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'Vidas à Deriva'

Sobrevivência a qualquer custo

Longa conta história real de casal de velejadores atingido por um furacão

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Drama. Shailene Woodley e Sam Claflin em cena de “Vidas à Deriva”, baseado em fato real
PUBLICADO EM 09/08/18 - 03h00

“A vida encontra um jeito”. O corpo e a mente humana têm estratégias de sobrevivência que nossa própria consciência desconhece. Mesmo nas situações mais adversas, impossíveis, em que tudo indica ser mais fácil desistir, o cérebro vai encontrar algum gatilho que nos faça seguir em frente, algo por que lutar, um motivo para acordar e tentar um novo caminho.

Esse é o princípio (mais que) comprovado em “Vidas à Deriva”, que estreia nesta quinta-feira (9) no cinemas da cidade. O longa conta a história real do casal Tami (Shailene Woodley) e Richard (Sam Claflin), que se conheceu no Taiti em 1983 e, por uma série de motivos, decidiu velejar da ilha até a Califórnia. No caminho, eles foram atingidos por um furacão e ficaram (muitos) dias à deriva no meio do Pacífico – tentando chegar até o Havaí, esperando o resgate ou a morte.

O filme do diretor islandês Baltasar Kormákur se estrutura entre a luta do casal por sobrevivência após o acidente e uma série de flash-backs, que narra o encontro dos dois e os eventos que os levaram à tragédia.

Mais do que ser um grande drama árido e desesperador sobre a fatalidade – como “Evereste”, que o cineasta dirigiu em 2015 –, a produção busca se alicerçar nessa metade inicial da história, e em como o romance e o amor que surge entre Tami e Richard é o que os faz seguir lutando, mesmo contra todas as probabilidades.

E é exatamente aí que o maior defeito e a maior qualidade de “Vidas à Deriva” ficam latentes. Ao fazer do relacionamento seu elemento central, o filme depende fortemente da química e do flerte entre os dois protagonistas. Só que o roteiro não ajuda muito – com diálogos e cenas batidos, que lembram sempre uma certa artificialidade do romance de cinema, o que é acentuado por uma trilha invasiva e pouco sutil, típica de séries de TV.

Com isso, quem traz vida e humanidade a essas cenas é Shailene Woodley. A atriz é o grande destaque do longa, imprimindo não só autenticidade e camadas às cenas mais bobas, mas carregando grande parte filme praticamente sozinha. No acidente, Richard quebra a perna e várias vértebras, ficando essencialmente imobilizado. E cabe a Tami fazer de tudo – e mais um pouco – para que os dois não pereçam ali.

Uma das grandes provas de fogo para mostrar que um grande ator é também um astro – e vice-versa – é a capacidade de carregar um filme sozinho em cena, sem nenhum outro estímulo ou rosto ao qual responder.

E é isso que Shailene precisa fazer em vários momentos de “Deriva”, especialmente na meia hora final, em que a constatação da realidade de sua situação finalmente se abate sobre Tami – e a atriz leva o público às lágrimas.

Essa ancoragem humana trazida pela performance dela ganha ainda mais responsabilidade com as deficiências da realização de Kormákur. A falta de brilho da direção fica clara nas transições banais entre passado e presente que, com algum tipo de rima visual ou sonora, dariam bem mais peso à produção. Mas o problema maior é que o cineasta nunca consegue decidir entre o drama humano e o filme-catástrofe, permanecendo num limbo incômodo entre os dois – sem o humanismo quase lúdico de um “Náufrago” ou a crueza implacável de “Até o Fim”.

Com isso, “Deriva” fica sempre com aquela cara de que podia ser bem melhor do que é. Não que seja ruim, especialmente quando Shailene Woodley traz à tela todo o terror da situação de Tami e Richard. Mas assim como existe uma diferença entre sobreviver e viver, há também uma entre uma boa história e um grande filme.

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