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Artes cênicas

Paixão embalada por canções

'L, O Musical', protagonizado por Elisa Lucinda e Ellen Oléria, celebra o amor entre duas mulheres e estreia no dia 15

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Relações. Além de centrar-se nos personagens de Elisa e Ellen, espetáculo contempla outras memórias afetivas
PUBLICADO EM 13/03/18 - 03h00

O enlace amoroso entre duas mulheres ainda é visto como um tabu por grande parte da sociedade, haja vista a abordagem ainda discreta dessa relação em produções, como as telenovelas nacionais. A fim de mudar esse quadro, o espetáculo “L, O Musical”, que estreia nesta quinta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, abre espaço para Ester Rios e Rute, interpretadas respectivamente por Elisa Lucinda e Ellen Oléria, protagonizarem sua história de amor.

Concebida por Sérgio Maggio, a peça, de acordo com ele, busca contornar uma lacuna existente também nos palcos. Afinal, ele lembra que a última grande montagem a contemplar esse tema foi “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, baseada em texto do alemão Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), e que reuniu as atrizes Fernanda Montenegro, Renata Sorrah, Rosita Thomas Lopes e Juliana Carneiro de Cunha em 1982.

A partir dessa constatação, ele visualizou a oportunidade de propor um projeto inteiramente brasileiro, ancorado nas canções compostas ou consagradas nas vozes de cantoras nacionais que são ícones para as mulheres lésbicas. “Essas cantoras exercem uma representatividade muito grande para esse público. Desde adolescente, eu convivo com mulheres lésbicas e sabia dessa cena”, pontua Maggio.

Quando começou a escrever o roteiro, ele logo visualizou a oportunidade de aliar humor e política. “O trabalho desde o início apoiou-se no objetivo de ser um entretenimento sem deixar de ser político. Eu queria que o espetáculo fosse leve, divertido, mas capaz de abordar a condição da mulher lésbica contemporânea. A ideia também era fazer com que os heterossexuais e os homens gays também pudessem pensar um pouco nas especificidades da mulher lésbica. E acho que nós chegamos em um lugar muito poderoso por meio de nossas escolhas”, comenta ele.

Construção. Ester Rios, personagem vivida por Elisa, é uma consagrada dramaturga que comemora o sucesso de seu primeiro folhetim centrado no triângulo amoroso entre mulheres. Nesse momento, ela recorda de Rute, uma atriz, representada por Ellen, que foi o grande amor de sua vida. Elisa conta que Maggio não chegou com todas as cenas completamente fechadas, permitindo a elas também interferir no processo criativo.

“Há cenas inteiras que nós sugerimos. Houve uma, por exemplo, que ensaiamos juntas e depois levamos ao Sérgio, e ele achou linda. Ellen é a única lésbica da equipe, então ela nos atualizava de vários aspectos, porque, de fato, é quem detém o lugar de fala dessa experiência”, relata Elisa.

Cantora e vencedora da primeira edição do “The Voice Brasil”, em 2012, Ellen ressalta que “L, O Musical” vai além do envolvimento entre Ester e Rute, permeando toda uma “teia de relações que são estabelecidas e rompidas o tempo todo”. Para tanto, as músicas de nomes como Simone, Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Mart’nália, Maria Gadú, Angela Ro Ro e Maria Bethânia figuram como pontos de conexão.

“Nós atravessamos a vida de mais personagens, e isso é muito especial porque podemos falar de amor a partir de uma memória coletiva. Nós passamos por clássicos que marcaram não só a vida e as relações de mulheres lésbicas, mas as lembranças do povo brasileiro. Nesse ponto conseguimos entender como o amor é universal, independentemente do nosso pertencimento identitário, do nosso gênero e de classe social. O amor é um ponto em comum que nos humaniza e nos aproxima”, observa Ellen.

O espetáculo também marca o retorno de Ellen ao teatro, após 12 anos afastada dos palcos.

“Eu já tinha esquecido como eu gostava de fazer teatro e como atuar é apaixonante e envolvente. Para mim tem sido muito especial receber o feedback do público, e, principalmente, o convite de Sérgio, que chegou com uma ideia, mas não tinha elaborado o texto completamente. E quando disse que eu estaria com Elisa Lucinda, isso me encantou ainda mais. Nós não sabíamos para que lado iríamos em termos de dramaturgia, e para mim, enquanto mulher lésbica, essa também tem sido uma oportunidade de contar um pouco das nossas histórias”, conclui ela.

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