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Celebrando 60 anos da bossa nova, Leila Pinheiro se apresenta no projeto Sinfônica Pop

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Palco. Cantora faz em BH duas apresentações
PUBLICADO EM 09/11/18 - 04h00

As placas tectônicas da Terra mais pareciam um chocalho. Sublevações mundo afora mexeram com as estruturas do planeta no ano de 1968. Dez anos antes, uma batida diferente causava uma verdadeira revolução musical – algo que, aliás, foi gestado por João Gilberto durante os meses em que esteve na cidade mineira de Diamantina. Agora, completos 60 anos de bossa nova, a cantora e pianista Leila Pinheiro vem a BH e se junta à Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) no projeto Sinfônica Pop.

Em concertos marcados para sábado (10) e domingo (11), Leila terá seu repertório repaginado para o formato orquestral – algo que, para ela, não é incomum. Entre apresentações recentes, a cantora esteve ao lado da Orquestra Jovem Tom Jobim, Orquestra Jovem Vale de Música, Sinfônica do Theatro da Paz, em Belém, e Orquestra Sinfônica de Jerusalém, em Israel.

“Como pianista, conhecendo a música intimamente, vivo momentos mágicos sempre que nos reunimos. Me envolvo profundamente com os arranjos, peço pra ouvir os ensaios da orquestra com o meu repertório, para que a minha voz de solista possa ‘conversar’ com os arranjos de forma especial”, explica ela.

Reconhecendo a bossa nova como “sempre moderna e sofisticada, matriz do que há de mais belo na música brasileira e mundial”, Leila é só gratidão pelo convite recebido. “O presidente da Fundação Clóvis Salgado, Augusto Nunes-Filho, que gosta e conhece muito o meu trabalho, sugeriu boa parte do repertório. Isso é maravilhoso!”, elogia. Para ela, a produção artística tem sido “impecável”, e Fred Natalino, que escreve a tradicional abertura instrumental, “teve um olhar especial” sobre sua carreira. “Tudo isso é valioso. Estou ansiosa para conhecer e cantar sob a regência do maestro Sérgio Gomes”, completa.

Repertório

O programa do espetáculo traz composições marcantes do movimento, como “Insensatez” (1961) e “Ela É Carioca” (1963), de Vinicius de Moraes, “Por Toda a Minha Vida” (1959) e “Modinha” (1981), de Tom Jobim, além de canções de Flávio Venturini, Eduardo Gudin, Edu Lobo, Chico Buarque e Paulo César Pinheiro. Leila detalha que, junto à produção artística, foram reunidos arranjos já escritos para concertos de que participou, e, além disso, mais canções foram rearranjadas. Dessa maneira, um total de 11 arranjadores assina as peças. “Com certeza isso vai reverberar no show, que vai ficar mais variado”, avalia o maestro Sérgio Gomes.

“A bossa nova nasceu com voz e violão, que são acústicos. Quando a gente inclui a orquestra, continua sendo uma produção acústica. Essa interação é orgânica, acontece de forma espontânea”, avalia o regente. Gomes também elogia a abertura instrumental, que faz um passeio por cinco canções do cardápio musical da convidada. “Ele coloca, em cinco minutos, boa parte do repertório da intérprete”, explica, garantindo que o Sinfônica Pop é sempre surpreendente.

 

“Sempre fui muito feliz em Minas”

Preparando-se para o espetáculo que celebra os 60 anos da bossa nova, Leila Pinheiro vê a oportunidade de reacender sensibilidades para o gênero. “Nasci em 1960 e cresci ouvindo bossa nova. Toda a riqueza harmônica e melódica das canções moldou a artista que sou há quase 40 anos”, lembra a paraense.

Para Leila, o estilo e toda a sua potência precisam ser resgatados. “Longe das rádios e da mídia em geral, a bossa nova precisa ser apresentada às novas gerações, e estes concertos cumprem esta missão. Tenho a maior reverência pelos compositores e artistas que a criaram e vibro quando ela é lembrada e homenageada no Brasil. No Japão, Europa e Estados Unidos, é sagrada. Eu sei bem disso”.

Afago

A proximidade de Leila com a capital mineira é antiga e já rendeu valiosas parcerias. Além dos muitos amigos, a cantora encontra na cidade histórias de sua longa trajetória artística – neste ano, celebra 38 anos dedicados à música. O artista gráfico Guili Seara, por exemplo, foi autor de cinco capas dos 19 CDs da cantora. O gostinho de passar pela cidade é ainda mais especial se sobra tempo para uma passadinha na padaria Bonomi, um dos espaços preferidos dela.

Outro lugar de afeto para ela é o palco em que vai se apresentar: “Sempre fui muito feliz nas Minas Gerais, e as duas noites de concerto no templo que é o Palácio das Artes serão inesquecíveis – tenho convicção”. O apreço pelo Estado se estende também para o Clube da Esquina – que, por sinal, já foi homenageado por Leila, em um concerto com a Orquestra Tom Jobim. Em dezembro, ela apresenta, em São Paulo, um trabalho inédito e paralelo a sua carreira, dirigido e roteirizado pela atriz Ana Beatriz Nogueira.

Serviço

Sinfônica Pop com Leila Pinheiro – 60 Anos da Bossa Nova, no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Sábado (10), às 20h30, e domingo (11), às 19h. R$ 60 (inteira).

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