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O percurso de Oscar Araripe

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PUBLICADO EM 01/11/11 - 17h39

Embora esteja há mais de duas décadas na cidade de Tiradentes, o pintor autodidata e escritor Oscar Araripe nasceu no Rio de Janeiro dos anos 1940. Naquela época, viveu uma infância lúdica, marcada pelo colorido das pipas, e ao mesmo tempo, muito próxima das necessidades das pessoas comuns que moravam no bairro da Tijuca.

Anos mais tarde, tais lembranças não só sobrevivem na sua memória como também motivam algumas reflexões sobre a origem das suas pinturas. Boa parte dessas memórias deságuam agora no livro "Oscar Araripe", que ele lança a partir de sexta em Ouro Preto. A obra reúne cerca
de 330 telas representativas de duas fases do seu trabalho artístico. Uma delas é inédita e pouco conhecida.

Articulada em torno de três eixos, a edição abarca as dimensões da vida e da obra do artista. A partir da primeira seção, intitulada "Cronologia Inacabada", são recordados os principais momentos da trajetória multifacetada de Araripe. As duas seguintes, "Flores" e "Pilares", trazem reproduções de pinturas acompanhadas de trechos de textos assinados por ele e traduzidos também para o inglês por Robert Ballantyne.

"Essa cronologia inacabada dá sentido à minha vida de pintor. Parte de uma pergunta que eu me mesmo já me fiz: por que eu sou pintor? Não sei, tenho a impressão de que eu sempre fui pintor, porém antes eu não sabia ou não podia", reflete ele, que deu maior vazão à pintura como resposta à repressão sofrida no período do regime de ditadura ainda quando era estudante de direito nos anos 1960, no Rio de Janeiro.

Araripe lembra que, após o lançamento do seu elogiado ensaio "China, o Pragmatismo Possível" (1974) várias portas se fecharam, o que o impulsionou a migrar para a remota cidade de Mirantão, no interior de Minas Gerais.

"Fui para o meio do mato, onde morei em uma casa pequena, sem eletricidade, por 13 anos. Ali eu me tornei apicultor, enquanto desenvolvia a pintura. Assim eu reinventei uma vida, para que eu não precisasse mais pedir emprego. Fui para onde não pudesse ouvir não, e a pintura, aos poucos, me deu tudo isso. Ela me deu a liberdade pela qual eu lutei a vida inteira", diz.

Além dos dados biográficos, o livro destaca as pinturas criadas por ele ao longo de vários períodos. São apresentadas as figuras de flores e jarros por meio das quais ele se tornou muito conhecido tanto pela criatividade de cores e pinceladas, quanto pelo uso pioneiro do tecido da vela náutica como tela.

Chama a atenção também as composições reunidas na série "Pilares" que, apesar de terem sido produzidas na década de 1980, são ainda inéditas ao grande público. Araripe conta que o fato desse acervo não ter sido mostrado em grande escala se deve à sua grande quantidade, em torno de 1.200 imagens.

"Mostrar cem imagens sequenciais já é algo complicado, imagine apresentar 1.200, que eu divido em dez grupos. Porém, hoje, a gente já pensa em realizar uma edição especial para tablet para que as pessoas possam acessar essas imagens como um flip book", antecipa ele.

Agenda

O quê. Lançamento do livro "Oscar Araripe"
Quando. Sexta, às 19h30, em Ouro Preto
Onde. Prédio anexo ao Museu da Inconfidência (praça. Tiradentes, s/n, Ouro Preto)
Quanto. Entrada franca

 

 

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