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Festival de Cannes

Spike Lee contra Trump e o racismo

Novo filme do diretor não hesita em atacar o presidente norte-americano, a extrema direita e a Ku Klux Klan

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Spike Lee
Voz. Spike Lee voltou a Cannes após 27 anos
PUBLICADO EM 16/05/18 - 03h00

Cannes, França. Vinte e sete anos depois, Spike Lee fez seu retorno na segunda-feira à noite no Festival de Cannes com “BlacKKKlansman”, um thriller panfletário contra o racismo, a extrema direita e o presidente Donald Trump, que ele atacou durante uma coletiva de imprensa. Baseado na história verídica de um oficial de polícia afro-americano que se infiltrou na Ku Klux Klan, o filme de Spike Lee, que estava ausente do Festival de Cannes desde “Febre da Selva”, em 1991, alterna por duas horas entre suspense clássico e filme político, terminando com a denúncia dos acontecimentos em Charlottesville, cidade da Virgínia abalada pela violência de grupos de extrema-direita em 12 de agosto de 2017.

Para concluir seu discurso, o diretor do Brooklyn deu um salto de 50 anos com as imagens de Charlottesville e especialmente os poucos segundos em que o carro de um neonazista atinge deliberadamente ativistas da luta contra o racismo. As imagens, registradas por algumas pessoas no local, mostram ao vivo a morte de Heather Heyer, de 32 anos, atropelada pelo motorista. O filme recebeu muitos aplausos do público presente no Grand Théâtre Lumière, diante de um Spike Lee com uma boina preta, vestindo uma jaqueta com folhas douradas e exibindo dois socos-ingleses com as palavras “Love” e “Hate” (“amor” e “ódio”).

O mesmo Spike Lee se entregou a um discurso contundente contra o presidente Trump nesta terça-feira (15) diante dos repórteres. A morte de Heather Heyer “foi um assassinato”, insistiu o diretor: “E nós temos um cara na Casa Branca, eu nem vou pronunciar o maldito nome dele, que, nesse momento decisivo, poderia ter escolhido o amor contra o ódio. Mas esse filho da p*** não denunciou a p**** da Klan, o alt-right (movimento de extrema direita) e esses filhos da p*** nazistas. Mas o que eu gostaria de dizer”, continuou Spike Lee, “é que essa besteira de extrema direita não acontece apenas nos EUA, está em todo lugar do mundo, e não podemos permanecer em silêncio, devemos acordar”.

Em “BlacKKKlansman”, o diretor mostra Ron Stallworth, um policial negro de Colorado Springs interpretado por John David Washington, filho de Denzel Washington, o “Malcolm X” de Spike Lee em 1992. Sua ideia: infiltrar-se na KKK. Mas quando se trata de entrar fisicamente no local do Klan, ele precisa de uma cobertura: entra em cena seu colega Flip Zimmerman (Adam Driver), branco e judeu. A dupla está muito bem e faz com que o filme muitas vezes transborde para a comédia pura. Quanto à parte política, o diretor de “Faça a Coisa Certa” e “Ela Quer Tudo” desenha um paralelo entre o líder da KKK e o presidente norte-americano.

Na última imagem do filme, aparece uma bandeira norte-americana com as estrelas de cabeça para baixo. Spike Lee definitivamente não esconde seu jogo.

 

Lars von Trier exibe seu filme mais sádico e misógino

Lá pela metade de “The House That Jack Built”, filme que marca o retorno de Lars von Trier ao Festival de Cannes, o protagonista está empalhando meticulosamente o cadáver de um menino, rígido e todo coberto de bolhas de sangue, que sorri de forma macabra.  A essa altura, mais de dez pessoas já haviam deixado a sala de cinema, na manhã desta terça-feira. Outras duas dezenas fariam o mesmo até o longa terminar.  A produção, sobre o serial killer Jack (Matt Dillon), que encara seus crimes como obras de arte, é o filme mais sádico e misógino da carreira de um cineasta que já era conhecido por ostentar esses mesmos adjetivos.  É também uma reposta às críticas que o cercam e aos sete anos pelos quais Von Trier foi banido de Cannes. Em 2011, nesse mesmo festival, ele afirmou que podia compreender Hitler, o que o levou a ser expulso da mostra de cinema.  Em certo momento do longa, Jack usa um rifle para matar dois meninos e sua mãe. Tudo é mostrado sem cerimônia.

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