Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Perfil

Sonhos que ganham vida 

Animador mineiro realiza curta em stop-motion na Itália e ganha reconhecimento em festivais internacionais

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
H-
Robô do curta vive crise existencial que reflete situação do diretor na Itália
PUBLICADO EM 18/05/15 - 03h00

Desde pequeno, o belo-horizontino Daniel Ferreira sabia que queria trabalhar com ficção e audiovisual. “Sempre desenhei e sempre quis trazer meus desenhos para a vida real”, ele lembra.

Seus traços finalmente ganharam vida no curta “Los Rosales”, animação em stop-motion que ele lançou no passado. A produção foi eleita melhor animação no Palm Springs International ShortFest, maior festival de curta-metragem da América do Norte, e melhor filme no FestcineAmazonia. Em Belo Horizonte, ela recebeu uma menção honrosa no Mumia, principal mostra de animação da capital.

Mas a história do curta – que retrata um robô solitário, preso em uma rotina repetitiva e mecanizada para produzir seu único meio de sobrevivência, uma flor, em um cenário industrial desolado – começou, na verdade, do outro lado do Atlântico. Depois de se formar em Publicidade e Propaganda na PUC Minas, onde desenvolveu algumas animações autorais para vinhetas e programas da PUC TV e formou um coletivo de produção audiovisual com colegas, Ferreira recebeu um convite para trabalhar no Fabrica, centro de pesquisa em comunicação da United Colours of Benetton, na Itália.

“Fui chamado para fazer um teste. Fui para lá por duas semanas, fiz, passei e recebi uma bolsa para ficar por um ano”, ele conta. No Fabrica, o animador mineiro pôde aprimorar sua técnica, trabalhando em comerciais para a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial de Saúde (OMS) e para a própria Benetton.

Mas foi no final do ano de seu contrato que ele teve uma de suas maiores chances. “Comecei a fazer trabalhos com o Erik Ravelo, responsável pelas campanhas mais polêmicas da Benetton, como a Los Intocables, recente, com um padre carregando uma criança representando a cruz”, explica. Foi Ravelo que convidou Ferreira para ficar no Fabrica por mais um ano e tentar desenvolver algo mais autoral.

“Escrevi uma história sobre um robô com medo de ficar a vida inteira fazendo a mesma coisa mecânica, que era o que eu estava vivenciando com o trabalho em comerciais”, conta Ferreira. Após trabalhar nas campanhas com Ravelo durante o dia, o animador passava as madrugadas no estúdio do centro realizando seu curta. “Era meio contra a lei, e eu nunca tinha feito um filme em stop-motion, só experimentações. Então, eu ficava no Google pesquisando como desenvolver bonecos, fotografar. Eu e um monte de madeira, caixa de papelão, por 11 meses”, lembra.

A ideia do robô se alimentar de uma rosa, por sinal, veio de um dos elementos mais importantes do filme: a trilha musical. Ela é assinada pelo colombiano Jhon William Castaño Montoya, colega de Ferreira no Fabrica. “Ele me mostrou várias composições, e eu adorei uma chamada ‘Los Rosales’, que ele havia escrito após a morte do pai, sobre a necessidade de deixar o passado e seguir para o futuro”, conta o diretor.

Ferreira reconhece hoje vários erros que cometeu no filme, mas o produto final para ele não é o mais importante. “O resultado para mim não importa tanto quanto a experiência que eu vejo ali de ter feito aquelas 21 mil fotos sozinho”, reflete.

De volta a Belo Horizonte, ele fundou o Studio 281 e está trabalhando em comerciais e numa nova animação. “É algo em 2D, baseado numa música de um amigo inglês sobre astronautas e dinossauros. Pode ser um clipe ou um novo curta”, descreve, trazendo mais sonhos para a vida real.

“Los Rosales” pode ser conferido no www.danielferreristico.com/.

O que achou deste artigo?
Fechar

Perfil

Sonhos que ganham vida 
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter