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Leque de encontros musicais

Jane Duboc coloca na praça CD de duetos e com a presença de músicos como Toquinho, Fábio Jr. e Oswaldo Montenegro

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Jane Duboc
Jane Duboc lançou seu primeiro LP em 1980
PUBLICADO EM 18/03/18 - 03h00

Jane Duboc, 67, desmente as prováveis distâncias entre os Estados Unidos e Belém do Pará. Nos dois lugares onde viveu, a trilha sonora particular da cantora se repetia. “Quando fui morar no exterior, eu só ouvia Milton (Nascimento), Beto Guedes, Flávio Venturini. O Fernando Brant foi meu grande amigo, tenho paixão por todos eles”, rememora. “A primeira vez que escutei ‘Manuel, O Audaz’ entendi tudo na hora, porque lá em casa também tinha um jipe amarelo, e a música falava da mesma coisa. Ali, decidi que, quando fosse gravar o disco da minha vida, ela estaria presente. Não só a gravei no meu primeiro LP (“Languidez”, 1980) como quem tocou o violão foi o Toninho Horta”, orgulha-se a intérprete.

No disco que a cantora acaba de colocar na praça, o 23º de estúdio, a relação com Minas Gerais retorna. É com “Clube da Esquina 2” que ela dá início a “Duetos”. O título, auto-explicativo, se justifica nas 11 faixas do álbum, já que em cada uma delas convidados são chamados à baila para dividir o cenário com a anfitriã. No caso da canção de Milton em parceria com os irmãos Márcio e Lô Borges, Jane é acompanhada pelo grupo Roupa Nova. Em “Janela de um Trem”, Toquinho é o escolhido, para quem, inclusive, a música foi composta.

“Nos conhecemos há tanto tempo. Lembro de quando a gente viajava pela Itália de trem, pra cima e pra baixo, e fiz essa canção pra ele. Depois ainda escrevemos um musical para crianças, sobre ecologia, chamado ‘Surfista da Pororoca’. Temos muitas histórias juntos”, sublinha Jane, que estende esse sentimento para o conjunto da nova obra. “Esse disco é uma celebração das amizades que a gente faz na música, estamos sempre dividindo van, avião, camarim, restaurante, e isso gera uma irmandade. Se isso desabrocha numa canção que toca o coração da gente é o que de mais bonito podemos ter na vida”, afiança a cantora.

Além dos citados, também participam da festa Roberto Menescal, Oswaldo Montenegro, Celso Fonseca, Marina Elali e Claudio Damatta. A ala internacional traz as vozes da panamenha Erika Ender, co-autora do hit “Despacito”, e da italiana Mafalda Minnozi, em “Cotidiano de um Casal Feliz” e “Fruto de Estação”, respectivamente. Pai e filha, Egberto e Bianca Gismonti abrilhantam “The Angel”, interpretada em inglês. A união umbilical se repete em “Voz” (Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro), quando Jane divide a cena com o filho Jay Vaquer. “Foi muito emocionante, quando tem aquela parte ‘abençoada voz no ser que canta/ é feito voz de mãe/ só faz carinho/ e mãe cantar pra filho/ é coisa santa’, eu comecei a chorar, foi punk”, confessa. Outro convidado de luxo é Fábio Jr. “Vi a Cléo Pires nascer, somos muito próximos”.

FOTO: reprodução da capa/divulgação
duetos
“Duetos”, 23º CD de estúdio da cantora paraense Jane Duboc traz as participações de Oswaldo Montenegro, Roberto Menescal, Jay Vaquer e outros, em 11 faixas

Cantora fala sobre ser mulher e critica atrações musicais

Jane Duboc queria ser psiquiatra quando adolescente, mas a música a levou para outros caminhos, do que ela não reclama, muito pelo contrário. “A arte tem uma função bonita, é uma sorte poder tocar alguém e modificar a dureza da vida”, constata. Apesar disso, ela admite que nem tudo foram flores nesse caminhar, e a condição feminina, cada vez mais debatida, trouxe seus desafios.

“Ser mulher é mais difícil, meu pai e minha mãe diziam que eu poderia ser o que quisesse, até prostituta, contanto que estivesse feliz. O assédio sexual sempre existiu, desde que eu era jovem, mas soube me esquivar dessas situações de forma elegante para mim”, informa. “Nunca reclamei de ser mulher porque a gente acaba conseguindo o que quer, é só ir em frente”, completa a intérprete que, além de compor várias das canções de seu novo disco também toca piano, violão e canta.

O ofício, aliás, é outro ponto de discussão que Jane levanta, ao comparar os festivais dos quais participava nos anos 70 com as atrações musicais do momento, como o “The Voice”, da Rede Globo. “Tem essa imitação do modelo norte-americano, e aquela coisa de um chorar pra cá, o outro cair ali. Eu participei de várias competições na vida e nunca tive namorando roendo a unha na plateia, essa apelação idiota de sofrer porque perdeu. Somos profissionais. Imagina um médico realizando uma cirurgia, e a mãe chorando do lado”, critica.

No entanto, ela também vê motivos para ficar otimista com a cena atual. “Tem gente talentosa para todos os lados do Brasil, de norte a sul. O Dani Black é um baita compositor”, cita.

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