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De Lô Borges a Kubrick: a nova obra do Arctic Monkeys

Sexto álbum, ‘Tranquility Base Hotel & Casino’ , é o ‘diferentão’ da discografia da banda inglesa

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Arctic Monkeys
Antagonismos. Novo trabalho do Arctic Monkeys vem dividindo opiniões dos fãs nas redes sociais por conta de sua nova sonoridade
PUBLICADO EM 12/06/18 - 03h00

Um piano, uma música de Lô Borges – “Aos Barões” –, a obra cinematográfica de Stanley Kubrick e a voz de Nina Simone foram alguns dos melhores amigos de Alex Turner nos dois últimos anos. Por meio do instrumento, um presente em seu aniversário de 30 anos (o músico hoje está com 32). Com essas referências hospedadas em sua mente, o vocalista compôs praticamente sozinho o sexto álbum do grupo inglês de rock Arctic Monkeys, intitulado “Tranquility Base Hotel & Casino”.

O sucessor de “AM” (2013) pode ser considerado um estranho no ninho dentro da discografia da banda. As guitarras pesadas do rock alternativo e a veia indie de outrora deram lugar a um clima mais brando, psicodélico e também futurista, à la David Bowie, com traços de Pink Floyd e Beatles. Mas e quanto a Lô Borges, Nina e Kubrick? Onde eles se encaixam nessa história?

Ao mencionar “Aos Barões”, do “Disco do Tênis” (1972), de Lô Borges, e “Baltimore”, de Nina Simone, como algumas de suas inspirações, Turner não quis transformar o Arctic Monkeys no novo Clube da Esquina ou num conjunto de jazz e soul. Mas dá para notar que ele bebeu dessas fontes em atos como as ótimas “One Point Perspective” e “The Ultracheese”. É pouco, mas as referências estão lá.

Quanto a Kubrick, a coisa toma outro rumo. A arte e o design gráfico da capa e elementos de faixas como “Tranquility Base Hotel & Casino” e “Science Fiction”, dotadas de belas melodias vocais, demonstram uma parte dessa influência. As letras, com teor filosófico e ares de ficção científica, como em “Science”, dão algumas pistas (“Pânico em massa em uma colônia futura não muito distante/ Tranquilidade quantitativa/ Eu quero fazer uma simples observação sobre paz e amor”, em tradução do inglês para o português).

A homenagem a Kubrick transcende o disco e toma forma, de maneira ainda mais notória, no clipe para “Four Out Of Five”. Dirigido por Ben Chappell & Aaron Brown, o vídeo faz alusão a filmes como “2001: Uma Odisseia No Espaço” (1968), “Laranja Mecânica” (1971), “O Iluminado” (1980) e “De Olhos Bem Fechados” (1999). E adivinhe onde foi gravado: no Castle Howard, em Yorkshire, uma das locações para “Barry Lyndon” (1975).

Um louvável tributo ao cineasta, que, no próximo dia 26 de julho, completaria 90 anos. O diretor morreu em 7 de março de 1999, quatro meses antes do lançamento oficial de seu último filme, “De Olhos Bem Fechados”.

Fãs do ritmo mais acelerado e das guitarras distorcidas de discos como “Whatever People Say I Am, That's What I'm Not” (2006), “Favourite Worst Nightmare” (2007) e “Suck It and See” (2011) podem não ver com tão bons olhos assim a mudança drástica da sonoridade presente em “Tranquility Base Hotel & Casino”. No entanto, trata-se de um trabalho maduro e inspirado, que vale e deve ser degustado aos poucos.

Corre o risco, porém, de que, assim como algumas obras de Stanley Kubrick, só receba o devido reconhecimento daqui a algum tempo.

“Tranquility Base Hotel & Casino”, sexto disco da banda inglesa de indie/alternative rock Arctic Monkeys, foi praticamente composto por Alex Turner. Possui 11 faixas e recebeu influência de artistas como Lô Borges, Nina Simone, Rolling Stones e outros, segundo informou o vocalista.

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