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Despacito e a explosão de nome reggaeton

Gênero, que mistura reggae, rap e ritmos latinos, tem ocupado as paradas musicais do pop brasileiro e internacional

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Urbano. Luiza Alvarenga e Guilherme Veras dançam no túnel da praça da Estação
PUBLICADO EM 11/06/17 - 03h00

O ritmo é envolvente, as letras, fáceis de serem decoradas, e a melodia gruda na cabeça como chiclete. Essa combinação de elementos parece ter sido fundamental para a explosão do reggaeton, gênero latino de origem panamenha que mistura reggae com rap.

O exemplo mais recente do boom no mercado fonográfico do reggaeton é “Despacito” (2017), música do porto-riquenho Luis Fonsi, escrita em parceria com seu conterrâneo Daddy Yankee e com a panamenha Erika Ender, que é filha de brasileira. Lançado em janeiro, o hit de timbre pop e pegada dançante está há mais de um mês no topo das paradas norte-americanas da “Billboard”.

Em 20 anos, esta é a primeira vez que uma canção com letra em espanhol ocupa o primeiro lugar da revista norte-americana, depois de “Macarena” (1995), da dupla espanhola Los Del Río. Além disso, no YouTube a canção já ultrapassou a marca de 1 bilhão de visualizações, número parecido com o do Spotify, com execuções que chegam próximo do número astronômico.

Como dançar reggaeton em BH? Mostramos para você

A música ganhou ainda mais potência quando foi gravada em abril pelo hitmaker Justin Bieber. Segundo o jornalista especializado em música Antônio Carlos Miguel, foi o ídolo teen quem deu “aval” para que o hit explodisse no planeta. “O Justin Bieber é um fenômeno pop mundial, e o mercado da língua hispânica está cada vez maior. Quando chega um artista pop como ele, esse fenômeno aumenta ainda mais”, afirma o crítico.

No Brasil, artistas pop também têm surfado na crista da onda do reggaeton. Anitta é uma que abraçou de vez o ritmo. Ela tem feito parcerias com artistas latinos, como Maluma e J. Balvin, e seus últimos singles são todos baseados no gênero. Em seu mais recente lançamento, “Paradinha”, a artista até se arrisca no espanhol. Atrás dela, seguem outros cantores, como Claudia Leitte, Michel Teló, Ludmilla e Luan Santana, com pelo menos uma canção gravada no ritmo de reggaeton.

Origem

Mas, afinal, que ritmo é esse que tem causado tanto frisson no mercado fonográfico? A mistura de estilos talvez seja o conceito que melhor explique o gênero. A começar pelo nome. “Reggaeton” é a junção de “reggae”, gênero essencialmente jamaicano, com “maratón”, nome que se dá às batalhas de rap. Juntam-se a isso ritmos latinos como a salsa e a cumbia, e pronto: tem-se o reggaeton.

De origem urbana e popular, o reggaeton surgiu no Panamá, na década de 70, quando jamaicanos que viviam no país da América Central traduziam canções de reggae para o espanhol. O artista de maior destaque dessa época é o panamenho El General. Foi em Porto Rico, no entanto, que o movimento ganhou força. Na década de 80, o rapper Vico C, nascido nos Estados Unidos, mas criado na capital porto-riquenha, San Juan, introduziu a batida de hip-hop ao estilo. Paralelamente, o reggae e o rap efervesciam nas periferias de Porto Rico, e adolescentes e jovens também criavam músicas com influências caribenhas, norte-americanas e jamaicanas.

Na década de 90, o reggaeton já estava disseminado em alguns países da América Central, e o boom mundial ocorreu nos anos 2000, quando o porto-riquenho Daddy Yankee lançou o hit “Gasolina” (2004), do álbum “Barrio Fino”, que estourou nas rádios do Brasil e do mundo. A canção foi indicada ao Grammy Latino de 2005 na categoria gravação do ano, mas não chegou a levar o prêmio.

De acordo com o crítico Antônio Carlos Miguel, que participa de reuniões do Grammy Latino há 20 anos, o reggaeton passou a ter relevância mundial a partir de Daddy Yankee. “Sou do comitê brasileiro, e nas reuniões tocam músicas de toda a América Latina, e passei a perceber cada vez mais a presença desse tipo de artista. O rap virou idioma dominante da juventude, começou na periferia e se espalhou, agregando elementos do reggae”, afirma.

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