Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Literatura

O jeito direto e simples de escrever de Afonso Borges

Idealizador de Sempre um Papo lança livro de contos “Olhos de Carvão” nesta segunda-feira

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
Afonso Borges
Borges colaborou com os livros “Chatô: O Rei do Brasil” e “O Desatino da Rapaziada: Jornalistas e Escritores em Minas Gerais”
PUBLICADO EM 17/06/17 - 03h00

Em “Olhos de Carvão”, o gestor cultural e escritor Afonso Borges segue, pela primeira vez, o caminho dos contos – ele é autor de outros quatro livros de poemas e um infantil. Apesar de ser terreno novo para o idealizador do Sempre um Papo, Borges parece estar experimentado no estilo literário, já que a leitura do livro se dá de forma fluida e direta. “Para ser claro tem que escrever como se fala”, banca o escritor. O livro será lançado na próxima segunda-feira, dia 19, no Mercado Distrital do Cruzeiro.

Apesar de uma leitura dinâmica, a estrutura dos contos não é tão simples. À primeira vista, o leitor pode não entender o motivo de o enredo mudar completamente entre um parágrafo e outro. “Cada conto tem duas histórias. Um parágrafo de uma, e, no seguinte, outra. Quando o leitor entende a estrutura, o cérebro passa a funcionar melhor. Ao escrever, proponho um pacto com o leitor. Se o que se escreve é verdadeiro, o leitor topa. Mas se for fantasioso, ele topa se quiser”, argumenta Borges.

Para se inspirar, o escritor bebeu na fonte do conto “A Terceira Margem do Rio”, clássico do mineiro João Guimarães Rosa que ele aprecia. “Aprendi com Guimarães que literatura é ação. A cada página que leio tenho que tomar fôlego. Tem muita ação para sintetizar a história toda”, comenta, destacando que também se inspirou no autor belo-horizontino Wander Piroli.

Enredo. Os contos de Afonso Borges não têm um assunto único. Pelo contrário: o autor diz ter se inspirado em fatos de sua vida dos mais corriqueiros aos mais inusitados – como normalmente são os contos. “Escrevo coisas que variam entre o real e a ficção, 90% das coisas aconteceram comigo ou me foram contadas. São histórias que ouvi e tive o desejo de escrever. Curiosamente, assim é a vida. Vivemos numa simultaneidade tremenda”, acredita.

Em “Cova Rasa, o Delegado e o 32 Cano Longo”, por exemplo, o autor mescla a história de uma emboscada pela qual passou quando tinha 16 anos, na cidade Marilac, na região do Rio Doce, com a do clima tenso em uma redação às vésperas da possível demissão de um repórter. “Também conto sobre a viagem que fiz à Capadócia, falo sobre a minha experiência como repórter policial, escrevo sobre uma mãe que fez uma cirurgia plástica no rosto e não foi reconhecida pelos filhos... O interessante é que escrevo de forma jornalística com ritmo de poesia”, diz Borges.

A reunião desses diversos contos resultou na obra. Inicialmente, Borges não tinha a intenção de publicar um livro de contos. “Tudo foi completamente natural. O frei Beto me disse que as histórias são tão boas que renderiam um livro ainda maior”, pontua.

Ele ainda avalia que com “Olhos de Carvão” conseguiu encontrar seu estilo próprio de escrever. “Talvez por isso eu não tenha sentido a necessidade de comunicar nada antes. Passei a minha vida toda escrevendo, mas só me convenci que valeria a pena ser publicado agora. Uma editora me pediu para fazer uma antologia dos meus quatro livros de poemas, mas só consegui reunir três poemas até agora. Como fazer um livro com isso?”, questiona.

Título. O nome do livro “Olhos de Carvão” é inspirado no conto “Na Divisa, os Olhos de Carvão em Celeste”. A história que inspira a obra é um tanto quanto inusitada. “Quando eu tinha entre 16 e 17 anos, estava assistindo à missa na igreja São José. O lugar estava lotado! Quando finalmente consegui me sentar, olhei para a direita e vi uma pessoa com a cabeça virada para trás olhando para mim com olhos de carvão, olhos do demônio. Lembro nitidamente. Então, comecei a correr e estou correndo disso até hoje”, brinca o autor.

O escritor acredita que esse templo, aliás, esteja envolvido em uma mística muito forte. “A igreja tem toda uma magia. Ela foi construída pelos redentoristas, da Ordem dos Templários, eles quem faziam os exorcismos. Os dois lados da igreja têm signos do zodíaco, e no púlpito há quatro elementos da magia”, afirma Borges, em tom misterioso.

Influência. À frente do projeto Sempre um Papo – evento de lançamento de obras literárias com participação dos autores – há 31 anos, Borges diz que a convivência com escritores de todo o Brasil foi fundamental na construção dessa obra. “Meu grande patrimônio são meus amigos. Conheço as histórias dos livros e também as histórias dos autores. Também tenho uma convivência com a literatura efetivamente desde os meus 15 anos. É muita coisa para o meu cérebro”, comenta.

Mas, apesar de a relação com a literatura fazer parte de seu cotidiano, Borges se diz ansioso pelo lançamento do próprio livro. “Depois de 31 anos fazendo lançamento de livros dos outros, eu nunca suspeitei que ficaria tão nervoso. Estou imaginando como se fosse um estreante”, diz.


Agenda

O quê. Lançamento do livro “Olhos de Carvão”, de Afonso Borges

Quando. Segunda-feira, dia 19, às 19h

Onde. Mercado Distrital do Cruzeiro (rua Ouro Fino, 452, Cruzeiro)

Quanto. Entrada gratuita. O livro será vendido no local por R$ 29,90

O que achou deste artigo?
Fechar

Literatura

O jeito direto e simples de escrever de Afonso Borges
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter