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Uma década de amabilidade 

Ícone da cena independente mineira, Graveola e o Lixo Polifônico celebra dez anos com shows e lançamentos

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Formação mutante. Reestruturada, trupe entra em estúdio neste mês para gravar o terceiro disco, que terá produção de Chico Neves
PUBLICADO EM 10/04/15 - 03h00

“O cansaço me traz a vontade de ser algo mais que a vontade de ser”, diz a canção “Envelhecer”, do disco “Vozes Invisíveis (ou 2 e 1/2)”, de 2014. Não que o Graveola e o Lixo Polifônico esteja cansado; muito pelo contrário: a plenos vapores, o grupo mineiro celebra, em 2015, seus recém-completados dez anos de carreira. Já a vontade ser, de ir além da própria “vontade de ser”, persiste como linha-guia da banda, que se apresenta neste sábado (11) no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna.

O surgimento do Graveola data de 2004, quando os então universitários José Luís Braga (voz, guitarra e cavaco) e Luiz Gabriel Lopes (voz e guitarra) se encontraram por intermédio de Marcelo de Podestá, ex-membro fundador. “Eu fazia ciências sociais na UFMG e era amigo do Marcelo, que fazia comunicação com o Luiz. Tudo nasceu de forma não planejada. Um encontro de jovens com espírito livre, querendo experimentar”, diz José Luís Braga. “Tinha aquela coisa das rodinhas de violão e, a partir desses encontros, foi surgindo a ideia de montar uma banda. Lembro que o Luiz mandou um bilhete na sala, para o Marcelo, sugerindo que montássemos um grupo. Foi tudo bem despretensioso”, conta.

A partir das primeiras composições, a banda começou a formatar uma identidade própria. “A primeira formação era engraçada. Um vocalista, um violonista, uma percussionista que estava começando, a Flora Lopes, e o Marcelo, que era uma espécie de entidade. Uma coisa maluca, mas que funcionou”, relembra José Luís. “Quando passamos a sentar juntos para compor e a compartilhar as canções com amigos que se sentiam parte daquilo, a coisa foi mudando de figura”, afirma.

Luiz Gabriel Lopes lembra que o nome veio de forma tão aleatória quanto o início da banda. “Tentamos vários nomes bem peculiares. Tínhamos uma lixeira em que aparelhos iam se acumulando, daí veio a ideia do lixo polifônico. Ja Graveola foi ideia do Marcelo, um cara que tem muito feeling para a publicidade. Acho que ele já sabia que, dez anos depois, a galera ainda teria essa curiosidade”, aposta.

Em 2008, a banda começou a ter shows mais representativos e conseguiu aprovar um projeto de lei municipal para gravar o primeiro disco, lançado um ano depois. “Nessa época já tínhamos o Bruno (de Oliveira, baixo), e a Juliana Perdigão também nos ajudou, gravando sopros e coros. Mas ela entrou mesmo no segundo disco, e ficou por um bom tempo”, conta José Luís. “Aliás, essa formação mutante do Graveola é interessante. Geralmente são parceiros que gravam conosco, ou participam de shows, e acabam ficando na banda. Foi assim com o Ygor Rajão (sopros e teclado) e com a Luiza Brina (voz, percussão, escaleta, cavaco), que estão conosco atualmente”, pontua José Luís, lembrando que a banda agora conta com Gabriel Bruce, do Zimun, na bateria.

De lá para cá, muita coisa aconteceu na trajetória do Grave, apelido da banda. A primeira turnê veio em 2010, abrindo caminho para uma circulação maior nos anos posteriores, principalmente no exterior. “É curioso que circular fora do país tem sido paradoxalmente mais fácil. Lá fora existe um interesse pela música brasileira, uma valorização maior”, sublinha Luiz Gabriel. “Em 2013, por exemplo, tocamos em vários festivais legais, como o Latitude Festival, que teve nomes como o Grizzly Bear. Na Inglaterra, dividimos palcos com a Gaby Amarantos e o Lucas Santanna. Uma curadoria que nunca veríamos aqui”, defende.

Apesar dos planos de voltar à Europa, o foco do Graveola no primeiro semestre de 2015 é a capital mineira. “Estávamos sentindo muita falta de tocar aqui, de estar em contato com o público de BH, que é a base do nosso trabalho”, diz Luiz Gabriel. “Vamos trabalhar releituras de músicas antigas, já nessa ideia dos dez anos, além de apresentar inéditas”, afirma José Luís. Shows e lançamentos.

O músico conta que a banda lança em breve um EP com quatro faixas, gravado “ao vivo” em um estúdio caseiro de Londres. Mas as atenções estão mesmo voltadas para o terceiro disco cheio, que será gravado ainda em abril, com o produtor Chico Neves – que já assinou nomes como Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil e Los Hermanos. “O repertório do disco está mais maduro. A entrada da Luiza Bruna, que é uma compositora brilhante, acrescentou muito ao processo composicional”, diz José Luís. “Esse disco vai mostrar as facetas de cada um de nós. E trabalhar com o Chico Neves será incrível. É um sonho antigo. Até então, sempre produzimos sozinhos, internamente. Será a primeira vez que teremos esse tipo de direção, que vai acrescentar muito ao trabalho. O Graveola esta numa fase muito especial”, conclui Luiz Gabriel.


Agenda

 

O QUÊ. Graveola e o Lixo Polifônico no Festival Permanente

QUANDOSábado (11), às 20h

ONDE. Teatro Oi Futuro Klauss Vianna

(avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras)

QUANTOR$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada)

PRÓXIMOS SHOWS. A banda se apresenta no dia 15 de maio, n’A Autêntica e no dia 6 de junho, no Granfinos

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