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Helena deixa legado literário  

A escritora Helena Jobim, irmã do músico Tom Jobim, morreu anteontem em Belo Horizonte, onde vivia desde 2000

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Parceria. Helena Jobim ao lado do diretor Ernane Alves, que está finalizando um filme sobre a autora
PUBLICADO EM 15/09/15 - 03h00

Nascida no Rio de Janeiro, Helena Jobim (1931 - 2015) morreu anteontem em Belo Horizonte, onde foi enterrada, ontem à tarde, no Cemitério da paz. A escritora, que era a única irmã de Tom Jobim, havia sido diagnosticada com Alzheimer e, de acordo com a família, faleceu em razão de problemas nos rins. Ela deixa a filha Sonia Albano Feitosa, dois netos e uma bisneta.

Autora de cerca de 11 livros, entre eles a biografia “Antonio Carlos Jobim, Um Homem Iluminado”, de 1996, Helena se dedicou à ficção e à poesia. O seu romance “Trilogia do Assombro” (1981) inspirou o filme “Fonte da Saudade”, dirigido por Marco Altberg de quem se tornou amiga durante a produção do longa-metragem estrelado por Lucélia Santos.

“Helena foi uma pessoa com uma sutileza muito grande, e no filme que fiz naquela época eu tentei passar um pouco do que conhecemos em seus romances. Em ‘Trilogia da Sombra’, por exemplo, ela fala de questões existenciais relacionadas, sobretudo, ao mundo feminino”, afirma Altberg. “Ela foi um mulher muito espiritualizada e acho que encontrou na arte uma forma de lidar com todo o lado inexplicável da vida”, acrescenta o cineasta carioca.

O diretor mineiro Ernane Alves conviveu com Helena nos últimos cinco anos e frisa que ela também deixa um legado relevante para se pensar, especialmente, na temática da emancipação feminina. “Ela escreveu um livro em 1968, mas que saiu apenas em 1974, ‘Clareza 5”, que é uma obra vanguardista e atemporal. Quando eu li, me chamou atenção a visão feminina sobre o homem. Ela trata bastante das relações interpessoais e o seu olhar me fez ficar fascinado pela obra dela”, diz Alves.

Ao longo desse período, ele gravou, de 2011 em diante, várias entrevistas com Helena feitas no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em São Paulo. O material de quase 40 horas vai gerar um filme a ser lançado em 2016 sobre a vida e a obra de Helena. “Nós estamos agora filmando a segunda parte do projeto que será algo entre o documentário e a ficção. Já gravamos inclusive algumas cenas com Bruno Gagliasso, Deborah Secco e Sandy Leah”, afirma.

Mestre em literatura, Fátima Péres, em 2009, entrevistou a autora cuja obra ainda é pouco lida. “Todos lembravam dela como a única irmã de Tom Jobim, mas quase ninguém a conhecia como escritora. Lembro que a entrevista gerou uma surpresa boa na época. Ela já tinha 11 títulos publicados e produziu uma literatura de altíssima qualidade”, conclui Péres.

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