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Preservação

Para proteger uma tradição

Dossiê do Iepha-MG será apresentado nesta quinta (14) a conselho que poderá reconhecer a viola como patrimônio imaterial

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Pereira da Viola
Show. Pereira da Viola vai tocar ao lado de outros violeiros, como Chico Lobo, Wilson Dias e Letícia Leal após a entrega do documento
PUBLICADO EM 14/06/18 - 03h00

Após um ano de pesquisas, foi concluído o estudo que deu origem ao dossiê “Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais”, realizado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG). O documento, a ser detalhado nesta quinta-feira (14) para o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep-MG), em reunião no Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade), é essencial para a formalização do reconhecimento da viola como patrimônio cultural do Estado. Logo após o encontro, haverá um show dos violeiros Chico Lobo, Pereira da Viola, Wilson Dias, Letícia Leal, além da Orquestra Oficina de Estudo Viola de Betim. Eles deverão tocar juntos, mas também vão se revezar em solos.

De acordo com Françoise Jean de Olivera Souza, diretora de Proteção e Memória do Iepha-MG, a pesquisa que deu origem ao relatório foi motivada por demandas recebidas em 2015. Foram elas que deram origem a um projeto de lei proposto pelo deputado João Alberto (PMDB), com justificativa do violeiro João Araújo, e um pedido coletivo encaminhado por diversos músicos que defendem a inclusão da viola entre os bens culturais já reconhecidos como patrimônios de natureza imaterial do Estado. Entre eles, o modo de fazer o queijo artesanal da região do Serro; a comunidade dos Arturos, de Contagem; a festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte; e as folias de Minas.

Em março de 2017 foi feito um seminário, do qual participaram violeiros e mestres de viola. Em seguida, foi lançada uma plataforma virtual para receber contribuições desses profissionais e de luthiers, que atuam na construção do instrumento. “Nós tivemos a contribuição de quase 1.400 pessoas, que trouxeram informações sobre a forma de tocar e fazer viola”, completa Françoise.

A terceira etapa consistiu em uma pesquisa de campo realizada por meio de viagens a diversas regiões do Estado, com uma equipe responsável por filmar e entrevistar quem mantém viva a tradição da viola. “Todas essas informações compõem o dossiê, que será avaliado pelo conselho. Se aprovado o reconhecimento, será possível trabalhar políticas públicos, como a criação de editais específicos para atender aos interesses de quem atua nesse segmento”, afirma Françoise. 

Reconhecimento. O músico João Araújo observa que o reconhecimento pelo Iepha-MG poderá ajudar a preservação da viola também ter o respaldo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “No ano passado, eu comecei uma campanha nacional para impulsionar isso, e agora o processo está em andamento no Iphan. O objetivo, depois, é chegarmos até a Unesco”, diz Araúo.

Para Pereira da Viola, que se dedica ao estudo do instrumento desde a década de 90, a iniciativa representa “um divisor de águas na história da viola em Minas Gerais”. “Eu acho que a principal importância desse reconhecimento será a possibilidade de serem criadas políticas públicas para esse segmento de agora em diante”, frisa ele.

A violeira Letícia Leal reforça que a medida também será capaz de facilitar a busca por patrocínios a projetos com viola – o que atualmente, de acordo com ela, tem sido difícil. “Não há muito interesse da iniciativa privada em propostas vinculadas ao instrumento. Às vezes, nós tentamos inscrever algum projeto em um edital, e o retorno que temos é que a viola não se encaixa no programa deles. O reconhecimento da viola como patrimônio pode ajudar a mudar isso, e as empresas poderão olhar para o instrumento de outra maneira, talvez até mostrando mais interesse em ligar a imagem delas à cultura popular”, relata a violeira.

Agenda

O quê. Show “Viola de Minas”, após a entrega de dossiê sobre o instrumento, realizado pelo Iepha-MG, ao Conselho Estadual de Patrimônio Cultural.

Quando. Quinta (14), às 19h.

Onde. Memorial Minas Gerais Vale (praça da Liberdade).

Quanto. Gratuito.

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