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Artes cênicas

As muitas histórias de abuso

Por meio da personagem Cláudia, Ana Régis leva à cena narrativas de mulheres que sofreram em suas vidas

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Ana Régis
“Peixes” concorreu em três categorias no Prêmio Sinparc 2018 e foi laureada pelo de melhor atriz e texto para Ana Régis
PUBLICADO EM 12/07/18 - 03h00

O teatro, com sua capacidade de ativar a sensibilidade de seus espectadores, pode desempenhar um papel fundamental para a abordagem de assuntos delicados, polêmicos ou ignorados historicamente. O monólogo “Peixes” – escrito, dirigido e encenado pela atriz Ana Régis – aposta nisso para falar sobre diversas violências sofridas pelas mulheres. A peça será apresentada em curta temporada na Sala Solo, do Galpão Cine Horto, a partir desta quinta-feira (12).

“Quando as pessoas veem essa situação no teatro, é diferente das estatísticas, das notícias de jornal. Ao fim do espetáculo, eu sempre falo que são histórias reais, e isso costuma chocar algumas pessoas. Por outro lado, algumas mulheres falam comigo que a peça é a história da vida delas. Também é uma forma de sentir que meu trabalho é mais útil. Eu estava me sentindo muito impotente, mas fico contente de fazer parte deste lugar político que o teatro de Belo Horizonte tem assumido”, pontua Ana Régis, que ganhou recentemente os títulos de melhor atriz e melhor texto no Prêmio Sinparc.

A peça apresenta Cláudia, personagem fictícia inspirada em histórias reais que sofre diferentes abusos ao longo de sua vida e acaba detida em um manicômio. Durante os ensaios, a atriz temeu que a reincidência de histórias dessa natureza com um mesma personagem, talvez, pudesse parecer forçada. Entretanto, ao entrar em contato com outras mulheres vítimas de abuso, ela constatou que o ciclo de violências acontece com frequência. “Se abusada na infância, por uma pessoa próxima, a tendência é que essa mulher tenha relações afetivas de abuso na fase adulta”, lamenta Ana. 

Realidade. O gatilho para a atriz começar a pesquisar histórias de abuso foi a revelação de uma pessoa próxima, vítima de violência doméstica, em 2014. Ana foi atrás de relatos similares e descobriu um lado bastante obscuro. “Quanto mais eu encontrava histórias escabrosas, mais fundo eu cavava”, diz. 

Se num primeiro momento ela questionava seu lugar de fala – por nunca haver sofrido esse tipo de abuso na pele –, a atriz entendeu, posteriormente, que o fato de ser mulher era motivo suficiente para contar essas histórias. “Achava que (o texto) não era para mim, porque nunca passei por isso. Depois, eu consegui aproximar essa personagem de mim e perdi o pudor em relação ao lugar de fala, porque, afinal de contas, eu sou mulher”, ressalta.


Agenda
 

O quê. “Peixes”

Quando. Desta quinta-feira (12) até domingo. Quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h

Onde. Galpão Cine Horto Sala Solo (rua Pitangui, 3.613, Horto)

Quanto. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia entrada) 

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