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Em versão desenho animado 

Em “Zoom”, do diretor brasileiro Pedro Morelli, o ator mexicano Gael García Bernal não aparece em carne e osso

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Rotoscopia. Técnica de filmar os atores e desenhar por cima deles foi usada para retratar Gael no filme
PUBLICADO EM 24/05/15 - 03h00

De bermuda e toalha no ombro, Gael García Bernal caminha requebrando, cheio de suingue, pela orla de Copacabana. Ele acena para duas garotas de biquíni que o fitam da areia, alonga os braços e entra no mar.

Mas tudo em desenho animado. É dessa forma que o ator mexicano de 36 anos, galã que já interpretou um travesti almodovariano e o Che Guevara pré-revolucionário, aparece no novo filme “Zoom”.

A coprodução Brasil-Canadá, dirigida por Pedro Morelli (“Entre Nós”), é dividida em três segmentos narrativos: o de Gael é o único em animação; os outros – um protagonizado por Mariana Ximenes e o terceiro pela canadense Alison Pill (“Meia-Noite em Paris”) –, são com atores em carne e osso.

Ainda em finalização, deve ser lançado entre o fim deste ano e o começo do próximo. “Muita gente diz: ‘Pô, você conseguiu trazer o Gael para o filme, mas o transformou em desenho?’. Essa é a graça”, diz Pedro. “Talvez até por isso é que ele tenha topado”.

O rosto delgado de Gael García Bernal também “cola melhor no personagem”, segundo Pedro. “A cara dele é bem reconhecível. Com alguém de rosto mais genérico talvez não desse certo”.

“Zoom” é o primeiro longa que o diretor de 29 anos realiza sozinho. O anterior, “Entre Nós”, foi feito em codireção com o pai, Paulo Morelli, um dos fundadores da O2 Filmes ao lado de Fernando Meirelles.

A trama intercala três histórias interrelacionadas: Mariana Ximenes interpreta uma modelo que quer abandonar tudo para ser escritora; Alison Pill faz uma autora de histórias em quadrinhos; Gael vive um diretor de cinema.

Aos poucos, as conexões são reveladas. O personagem de Gael está fazendo um filme sobre a personagem de Mariana, que escreve sobre a ilustradora vivida por Alison, que por sua vez desenha o universo habitado por Gael.

“É como uma escadaria do M. C. Escher”, define o diretor, citando o artista holandês conhecido pelas gravuras de construções entrecruzadas, em especial escadas, criadas para produzir ilusões de ótica.

Fã do roteirista norte-americano Charlie Kaufman, Pedro buscava uma história metalinguística. “É sobre personagens manipulados, controlados”, completa, “como em ‘O Show de Truman’ e ‘Matrix’”. O brasileiro escreveu o argumento a convite do produtor canadense Niv Fichman, que conheceu no set de “Ensaio sobre a Cegueira” (2008), de Fernando Meirelles.

Para criar o núcleo do personagem de Gael, o diretor usou rotoscopia, técnica que consiste em filmar os atores e desenhar por cima deles. Algo semelhante já foi empregado em longas como “Waking Life” e “O Homem Duplo”, ambos dirigidos por Richard Linklater, de “Boyhood”.

“Parece coisa muito tecnológica, mas é puramente braçal: precisa de um bom desenhista”, diz o diretor, que levou a reportagem para conhecer a ala da O2 mobilizada para trabalhar na parte da animação do filme – uma equipe de mais de 20 pessoas fez os desenhos quadro a quadro.

“Queria tudo com cara de feito à mão. Nada de filtro”, diz Pedro. “Sabe aqueles borrões? São o que me interessa”.

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