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O feminino que há em todos

Festival chega a Belo Horizonte promovendo encontros entre Iza, Fernanda Abreu, Maria Gadú, Filipe Catto e outros

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iza
PUBLICADO EM 17/05/18 - 03h00

O Brasil vivia sob o jugo de uma ditadura quando Baby do Brasil (ainda Consuelo) e Pepeu Gomes uniram dois temas em voga nos dias atuais. “Masculino e Feminino”, lançada em 1983, alinhava gênero e religião para tratar sobre liberdade. “Ser um homem feminino/ Não fere o meu lado masculino/ Se Deus é menina e menino/ Sou masculino e feminino”, cantava Pepeu, com os cabelos longos que ostenta até hoje. Os mesmos cabelos nos ombros mantidos por Filipe Catto. O gaúcho é uma das atrações do festival Feminino, em cartaz na capital mineira de sexta a domingo. E nisso não há nenhuma contradição, como afiança Débora Ribeiro, idealizadora da iniciativa ao lado de Dani Godoy. 

“Somos duas mulheres que encampam esse projeto, logo estamos no topo dessa discussão a que o país tem assistido e que muito nos angustia. A ideia surgiu do nosso desejo e inquietação de agregar outros elementos para esse debate sobre o feminismo. A energia do feminino está em todos os seres, inclusive nos homens. Se todos reconhecessem essa energia, haveria mais respeito e avanços, é essa a nossa tentativa”, delineia Débora. Ela e Dani são fundadoras do coletivo Ninas, responsável pela empreitada que passou por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, quando Elza Soares e Pitty prestaram tributo à vereadora Marielle Franco, que havia sido assassinada naquela semana de março. 

Em Belo Horizonte, Catto recebe Maria Gadú. “Essa pauta do feminino, com tudo o que ela abrange e todos os atributos que envolve, é urgente. A gente precisa deixar a antena cada vez mais sintonizada em tudo o que ela representa, na relação com a beleza, a natureza, a fertilidade, a prosperidade que vem da terra e o cuidado com o outro”, afirma Catto. A dupla promete um repertório baseado no mais recente espetáculo do intérprete, que não por acaso tem o nome de “O Nascimento de Vênus”, homônimo da histórica pintura de Botticelli, datada de 1483. “Vamos cantar sobre o despertar, a semente, a flor que nasce de dentro da gente, as possibilidades e o intangível. Eu acho que esses são valores que Vênus traz. Na astrologia ela é o planeta do amor e a representação do feminino”, explica o cantor. “Eu e Maria (Gadú) estaremos lá celebrando a nossa feminilidade, a nossa androginia e a nossa integração com o mundo”, complementa.

Gerações. Fernanda Abreu tinha recém-completados 21 anos quando, acompanhada de Márcia Bulcão, já chamava atenção graças à irreverência que pautava as duas backing vocals da Blitz. Precursora da música pop no país, a partir de sua incursão na carreira solo, com o álbum “SLA Radical Dance Disco Club” (1990), ela abre alas no sábado para Iza, que acaba de lançar o seu primeiro disco e tem mantido a escrita iniciada por Fernanda há décadas, ao assumir o feminismo e falar abertamente sobre o prazer sexual em suas canções.

“Para mim, o feminismo é um dos movimentos mais potentes e importantes que estamos vivendo, não apenas no Brasil, mas no mundo. Acredito que seja o início de uma nova construção de sociedade, onde a mulher está no centro do processo dessa transformação”, garante Fernanda. Mãe de duas meninas, ela estende esse entendimento para além da arte. “Começa já na maneira como educamos nossos filhos, e a música, uma expressão tão popular e amada pelos brasileiros, pode reverberar e traduzir esse sentimento”, observa a carioca. 

Também no domingo haverá uma interseção entre gerações. Com trabalhos recém-lançados, as paulistas Badi Assad e Tiê vão unir forças para reforçar o discurso. Badi costura as linhas desse novo mundo que pretende ajudar a construir. “O feminino, intimamente associado a receptividade, nutrição e recolhimento, perdeu espaço para o masculino, que projeta-se em direção ao exterior, pela ação e confrontação, nos conduzindo naturalmente a uma inflação do ego”, considera. “Tudo que nos faça acordar para a recuperação do feminino, inclusive perdido na própria mulher, é positivo, para atingirmos este equilíbrio e termos um mundo mais saudável e em harmonia”, declara Badi. Tiê conclui: “Precisamos de cada vez mais iniciativas que levantem e valorizem a bandeira do feminino”. (Com Patrícia Cassese)

Agenda

O quê. Festival Feminino apresenta Filipe Catto com Maria Gadú (sexta); Fernanda Abreu com Iza (sábado); e Badi Assad com Tiê (domingo)

Quando. De sexta (18) a domingo (20), às 20h30

Onde. CCBB (praça da Liberdade, 450)

Quanto. R$ 20 (inteira)

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