Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Joaquin Phoenix

Um mergulho angustiante e fantasmagórico

'Você Nunca Esteve Realmente Aqui' estreia nesta quinta-feira (9)

Enviar por e-mail
Imprimir
Aumentar letra
Diminur letra
Capturar.JPG
Ganhador da Palma em Cannes, Joaquin Phoenix é o protagonista
PUBLICADO EM 09/08/18 - 03h00

A primeira imagem de “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” é o rosto do protagonista Joe (Joaquin Phoenix), tendo uma espécie de ataque de pânico dentro de um saco plástico. E é ali dentro que a diretora escocesa Lynne Ramsay (“Precisamos Falar Sobre o Kevin”) quer colocar o espectador. É um lugar incômodo, claustrofóbico e perturbador, que subverte o que se espera de um filme com seu tipo de premissa.

No longa que estreia nesta quinta-feira (9), Joe é um veterano de guerra que sobrevive encontrando e resgatando garotas desaparecidas. Quando é contratado para ir atrás da filha do senador Albert Votto (Alex Manette) em um bordel de Manhattan, porém, o trabalho não sai como esperado, e ele precisa tentar salvar a si mesmo e a garota (Ekaterina Samsonov).

Esse passado como veterano de guerra, assim como vários outros detalhes da história, porém, vem mais do livro de Jonathan Ames do que do filme em si. Em sua adaptação, Lynne enxuga a trama o máximo possível, fazendo dela um esqueleto para um estudo de personagem perturbador e inquietante. Em seu longa, Joe é um personagem complexo e semi-invisível, existindo às margens da sociedade como um misto de animal selvagem e fantasma. Ao mesmo tempo, tem uma relação bastante humana com a mãe (Judith Roberts) e é assombrado por memórias traumáticas da infância. 

A cineasta sufoca o protagonista nesse caldeirão denso e sem muito espaço para respirar, do qual ele só parece conseguir escapar por meio da água – seja na sauna, numa pia de banheiro ou em um lago. O filme é um mergulho sensorial do público nessa psique angustiante de Joe, por meio da montagem provocadora e intuitiva de Joe Bini e do design de som caótico e pulsante de Paul Davies.

O resultado é um ensaio existencial puramente cinematográfico, mais interessado nos efeitos que a violência tem sobre quem nos tornamos do que na violência propriamente dita. Há algumas imagens e cenas bastante sangrentas, mas Ramsay se delonga bem mais nos momentos que vêm logo a seguir, e nas suas consequências e efeitos sobre Joe. 

E encarando com sua naturalidade e sutileza usuais o desafio de dar vida a esse protagonista complexo, de camadas por vezes conflitantes e indecifráveis, não é por acaso que Joaquin Phoenix venceu a Palma de melhor ator em Cannes pelo papel. O ator veste a pele de Joe com uma ausência de vaidade e sem jamais tentar diagnosticá-lo, simplesmente entregando-se às emoções e ao sofrimento do personagem – e à sua incapacidade, muitas vezes, de lidar com eles. 

Não é um filme fácil, nem de respostas satisfatórias. É mais uma experiência sensorial desconfortável e sui generis, na mesma linha de “Kevin”, mas sem a mesma potência narrativa. É um mergulho que o espectador tem que estar disposto a dar, sabendo que nem sempre vai ser fácil subir à superfície para respirar.

O que achou deste artigo?
Fechar

Joaquin Phoenix

Um mergulho angustiante e fantasmagórico
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório
Enviar Comentário

Li e aceito os termos de utilização
Compartilhar usando o Facebook
ou conecte-se com

ATENÇÃO

Cadastre-se para poder comentar

Comentar com Facebook Comentar com Twitter