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Novela da Globo

Do outro lado tem polêmica

Sequências que mostram a cura gay, o racismo e a amamentação cruzada provocaram reação do público e de entidades

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Eriberto Leão
Trama. Personagem de Eriberto Leão participou de duas cenas polêmicas
PUBLICADO EM 29/03/18 - 03h00

O capítulo de terça-feira (27) de “O Outro Lado do Paraíso”, da Globo, fez o folhetim escrito por Walcyr Carrasco voltar a ser alvo de críticas na internet ao abordar temas polêmicos de uma maneira que, segundo muitos internautas, presta um desserviço à sociedade. Na quarta (28), órgãos como o Ministério da Saúde rebateram algumas informações que foram levadas ao ar no folhetim. Até o fechamento desta edição a emissora não havia comentado o caso.

Três cenas geraram uma forte reação dos telespectadores: a cura gay, promovida pela mãe do Quilombo (Zezé Motta) em Samuel (Eriberto Leão), que aparentemente fez as pazes com a mulher Suzy (Ellen Rocche); a fala de Nádia (Eliane Giardini), que vê no neto negro um castigo; e o incentivo à amamentação cruzada – quando uma lactante amamenta o filho de outra mulher, prática contraindicada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por oferecer risco de transmissão de doenças como HIV e hepatite B, entre outras.

As críticas nas redes sociais começaram quando o capítulo ainda estava no ar. “‘O Outro Lado do Paraíso mostra que pode existir a cura gay, prostituição como um conto de fadas, nascimento de uma criança negra como se fosse um castigo, um homem precisando ficar cego pra ficar com uma anã. Tem muita coisa errada com essa novela”, postou uma usuária do Twitter.

“Obrigado, Walcyr Carrasco pelo desserviço em ‘O Outro Lado do Paraíso’. É negro sendo usado como castigo para racista; é gay enrustido voltando a ser hétero. Alô, estamos em 2018?”, escreveu outro internauta.

Crítico de TV e colunista do Magazine, o jornalista Flávio Ricco diz que o autor da novela tem apresentado essas cenas para “buscar discussões”. “O Walcyr (Carrasco) é assim mesmo, ele gosta de provocar esse tipo de polêmica para chamar a atenção”, comenta. Entretanto, ele destaca que cenas como a da amamentação cruzada podem ser consideradas, obviamente, “imprudentes”.

Posição.  A cena do amamento cruzado provocou uma grande reação de médicos e enfermeiros, que consideraram que houve disseminação de informações incorretas e perigosas sobre essa prática.

Na sequência levada ao ar, Samuel, que é médico psiquiatra e diretor do hospital da cidade, diz a Karina (Malu Rodrigues), nora de Nádia, que seu leite é insuficiente. Ele, então, oferece sua mulher Suzy, que deu à luz recentemente, para ser “ama de leite” do filho da jovem com Diego (Arthur Aguiar).

Entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) criticaram a trama “O Outro Lado do Paraíso”. “A amamentação cruzada acontecia muito e ainda acontece entre comadres, vizinhas e parentes. Com a propagação da aids e a descoberta de que a doença é transmitida pelo leite materno, as orientações mudaram. Pode parecer um ato de amor e solidariedade, mas é perigoso e não é recomendado”, afirmou Elsa Giugliani, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP, em entrevista ao site da revista “Veja”.

Em nota, a entidade também ressaltou que não existe leite materno fraco. “É importante destacar que a amamentação deve ser estimulada, pois é o único processo natural que garante acesso ao alimento completo e mais adequado para as crianças. Por isso, deve ser oferecido, de modo exclusivo, nos seis primeiros meses, podendo ser complementado a partir de então”, afirmou.

Redes sociais

Alerta. Após a polêmica da novela, o Ministério da Saúde usou as redes sociais nesta quarta-feira para informar sobre o aleitamento materno, esclarecendo dúvidas e ressaltando a importância do ato.

Outras polêmicas

Violência contra a mulher. Logo no início da trama, a cena em que Gael (Sergio Guizé) estupra Clara (Bianca Bin) virou assunto na internet. Depois, a fala de Mercedes (Fernanda Montenegro), que afirmou que o rapaz ficava agressivo ao ser possuído por um espírito, foi muito criticada.

Racismo. Nádia (Eliane Giardini) implicava com o relacionamento de seu filho Bruno (Caio Paduan) com Raquel (Erika Januza) porque a moça é negra. O texto caricato foi bastante criticado por tentar trazer humor para um assunto sério e recorrente.

Abordagem psicológica. A novela foi criticada pelo Conselho Federal de Psicologia nos capítulos em que Laura (Bella Piero) procura um coaching, não um psicólogo, para tratar os traumas do abuso sexual cometidos pelo padrasto.

Reforço de estereótipos. A novela apresenta os cabeleireiros Nick (Fábio Lago) e Marcel (Andy Gerker) caricatos, que vivem dando em cima do colega Odair (Felipe Titto). Além disso, depois que assumiu namoro com Samuel, Cido (Rafael Zulu) não para de repetir o bordão “mãe de bicha”.

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