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Vai ter mineiro em Berlim na mostra Panorama

“Bixa Travesty”, parceria do belo-horizontino Kiko Goifman com Claudia Priscilla

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Nome do filme vem de música homônima de Linn da Quebrada
PUBLICADO EM 16/12/17 - 03h00

O Festival de Berlim, uma das principais mostras cinematográficas do mundo, anunciou nessa sexta-feira (15) 11 dos filmes que estarão na seção Panorama, paralela à competição principal do evento, e três deles são brasileiros. Um deles é “Bixa Travesty”, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, sobre a cantora transexual paulista Linn da Quebrada, que desconstrói os conceitos que os “machos alfa” têm de si mesmos. “O corpo feminino trans se torna uma forma política de expressão nos espaços público e privado”, diz a descrição do filme para o festival.

Goifman, que é de Belo Horizonte, comemorou ter um filme seu indicado em um festival como o de Berlim. “É maravilhoso. O Festival de Berlim é um dos mais políticos do mundo e tem uma vocação para discussão de temas e questionamentos. Era exatamente isso que queríamos para o filme, que já começa com um título provocativo”, enfatizou o mineiro.

Além do festival, a cidade-sede do evento também é um diferencial para ele. “Berlim é o melhor lugar para essas discussões. É uma cidade completamente libertária, por toda história que viveu. E esse filme tem esse desejo de enfrentamento a uma sociedade brasileira cada vez mais careta”, completou o diretor, que acredita que o filme vai estrear no Brasil no segundo semestre de 2018.

“Aeroporto Central” (“Zentralflughafen THF”), de Karim Aïnouz é outro brasileiro na Panorana. O cearense retorna à Berlinale pela primeira vez desde 2014, quando teve dois filmes exibidos no festival, “Praia do Futuro” e o documentário “Catedrais da Cultura”, filmado em 3D, que reunia seis diretores.

Ambientado na própria Berlim, o longa segue a vida do jovem sírio Ibrahim Al-Hussein, 18, que mora, durante um ano, no aeroporto Zentralflughafen Tempelhof. Lá ele fica até descobrir se conseguiria a permissão de residência no país ou se seria deportado.

Outro brasileiro selecionado foi “Ex-Pajé”, escrito e dirigido por Luiz Bolognesi (“Uma História de Amor e Fúria”). O documentário mostra o drama atual do conflito religioso interno dos povos indígenas, a partir da história de Perpera, um índio Paiter Suruí que viveu até os 20 anos num grupo isolado na floresta, onde se tornou pajé.

Após o contato com os homens brancos, os índios ouviram de um pastor evangélico que os atos e saberes do pajé são coisas do Diabo. Apesar de se dizer evangélico e se definir como ex-pajé, Perpera continua tendo visões dos espíritos da floresta.

Mais trans. Outra artista transexual brasileira, Luana Muniz, morta em 2017, também é tema de documentário, “Obscuro Barroco”, este da diretora grega Evangelia Kranioti, numa coprodução com a França. Ícone do Rio de Janeiro, Luana viveu em extremos, com conflitos políticos, manifestações artísticas e com a transformação do corpo, que desafiou limites de gênero. A artista, aliás, já foi tema também de outro documentário em 2017, “Luana Muniz: Filha da Lua”, de Rian Córdova e Leonardo Menezes, que ganhou o prêmio de melhor longa-metragem nacional pelo público no 25º Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, realizado em novembro em São Paulo.

Na Panorama, serão exibidos ainda “L’Animale” (Áustria), “Malambo, el Hombre Bueno” (Argentina), “La Omisión” (Argentina, Holanda e Suíça), “Profile” (EUA, Reino Unido e Chipre), “River's Edge” (Japão), “That Summer” (Suécia, Dinamarca e EUA) e “Yocho” (Japão). (Com agência)


Minientrevista

Kiko Goifman
diretor

Por que a grafia do título do filme tem “bixa” com “x” e “travesty” com “y”?

A Linn (da Quebrada) é quem escreve desse jeito (o título também é o nome de uma música da cantora). Mas acho que há uma brincadeira de que “travesty” com y dá um tom mais chique e refinado. E quanto ao “bixa”, acho que seria o oposto de “bicho”, que é com CH. Quando fui escrever o título como “Bicha Travesti”, a Linn chegou e disse que estava tudo errado (risos).

Como se deu o contato com a Linn para o filme?

Conhecia a música dela. E a Claudia (Priscilla), que dirige comigo, já a conhecia pessoalmente. A Linn é uma pessoa extremamente forte, que sofre preconceitos por todos os lados: é negra, da periferia e transexual. Há uma série de junções de pontos que a tornam vítima de preconceitos. Mas ela nunca se fez de vítima, foi para o enfrentamento. É uma pessoa maravilhosa de se trabalhar. Ela assina o roteiro também, além de ter indicado personagens. Mas não acho que seja um filme sobre a Linn. Vejo como um filme com a Linn.

O cinema nacional vem se utilizando cada vez mais da temática LGBT. Qual sua opinião sobre isso?

Acho muito interessante. E mesmo dentro da questão dos filmes trans, existem diferentes abordagens. É um tema que não se esgota e vem sendo retratado em ótimos filmes. O momento anterior era de afirmação, em que era difícil utilizar essa temática. E hoje há vários filmes em que tal discussão é fundamental.

O filme “Bingo” ficou de fora da disputa do Oscar de melhor filme estrangeiro. O que acha disso?

Acho bom. Não estou nem aí para o Oscar. Pensar no Oscar como o único festival é terrível. Temos importantes festivais na Europa. Eu quero é que se dane o Oscar. Espero que os brasileiros passem a pensar assim.

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