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Revisitando a disco music

Impulsionado por “Get Lucky”, hit do verão no hemisfério Norte, duo francês Daft Punk atinge o topo das paradas

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Daft Punk está em alta, com uma pegada setentista de “Random Access Memories”, que agrada a diferent
Daft Punk está em alta, com uma pegada setentista de “Random Access Memories”, que agrada a diferentes gerações
PUBLICADO EM 03/06/13 - 03h00

Nova York, EUA. Os alunos que participam do musical deste ano da Escola do Futuro em Manhattan estavam fazendo hora no auditório antes de uma apresentação, um dia desses, quando um estudante do último ano ligou seu telefone ao sistema de som e tocou uma música nova que havia encontrado na internet. A batida era anos 1970 puro – vocais suaves, um riff de guitarra sincopado sobre um groove de bateria e baixo.


Os adolescentes, que nasceram duas décadas depois da morte da onda disco, começaram a se mexer com aquele som. “Todo mundo acompanhou. Você meio que é absorvido para dentro dele. Tem uma pegada meio familiar nele”, lembra Sora Suzuki, 16.

A música era “Get Lucky”, do Daft Punk, um retorno à disco music da dupla francesa conhecida por suas fantasias bregas de robô, vocais metálicos e batidas computadorizadas. Desde seu lançamento, em 19 de abril, a música rapidamente subiu para o 4º lugar no quadro de singles da Billboard, tornando-a uma candidata precoce a se tornar a música do verão no hemisfério Norte.
É o primeiro sucesso dos músicos Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo que chega ao Top 10, e impulsionou sua marca registrada de dance music sci-fi para uma audiência mais ampla, chegando a catapultar seu quarto álbum de estúdio, “Random Access Memories”, ao topo da lista de álbuns da “Billboard”. O trabalho, o primeiro do Daft Punk desde 2010, já vendeu 339 mil cópias desde seu lançamento na última semana, colocando o grupo no nível de outros mais conhecidos, como Pink e Dave Matthews.

Os programadores de rádio afirmam que “Get Lucky” reforça uma tendência das Top 40 de sucessos que imitam o som do disco e do R&B da década de 1970, dentre elas, “Suit Me”, de Justin Timberlake, e “Blurred Lines”, de Robin Thicke. Além disso, a música está ganhando abrangência e gerando pedidos de ouvintes de diversos formatos de rádios – Top 40, hip hop, alternativas e até estações em língua espanhola – com sua mensagem atemporal e arrebatadora sobre encontrar uma alma gêmea – ou, pelo menos, um parceiro(a) de cama – em uma balada.

O programador das estações do Clear Channel, Dylan Sprague, conta que colocou a música em rotação em três estações de música dance eletrônica, hip hop e Top 40 e ela se tornou uma das mais pedidas em todos os três formatos. “Parece que essa é a música favorita de todo mundo, não importa quem a pessoa é demograficamente. Ela tem uma letra legal, é fácil de digerir, fácil de cantar junto. Tem uma pegada nostálgica e, ainda assim, soa atual e moderna, meio disco-y e dance-y. Ela funciona em vários formatos”, analisa ele.

Então, como uma música disco se tornou um sucesso com a geração do milênio? Os programadores de rádio notam que as listas de músicas pop estão mais do que nunca orientadas para a dance music desde a década de 1970, uma consequência da crescente popularidade da música dance e eletrônica. Naquele mundo, o Daft Punk teve um público cult e é visto como o progenitor de trabalhos eletrônicos como Skrillex e Deadmau5. Os programadores dizem também que os vocais de Pharrell Williams, cantor e compositor conhecido por seu trabalho com N.E.R.D. e os Neptunes, também ajudou a faixa a conversar com os públicos jovens urbanos e pop.

“Ela tem uma pegada boa para dançar. E tem Pharrell, que dá credibilidade para as rádios Top 40 e urbanas”, conta Aaron Zytle, diretor de programação da KRXP, estação alternativa do Estado do Colorado.

“Get Lucky” é o single mais vendável do Daft Punk de todos os tempos nas Hot 100 da “Billboard”. Suas únicas outras concorrentes foram “Around the World”, em 1997, e “One More Time”, em 2000. Nenhuma das duas chegou ao Top 40, apesar de terem ido bem nas paradas de dance music.

Um elenco só de estrelas da música fizeram a diferença. Nile Rodgers, guitarrista e compositor do Chic, compôs o riff de base e toca a guitarra. Williams fez a voz principal e escreveu a letra. A seção rítmica consiste de Omar Hakim, baterista de jazz que já trabalhou com Madonna e Sting, e o baixista Nathan East, que gravou com Stevie Wonder, Eric Clapton e Phil Collins.

Bangalter e de Homem-Christo, que não quiseram dar entrevista para esta matéria, têm dito à imprensa que começaram a trabalhar no álbum em 2008. O objetivo era partir de sua forma usual de trabalho e recuperar o que eles chamaram de “era dourada” das gravações no fim da década de 1970. Eles abriram mão de tocar as partes eles próprios e de apostar pesado em baterias eletrônicas, nos loops computadorizados e nos samples de músicas de disco e de rock. Em vez disso, recrutaram músicos renomados de estúdio com a técnica para tocar um groove sincopado em um tempo próximo da perfeição por quase dez minutos.

Traduzido por Raquel Sodré

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