Recuperar Senha
Fechar
Entrar

“Arranha-Céu: Coragem sem Limite”

Inferno na torre made for China

Longa é “Sessão da Tarde” divertida com “The Rock”

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
0
Casal vivido por Neve Campbell e Dwayne Johnson dá vida ao filme
PUBLICADO EM 12/07/18 - 03h00

Escolher o que se quer em um filme é como escolher os ingredientes de uma pizza de acordo com seu apetite num determinado dia. Se o que você procura é lógica e originalidade, por exemplo, “Arranha-Céu: Coragem sem Limite” vai te deixar bem subnutrido. Agora, se o que você deseja é Dwayne “The Rock” Johnson pulando de uma grua a quase 2.000 m de altura e/ou escalando o prédio do título usando apenas fita adesiva nas mãos, vai cair de boca.

Porque o filme, que estreia nesta quinta-feira (12), é daqueles em que o roteiro pouco importa. Ele é uma mera desculpa mal-ajambrada para sequências de ação mirabolantes, absurdamente imaginadas e executadas para deixar o espectador na ponta da poltrona. Uma montanha-russa 3D, 100% contraindicada para quem sofre de vertigem.

Enredo. O longa acompanha Will Sawyer (Johnson), ex-policial que passa a viver com uma perna mecânica após uma missão malsucedida. Ele é contratado como assessor de segurança do Pérola, um arranha-céu de 2.000 m em Hong Kong que pretende ser o prédio mais alto do mundo. Só que, no dia de sua inspeção final, o edifício sofre um ataque que o deixa em chamas, com a esposa do protagonista, Sarah (Neve Campbell), e seus dois filhos presos lá dentro.

Considerando que Sawyer afirma que o sistema de segurança do prédio é impenetrável e, cinco minutos depois, ele é tomado e desmantelado por criminosos, é justo dizer que o protagonista não é muito bom em seu trabalho. No que ele é bom, na verdade, é em pensar nas formas mais insanas, desnecessariamente arriscadas – e divertidas – de penetrar no Pérola, confrontar os bandidos e resgatar sua família.

Essa é a lógica de “Arranha-Céu”: menos cérebro, mais músculos; menos QI, mais adrenalina. O filme é uma mistura da premissa de “Duro de Matar” com o espetáculo “decadence avec arrogance” de “Titanic”, só que com um diretor bem menos experiente e competente no comando. Responsável por comédias como “Com a Bola Toda” e “Família do Bagulho”, Rawson Marshall Thurber não chega a fazer feio, mas não parece capaz de explorar todo o potencial de seu filme. 

O belo design de produção de Jim Bissell (“Suburbicon”) e a direção de fotografia do oscarizado Robert Elswit (“Sangue Negro”) sugerem as muitas possibilidades visuais e narrativas da premissa, mas “Arranha-Céu” nunca se mostra interessado em ser mais que um filme de “Sessão da Tarde” mediano e divertido – o que fica claro no clímax, em uma espécie de salão de espelhos virtual, que poderia ser bem mais do que é. Não é por acaso que a trama se passa na China, e boa parte dos personagens e diálogos são em chinês – já que o mercado do país se tornou mais importante que o norte-americano para esses espetáculos enlatados de Hollywood.

“Arranha-Céu”, no entanto, não é um filme totalmente desprovido de vida ou carisma graças aos protagonistas. A sempre competente Neve Campbell mostra que aprendeu bem a sobreviver depois de três filmes da franquia “Pânico”, com uma personagem que faz muito mais do que esperar o marido salvar o mundo.

Mas o longa é, sem dúvida, um veículo para Johnson. Para além do espetáculo, o roteiro é uma história de sistemas comprometidos que precisam ser reinicializados para voltar a funcionar – e essa é a descrição de Will Sawyer, homem literalmente quebrado que volta à ativa para salvar a família. Mas mesmo que o filme chegue a tirar uma de suas pernas para aumentar a tensão e o desafio do protagonista, o público nunca duvida de que Sawyer vai sobreviver às inverossímeis proezas – e também nunca deixa de torcer por ele. Porque se falta verossimilhança, sobra carisma. E essa é a receita do longa. 

O que achou deste artigo?
Fechar

“Arranha-Céu: Coragem sem Limite”

Inferno na torre made for China
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter