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Literatura

Amor e reptilianos em NY

Lourenço Mutarelli lança seu novo romance, 'O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV', nesta quinta (11) em Belo Horizonte

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Autor. Lourenço Mutarelli levou mais de dez anos para finalizar o seu novo romance
PUBLICADO EM 11/10/18 - 03h00

Escritor, artista visual, quadrinista e ator, Lourenço Mutarelli queria ir para Alentejo, em Portugal, em 2007, mas acabou sendo enviado para Nova York quando recebeu o convite da Companhia das Letras para participar do projeto Amores Expressos, que levou 17 autores brasileiros a diferentes cidades do mundo, onde deveriam ser ambientadas as narrativas dos futuros romances. “Eu era o único do grupo que não conhecia Nova York, então acharam que eu deveria ir para lá e identificaram que a cidade tinha a ver comigo. Mas nunca tive vontade de conhecer Nova York e, quando pisei lá, notei que não tinha nada a ver comigo mesmo”, conta Mutarelli.

Com um mês na cidade, o autor sentiu-se bloqueado, e a escrita não fluiu. Ele chegou a retornar a Nova York em 2008, permanecendo lá por mais 15 dias. Ainda assim, seu processo criativo foi arrastado e a ficção “O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV” demoraria quase uma década para ser concluída. Publicado recentemente pela Companhia das Letras, o título será lançado nesta quinta-feira (11) pelo escritor paulistano no espaço A Central, localizado no CentoeQuatro. No encontro, que integra a programação do Circuito de Literatura e Café, haverá um bate-papo mediado pelo jornalista e um dos editores da revista “A Zica”, João Perdigão, e pela jornalista e produtora cultural Helen Murta, organizadora da feira Faísca, centrada em publicações independentes.

“O Filho Mais Velho de Deus” gira em torno de um personagem que assume diversas identidades: Charles Noel Brown, Albert Arthur Jones e George Henry Lamson. Todas elas associadas a nomes de assassinos, que Mutarelli encontrou no site Murderpedia. O artifício é usado pelo protagonista para resguardar a própria identidade, o que lhe é oferecido pelos Cães Alados, um grupo cujo papel é proteger seus integrantes. “Esse personagem é uma figura mediana que queria uma oportunidade de mudar de vida, de nome, de cidade, deixando tudo para trás. Ele tinha uma vida vazia, e os nomes acabam não determinando muita coisa, porque ele continua carregando consigo tudo que ele era”, diz Mutarelli.

A referência aos criminosos, contudo, leva a trama para cenários sombrios, onde geralmente transitam as histórias de Mutarelli. “Nesse livro, há uma tentativa de entender algumas questões que eu estudo, como a natureza do mal. Algo muito difícil de entender, e toda a história, de alguma forma lida com esse aspecto”, diz o autor.

Mas, sem fugir à proposta do projeto, Mutarelli oferece a seus leitores uma história de amor, que, levando em conta seus trabalhos anteriores, como “Cheiro do Ralo” (2002) – já adaptado para o cinema –, não deixa de ter um ingrediente insólito. É assim que o enlace amoroso vivido pelo personagem converge para uma trama invadida por seres reptilianos e conspirações. Soou estranho? Para Mutarelli, nem tanto.

“Todo amor é estranho, um território difícil. E você passar um mês em uma cidade que não te toca, e ainda ter que escrever uma história de amor que se passa ali, inevitavelmente, vai gerar algo diferente”, diz. Embora “O Filho Mais Velho de Deus” tenha sido seu trabalho mais difícil de produzir, o escritor elege este como um dos seus preferidos.

“Apesar de toda a experiência que tive durante o processo de escrita, esse livro é um dos que mais gosto, em razão do tipo de pesquisa necessária que, até então, eu nunca tinha feito. Essa relação com a cidade, a cultura local, o trabalho de desenvolvimento da personagem foi muito legal”, conta Mutarelli.

 

Mutarelli mantém diálogos com o audiovisual

Em “O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV”, Lourenço Mutarelli também demonstra, mais uma vez, sua afinidade com o cinema, apresentando uma narrativa ágil, que conduz o leitor a acompanhar os passos do protagonista da ficção pelas ruas de Nova York. “Eu tenho muita influência do cinema. Quando eu era mais novo, eu via muitos filmes. Eu gosto do cinema como forma e narrativa, então não tem como isso deixar de inspirar o meu processo de escrita”, conta Mutarelli, que neste ano também atuou em dois filmes.

São eles os longas-metragens “Música para Ninar Dinossauros”, inspirado na peça de mesmo nome de Mário Bortolotto, e “Sick, Sick, Sick”, de Alice Furtado. Os dois estão previstos para estrear em 2019.

Agenda

O quê

Lourenço Mutarelli lança “O Filho Mais Velho de Deus e/ou Livro IV” (Companhia das Letras, 336 págs., R$ 54,90)

Onde

n’A Central (praça Rui Barbosa, s/nº, centro)

Quanto

Entrada grauita

 

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