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Literatura

Arena do terror psicológico 

Após publicar “Diário de Uma Escrava” na plataforma Wattpad, Rô Mierling lança a ficção pela editora DarkSide

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Autora. Rô Mierling lança seu quinto livro
PUBLICADO EM 02/01/17 - 03h00

Residente há três anos em Buenos Aires, a gaúcha Rô Mierling vem conquistando espaço na literatura com histórias impactantes e perturbadoras, como a mais recente, apresentada no título “Diário de Uma Escrava”. A narrativa veio a público primeiro no Wattpad, em 2015. Nessa plataforma de autopublicação disponível na internet, a ficção já alcançou mais de 1,5 milhão de leituras, o que rendeu à escritora o convite para publicar a obra agora pela editora brasileira DarkSide.

Esse é seu quinto livro e reforça a escrita dela no segmento do terror, em que ainda há uma predominância de nomes masculinos entre os mais consagrados. De acordo com Mierling, seu interesse pelo gênero passa pela relação direta que ele a permite a ela travar com a realidade.

“Gosto do terror psicológico, porque sinto que na vida real esse impera mais do que a fantasia. Claro que queremos final feliz, mas, e quando ele não vem? O que fazer? Isso é o que me atrai no terror, horror e realidade dentro da ficção. Esses gêneros mostram o lado mau da vida, e, conhecendo esse lado, fica mais fácil enfrentar as realidades da vida”, afirma a escritora.

Ela identifica essa predileção desde seus primeiros escritos reunidos em “Contos e Crônicas do Absurdo”, que saiu em 2014. Inclusive, um dos textos, intitulado “Nos Braços do Pai”, é baseado no caso do garoto Bernardo Boldrini, que foi assassinado com uma injeção letal, no interior do Rio Grande do Sul, há dois anos. A história chocou os moradores de Três Passos (RS), especialmente porque os principais acusados do crime são o pai e a madrasta vítima. Ambos aguardam julgamento.

Ficção. Em “Diário de Uma Escrava”, Mierling também se volta à violência cotidiana, mas, desta vez, foca em personagens femininas que são alvo de grande sofrimento provocado por sequestradores e psicopatas.

“Essa é uma ficção baseada em fatos reais. São sete casos analisados, em que os pormenores destes servem de base para a construção da personagem principal do livro, a Laura”, pontua.

Ela conta que se baseou em acontecimentos reportados pela imprensa internacional para compor a história, além de tomar como referência dados da realidade brasileira. Mas, diferentemente das situações que conheceu, na obra ela evita a presença de um “final feliz”.

“Muitos casos reais mostrados tendem a pender a uma superação e a um final ‘feliz’, deixando de lado histórias em que o final não é agradável e as vítimas são esquecidas por não terem sido exemplo de superação”, comenta Mierling.

No caso de seu romance, Laura é uma adolescente raptada e obrigada a servir por anos como escrava sexual de um homem que a submete a um ciclo contínuo de estupros e torturas. O resultado disso é um estilhaçamento da personalidade da protagonista e de sua autoestima, o que cada vez mais a afasta de quem ela era antes de ser aprisionada.

“Eu quis mostrar o que acontece quando alguém passa por momentos de privação extrema na ficção, que são os mesmos vividos por pessoas na vida real. Mas, no final, não há uma superação nem o resultado que a sociedade deseja. E isso é totalmente verossímil, porém desconhecido da maioria dos leitores, porque em geral só vêm à mídia casos de sequestradas resgatadas e que tentam superar o que viveram, além de corpos achados em sepulturas rasas”, explica.

“E as vitimas que são achadas, mas foram transformadas psicologicamente em algo ‘indesejado’ socialmente? Não estou incentivando a vingança ou a lei do olho por olho, mas mostrando que isso ocorre, e quando ocorre é essencial que seja analisado”, acrescenta ela, que define “Diário de Uma Escrava” como uma história de “terror psicológico com uma leve pitada de suspense policial”.

“É um gênero que está crescendo cada vez mais no Brasil. Antes era visto com desconfiança e agora passa a ser mais conhecido frente a grandes escritores que se dedicam a ele e que escrevem historias incríveis que acabam chamando atenção do leitor”, pontua.

A história, de acordo com Mierling, terá uma continuação. “Eu terminei um segundo e final livro, onde mostro cicatrizes de longo prazo resultantes de todo o ocorrido com a personagem principal, destacando inclusive uma busca por redenção, onde ela se sente culpada pelo que passou”, conclui.

Nas livrarias

Título. “Diário de Uma Escrava”
Autora. Rô Mierling
Editora. DarkSide
Páginas. 224
Quanto. R$ 49,90

Trecho de “Diário de Uma Escrava”

“Não sei quanto tempo passou, mas escuto um barulho e sei que é o Ogro chegando com o café da manhã. Ele entra com um pedaço de pão, um naco de queijo com aparência de velho e um copo de café. E antes que eu consiga ficar de pé, ele me pega pelos cabelos e me levanta da cama. Sinto uma dor sem limites e tento me erguer rápido para que ele não arranque meus cabelos. Ele me atira no chão. Eu me encolho. Sinto algo quente jorrando na minha pele.”

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