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Encontro

Atento à diversidade sonora 

Vincent Moon retorna a BH, onde participa de sessão de filmes e bate-papo com o público hoje e amanhã no Cine 104

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Trajetória. Vincent Moon é um dos criadores do “La Blogotèque”, dedicado à música independente
PUBLICADO EM 14/08/14 - 03h00

Vincent Moon tem grande curiosidade pelo Brasil e aprecia especialmente a música produzida aqui. O interesse do cineasta francês o aproximou de nomes como Elza Soares, Gaby Amarantos, Tom Zé, Ney Matogrosso, Thalma de Freitas, entre outros. Além dos trabalhos com os artistas brasileiros, ele tem no currículo vídeos produzidos para bandas internacionais, como Arcade Fire, Beirut e Efterklang.

Grande parte dessa experiência, que mescla música, fotografia e cinema, ele compartilha hoje e amanhã, com exibição de filmes, no Cine 104 do Espaço CentoeQuatro. “A diversidade cultural brasileira é fantástica. Eu acredito que a maneira como os brasileiros vivem, em cada uma das regiões, e o que produzem aqui configuram algo realmente único”, observa Vincent Moon, que vive no Rio de Janeiro.

Ele ressalta lhe chamar atenção não só a relação do povo daqui com a música, mas também com os diferentes tipos de religiosidade. Nasce dessa percepção, aliás, o seu mais recente projeto, “Híbridos”, que vem produzindo ao lado da fotógrafa e documentarista francesa Priscilla Telmon. Ele conta que está se preparando para percorrer o país filmando os rituais religiosos de comunidades diversas.

“Quero ir a Salvador filmar os terreiros de candomblé, depois conhecer melhor a manifestação do Santo Daime, o espiritismo praticado aqui, e as correntes de xamanismo também. Estamos buscando retratar tudo isso por meio de diferentes linguagens. A ideia é que, a partir disso, seja produzido não só um filme, mas uma exposição e um livro também”, detalha Moon.

O olhar para as nuances da realidade brasileira, após viagens frequentes há cerca de quatro anos, parece cada vez mais afinado. O diretor nota um processo de ebulição cultural, que o desafia e o estimula criativamente.

“Eu vejo o Brasil como uma espécie de laboratório cultural. Se compararmos o que encontramos nas cidades daqui com outras de vários lugares do mundo, é raro encontrarmos uma identidade cultural tão sincrética. Essa mistura é o que mais nos encanta, porque ela gera algumas expressões muito singulares”, explica.

Sem data prevista para retornar à terra natal, ele diz que deve permanecer por cá ainda durante um bom tempo. Ao longo desse percurso, Moon deve expandir outras pesquisas, divulgadas em plataformas como a página da internet Petites Planètes.

Nesta, o documentarista registra sonoridades produzidas por grupos de várias partes do planeta. Possíveis de ser escutadas gratuitamente, as composições abarcam desde ritmos locais da Indonésia até criações da banda mineira Iconili.

Sobre o diálogo constante entre música e cinema, que permeia sua atividade, ele observa que o motiva encontrar os pontos em que essas duas esferas se encontram. “Gosto de pensar nas potencialidades de cada uma dessas linguagens e no que elas compartilham em comum”, conclui.

Agenda

O quê. Bate-papo com Vincent Moon

Quando. Hoje e amanhã, às 20h40

Onde. Espaço CentoeQuatro (praça Ruy Barbosa, 104, centro)

Quanto. R$ 10 e R$ 5 (meia)

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