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Cia. Fusion

No compasso das ruas

Leandro Belilo constrói sólida trajetória na cena da dança urbana de BH

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Intuitiva. Artista acredita na força de uma formação ampla e diversa
PUBLICADO EM 11/07/18 - 03h00

Ainda jovem e sem prever que viria se tornar um dos principais expoentes da efervescente cena da dança urbana de Belo Horizonte, o coreógrafo e dançarino Leandro Belilo, da Cia. Fusion, trabalhava duro para pagar os cursos de dança que fazia. “A gente ia para São Paulo para fazer os cursos, gastava o salário todo e ficava comendo Miojo porque a grana era curta”, relembra.

A Cia. Fusion surgiu, em 2002, como um grupo amador de danças urbanas, e, como as competições eram nos fins de semana, Belilo, que trabalhava numa farmácia, não pensava duas vezes antes de deixar alguém trabalhando em seu lugar para ir encontrar sua vocação para a dança.

Ele cresceu rodeado por irmãos e amigos que dançavam e que tornaram a dança parte de sua vida desde cedo. Seguindo a tradição dos artistas de rua, seus ensinamentos foram acumulados ao longo dos anos, na prática de sempre dançar e buscar suas referências de maneira intuitiva. “Os integrantes da Fusion entenderam que existia uma técnica específica para dançar, e partimos em busca dos mestres. O que é interessante na cultura de rua é que é algo recente e que os mestres estão vivos. Então, pude fazer aula com Frank Ejara, Edson Guiu e Ralph Willian”, relembra Belilo.

Com trabalhos premiados, a Cia. Fusion mantém seus espetáculos (“Pai contra Mãe”, “Quando Efé”, “Meráki”, “Matéria Prima” e “Som”) em repertório e tem conseguido ter entrada em lugares pouco comuns até então no contexto das danças urbanas da cidade. “Gostamos de nos desafiar o tempo todo, não gostamos de cair no conforto. Para não estacionar, o importante é trazer desafios para testar nossos limites. A partir disso, a gente começa a acessar outros lugares, que não são acessados pela dança de rua; o próprio teatro não é um espaço comum para a dança de rua”, assinala Belilo.

O coletivo circulou Brasil afora com “Pai contra Mãe” e, em 2017, fez sua primeira turnê pela Europa, passando por França, Espanha e Bélgica. Além disso, desde 2011, o coletivo administra o Cafuá (Casa Fusion de Arte), no bairro Carlos Prates, região noroeste da capital, com oficinas de danças urbanas, dancehall, house dance, vogue, street jazz, hip hop dance e ritmos africanos. “Precisamos de representantes do lugar de onde viemos. Grupos como o nosso, quando acessam outros espaços, precisam contar essa história. Não adianta chegar para fazer mais do mesmo. Mas não gostamos de chegar chutando a porta. A gente entra e quando já está lá dentro, dá o recado. É um jogo que temos que saber jogar, porque, se nossa postura é muito agressiva, continuamos falando sempre para as mesmas pessoas”, destaca Belilo. 

Força. Leandro Belilo ressalta o contexto no qual Cia. Fusion se insere na atualidade e a força dos movimentos artísticos urbanos de Belo Horizonte. “Temos uma das melhores cenas do país. Chegamos com força para acessar espaços”, diz Belilo, citando alguns movimentos irmãos, como o Duelo de MCs, organizado pela Família de Rua e o Palco Hip Hop.

 

Grupo estreia a 1º peça infantil

O novo trabalho da Cia. Fusion, “Mexerica”, está prestes a estrear e vem ao encontro da constatação de que a dança consegue criar uma empatia com o público infantil que se dá pelo movimento. “Mesmo que nossos trabalhos sejam pensados para adultos, eu percebo uma grande quantidade de crianças na plateia. Existe uma força da dança por si, pelo poder do movimento”, comenta Leandro Belilo, diretor da peça. 

A estreia no universo infantil da Cia. Fusion traz Mexerica, uma gata dançante, curiosa e ressabiada, que, junto com sua amiga Sardinha, vai conhecer um mundo novo em que cachorros e gatos do hip hop, um pássaro b-boy (dançarino) e uma coelhinha surda ensinam que conviver com as diferenças pode ser divertido e enriquecedor. “Esse trabalho é um desafio pensado para o público infantil. A ideia do espetáculo surgiu desses bichinhos de pelúcia, os cabeçudos que ficam pela cidade. Eu sempre quis fazer algo ou me vestir como um deles. Amadurecemos a ideia a partir daí”, comenta.

Agenda

O quê. “Mexerica”

Quando. De 12 a 29 de julho, quintas e sextas, às 16h; sábado e domingo, às 11h e 16h

Onde. CCBB (Circuito Liberdade, 450, Funcionários)

Quanto. R$ 20 e R$ 10 (meia)

Informações

Mais sobre a trajetória da Fusion e o Centro Fusion de Arte (Cafuá): www.ciafusion.com.br 

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