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Atento às questões globais

Na exposição “Ai Weiwei: Raiz”, reflexões sobre direitos humanos em uma escala mundial também são prioridade

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Ai Weiwei
A instalação “Sunflower Seeds” possui toneladas de sementes de girassol feitas em cerâmica
PUBLICADO EM 03/02/19 - 03h00

O curador Marcello Dantas vinha conversando com Ai Weiwei sobre um projeto expositivo desde 2010, mas esse diálogo foi interrompido em 2011, quando o artista chinês foi preso e permaneceu em detenção por 81 dias. Crítico ferrenho do governo chinês, Weiwei foi acusado de evasão fiscal, teve o passaporte retido e seu estúdio destruído. Na primeira oportunidade de deixar o país, ele mudou-se para Berlim, onde reside desde 2015.

Para Dantas, Weiwei passou a abraçar a causa dos refugiados, principalmente a partir do seu exílio na Alemanha. “Ele identificou ali que nós temos um problema que é mundial. A maior parte dos artistas trabalha a partir de realidades locais, mas Weiwei lida com aspectos ligados ao planeta como um todo. A questão da humanidade, da transnacionalidade, ou seja, assuntos que ultrapassam fronteiras, estão presentes no que ele produz. Ele não está falando de uma questão da política chinesa nem europeia, mas de algo mais amplo”, observa Dantas.

Na exposição “Ai Weiwei: Raiz”, a obra “Lei da Viagem” (2016) aborda diretamente a questão dos refugiados, por meio de um bote inflável de 60 m, feito com PVC reforçado. O trabalho pesa mais de 700 kg e foi criado paralelamente, enquanto o artista rodava o documentário “Human Flow” (2017), que busca apresentar os motivos de hoje existirem milhões de pessoas na condição de refugiados, em mais de 20 países do mundo.

Outra questão pertinente nas criações de Weiwei é a defesa da importância da liberdade de expressão. “Isso aparece o tempo todo. A condição para que ele faça alguma coisa parte da luta pela liberdade de expressão. Essa é uma das principais tônicas do seu trabalho, e, se analisarmos hoje, podemos notar que existem poucos lugares no mundo que podem oferecer essa condição, que tem uma relação direta com a preservação dos direitos humanos mínimos”, diz Dantas.

Cena contemporânea. Para o curador, Weiwei tem sido um dos grandes responsáveis por oxigenar a cena de arte contemporânea de forma contundente, além de colocá-la em pauta. “Ele se tornou uma figura ímpar nesse processo, porque trouxe visibilidade para esse contexto, no qual inseriu questões políticas associadas aos direitos humanos, a partir de uma liberdade de expressão e um certo humor como não víamos há muito tempo. Wei-wei quebrou um pouco o cinismo da arte contemporânea e deu um soco no estômago de todo mundo. O trabalho dele é muito forte mesmo”, comenta o curador.

“Ele também trouxe um frescor impressionante e, claro, deixou muitas pessoas profundamente incomodadas, porque ele realmente deu visibilidade a muitos conflitos. Ele é um dos artistas mais corajosos que nós conhecemos nesse momento”, reforça Dantas.

Conhecido pela forte atuação nas redes sociais, Weiwei, para a crítica de arte Alecsandra Matias, também trouxe esses dispositivos como novos elementos a serem inseridos no debate atual sobre a arte contemporânea.

“Ele continua, como sempre, preocupado com o regime chinês, com a falta de liberdade e com as questões que nos coletivizam/individualizam. Porém, Weiwei diversificou e ampliou suas estratégias – quando ele emprega as mídias sociais, a mão de obra de uma determinada localidade ou um material específico para seus trabalhos, ele traz para essas peças valores agregados que aceleram a divulgação de seus projetos”, acrescenta Alecsandra.

Recriação. Em 2016, Ai Weiwei refez a icônica obra “Deixando Cair Uma Urna da Dinastia Han” (1995), originalmente fotografada a partir de módulos de Lego – versão que poderá ser vista no CCBB.

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