos dizendo. A tradução do Maurício mantém a elaboração da obra, sem perder a comunicação com o público de hoje”, garante Patrícia.

 

Violência, loucura e sede de vingança

O clássico “Hamlet” de Shakespeare conta a história do príncipe da Dinamarca, Hamlet. A trama toma como ponto de partida a morte misteriosa de seu pai e o novo casamento de sua mãe, Gertrudes, com Claudius, o novo rei, irmão mais novo de seu pai. O príncipe tem visões do genitor, que lhe segreda ter sido envenenado pelo irmão, Claudius, e exige que Hamlet se vingue e mate o novo rei.

A estratégia de Hamlet é se fingir de louco para esconder seus planos, mas ele vai perdendo o controle sobre sua própria realidade no meio desse processo. Sua sede por vingança é tamanha que ele ignora os que estão ao seu redor. Como acontece com Ofélia, sua pretendida, que tem um fim trágico.

Hamlet é a história da destruição de uma ordem estabelecida. Shakespeare mostra a corte real dinamarquesa mergulhada em corrupção. Assassinato, traição, manipulação e sexualidade são as armas para preservar o seu poder.

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