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Concerto

Reencontro com Elomar

Dois anos após dividirem o palco pela primeira vez, Titane recebe o músico na Sala Minas Gerais

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Titane
No início de 2019, Titane vai fazer a direção musical, junto com Bia Nogueira, do novo espetáculo do Grupo dos Dez (de “Madame Satã”), “Baquaqua”
PUBLICADO EM 07/12/18 - 03h00

Titane observa que Elomar é um grande representante da cultura brasileira. “Até então, o que eu tinha de mais familiaridade, mais presente no meu repertório relacionado à cultura ibérica, eram as canções do Vale do Jequitinhonha que eu sempre cantei. É algo muito especial, porque traz todas essas influências: indígena, negra e europeia. Mas tudo o que eu podia perceber em mim de influência da cultura ibérica sentia através do Jequitinhonha, como se fosse uma ponte. Com Elomar, isso vem direto na veia”, frisa.

Ao contrário do que se poderia esperar, o repertório não será baseado no disco com canções de Elomar lançado por Titane. Algumas coisas do álbum, claro, estarão presentes, mas ela frisa que se trata menos de um espetáculo e mais de um recital, inclusive pela enxuta formação de voz, violão e violoncelo – além dos dois, estarão no palco o filho de Elomar, João Omar, e o violonista Hudson Lacerda. O fato de a apresentação acontecer na Sala Minas Gerais também reforça esse caráter. “É um lugar aonde as pessoas vão realmente pra abrir os ouvidos e escutar. Nesse tipo de situação, cantar Elomar é muito bom, é um privilégio. Ele é um grande cancionista, um dos maiores compositores da nossa música, tem canções maravilhosas. E favorecer a escuta é sempre um desejo nosso, não só meu, mas dos músicos”, afirma.

Titane ressalta que, mesmo aos 80 anos, Elomar impressiona pela potência de sua voz. “É uma voz extremamente sonora, timbre grave. Ao mesmo tempo, ao construir as canções, ele também renova, transforma o violão brasileiro. Esse show é um convite pra que as pessoas venham ouvir a beleza das canções do Elomar”, diz.

O convite a João Omar e Hudson Lacerda para que os acompanhassem – aliás, o concerto terá três momentos: no primeiro, Titane será acompanhada pelos dois músicos; em seguida, João Omar e seu pai assumem o palco; e, no terceiro momento, ela canta com Elomar – aconteceu porque ambos são profundos conhecedores da obra do convidado. “Além de filho do Elomar, o João é maestro e está enfronhado na obra dele desde sempre. Há pouco tempo, lançou um disco muito importante com peças dele para violão (‘Ao Sertano’, de 2015)”, explica Titane. “E o Hudson trabalhou da transcrição na obra de Elomar para partitura. Entre os quatro violonistas envolvidos no processo, foi o que leu na frente dele, pra que dissesse que era aquilo mesmo”.

Interpretação poética

A exemplo do show de lançamento do disco, realizado em março deste ano no Palácio das Artes – que contou com uma interpretação poética da própria Titane de um trecho da obra “Dom Quixote”, clássico de Miguel de Cervantes (1547-1616) –, na apresentação deste sábado (8) também deve haver a leitura de algum texto. “Mas não sei dizer qual. Eu sinto muita falta. Acho que a obra do Elomar dialoga muito bem com nossos grandes autores, grandes textos. Então, prefiro não dizer qual é, porque ainda não decidi”, afirma.

O encontro ainda cumprirá o papel de ser uma espécie de “concerto de Natal que anuncia o ano novo”, nas palavras da própria Titane. Ela diz que sempre encara esta época do ano como tempo de cantar pensando no que passou ao longo do ano, renovando sentidos, ideias e pensamentos. Num ano turbulento como 2018, esse papel se intensifica.

“As músicas do Elomar são de amor, aventura. São canções de perseverança, mais do que nunca. Ao compor, ele convoca vários personagens, que andam mundo afora com dor no peito procurando uma coisa que a gente nunca sabe o que é”, diz.

Cantar, para Titane, é uma forma de procurar sentido e beleza na vida. “Acho que estamos vivendo um grande caos, estamos perplexos, e essas canções nos ajudam a transcender um pouco e reunir força, esperança, capacidade para resistir a tudo de ruim que tem acontecido. Sou uma pessoa que acredita na democracia, acredito na nossa capacidade de criar uma sociedade justa. E eu acredito na diversidade humana, e quando canto, pode ter certeza que eu canto pra revigorar força, energia, continuar vivendo em busca dessa utopia, digamos assim. Porque agora está parecendo utopia. Mas eu acredito muito no ser humano”, conclui.

Serviço. “Titane em Noite de Santo Reis: Participação especial de Elomar”. Sala Minas Gerais (av. Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto, 2527-8585). Neste sábado (8), às 20h. R$ 30 (inteira)

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