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Crítica

'O Nome da Morte' é um retrato da violência no país

Assim como em 'Jean Charles', Henrique Goldman adaptou para o cinema mais uma história real

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Marco Pigossi, que interpreta o pistoleiro Júlio, se destaca no longa
PUBLICADO EM 02/08/18 - 03h00

Assim como em “Jean Charles” – longa lançado em 2009 que conta a história do eletricista mineiro morto em Londres –, o diretor Henrique Goldman escolheu adaptar para o cinema mais uma história real. Desta vez, a opção foi a saga de Júlio Santana, um homem que virou assassino de aluguel, matou 492 pessoas e passou apenas uma noite preso. Uma boa escolha do diretor, que se inspirou no livro-reportagem homônimo do jornalista Klester Cavalcanti, que acompanhou o processo de gravação do longa-metragem.

A produção mostra o tino do cinema nacional não apenas para produzir comédias. “O Nome da Morte” traz um bom roteiro – assinado por George Moura, coautor de produções da Globo como “Onde Nascem os Fortes” (2018) e “Amores Roubados” (2014) – e belas imagens, além de um elenco bem afiado e em sintonia, principalmente nas cenas mais áridas – que não são poucas.

Marco Pigossi, em sua estreia no cinema, surpreende com sua atuação ao deixar sua zona de conforto para dar vida a esse anti-herói da vida real. Seu envolvimento e mergulho na vida do personagem conquistou até o autor do livro – durante a coletiva de lançamento do filme, Cavalcanti revelou que teve receio quando soube que Pigossi havia sido escolhido para viver o protagonista da história, mas que mudou de opinião após ver o produto final. Pigossi conseguiu mostrar as oscilações desse homem denso e contraditório. 

E a dobradinha com Fabiula Nascimento, que interpreta Maria – mulher de Júlio –, mostra o quanto a escolha dos dois artistas foi acertada. A atriz confirma ser um dos grandes talentos brasileiros e protagonizou cenas fortes e impactantes dessa personagem, que poderia ser odiada por fechar os olhos para a maneira como o marido sustenta a família.

O filme retrata a brutalidade desse pistoleiro, que se esconde atrás de uma farda policial, mesmo não sendo um, para acobertar seus crimes. Ele é incorporado nesse coronelismo, prática ainda tão comum no Brasil, de “eliminar” pessoas que são desavenças. 

Ao mesmo tempo, faz refletir sobre nossa sociedade, a falta de educação e cultura e, consequentemente, a falta de perspectiva das pessoas que acabam sendo influenciadas por outras – no caso de Júlio, pelo tio Cícero, vivido por André Mattos, que o tira da casa dos pais com a promessa de conseguir colocá-lo na polícia –, grupos ou instituições.

“O Nome da Morte” é uma crítica à violência presente na nossa sociedade. A história se passa no interior de Tocantins, mas poderia muito bem ser em qualquer região do Brasil. É um filme atual que mostra o quanto somos acostumados a aceitar e conviver com certas situações, transformando tragédias em cotidiano.

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