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Espetáculo

Exilados na própria pátria

“Eclipse Solar” projeta cidade fictícia com os anseios, as angústias e as inquietações dos personagens

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Cefart
Trabalho se apresenta no Cefart Andradas, espaço com infraestrutura para abrigar as múltiplas linguagens presentes no Cefart
PUBLICADO EM 07/12/18 - 03h00

Ao começar o trabalho criativo com os formandos de teatro do Cefart, o diretor Ricardo Alves Júnior e a turma de dez alunos se viram diante da escalada do pensamento conservador da direita brasileira, que se confirmou com o pleito majoritário, no fim de outubro. Todos aqueles temores, angústias e anseios não passaram batido no processo criativo. Pelo contrário, vieram à tona como potência discursiva e física para compor o espetáculo “Eclipse Solar”, que estreou na semana passada e segue em cartaz no Cefart Andradas.

“Durante um processo criativo, a gente vai para muitos caminhos até chegar ao que estamos vivendo no Brasil e no mundo hoje. Isso foi tomando proporções e ganhando verticalidade”, pontua o diretor.

Por meio de uma narrativa fragmentada, entremeada por canções, imagens e performances, a peça evoca um tempo-espaço imaginário para abordar dúvidas e perplexidades sobre o futuro dos nossos dias.

O texto, assinado por Germano Melo, traz reflexões sobre política, humanismo, pessimismo e desejo de liberdade. Sua narrativa expõe um grupo de expatriados na Cidade dos Exilados. Enquanto aguardam por um eclipse solar, eles se refugiam em suas próprias histórias de vida. “Toda a trama se dá dentro de um bar, onde todos eles colocam suas angústias e questões”, aponta Alves.

Esteticamente, a peça se inspira na década de 80, com cabelos, figurinos e uma forte influência visual do disco e do punk rock. O espetáculo volta no tempo, com a queda do Muro de Berlim e o vislumbre de um período democrático, também no Brasil, com o fim da ditadura militar.

Linguagem. Com uma carreira de cineasta, Alves assina individualmente sua primeira direção no teatro, tendo codirigido trabalhos com Grace Passô, Lira Ribas, Pablo Lamar e Luísa Bahia. A bagagem cinematográfica possibilita um trânsito entre linguagens, que ainda inclui a performance, como mais uma elemento da cena.

“Tenho tentado adensar a linguagem, de modo a colocar o teatro e o cinema para dialogarem, sem fazer o uso do vídeo, apenas enquanto projeção”, explica o diretor. Para tanto, ele investe no vídeo ao vivo, na presença do espectador, sem nenhum conteúdo produzido de antemão. “Fico pensando como seria trazer uma linguagem cinematográfica para a linguagem teatral. Exploro profundidade de câmera no campo visual e também uma luz (assina por Jésus Lataliza) que seja capaz de trazer esse registro do cinema para o teatro”, explica Alves.

A peça, recheada pela urgência e pela angústia dos lugares de fala dos dez atores em cena, não aposta em um formato biográfico. Porém, é atravessada pelos corpos e pelas questões de seus intérpretes. “Não trabalho com a ideia de ator-personagem, mas os corpos deles estão presentes numa encenação que evoca questões prementes para eles. Ainda que seja ficção, há uma forte carga de cada um”, considera o diretor.

Serviço. “Eclipse Solar”, no Cefart Andradas (avenida dos Andradas, 723, centro). Até 15 de novembro. Quinta, às 21h; Sexta e sábado, às 19h e 21h, e domingo, às 19h. Entrada gratuita. 

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