Museu de Arte da Pampulha faz 60 anos e mostra a sua história
'60 Anos, Museu + Residência' comemora o aniversário do MAP apresentando obras de seu acervo
No mesmo ano em que o Museu de Arte da Pampulha (MAP) celebra seis décadas, o histórico edifício, projetado por Oscar Niemeyer nos anos 40 para funcionar como um cassino, enfrenta a escassez de recursos para dar continuidade ao calendário expositivo, assim como a precariedade dos espaços e das condições de armazenamento do acervo. O momento, no entanto, aponta para melhores dias.
É para o que chama a atenção a exposição “60 Anos, Museu + Residência”, que comemora o aniversário apresentando obras de seu acervo com ênfase no Bolsa Pampulha, programa de residência artística iniciado em 2003. A exposição começa no próximo domingo e pode ser visitada até o dia 4 de março de 2018, com entrada gratuita.
“A demanda é grande, e os recursos não coincidem com a demanda. Mas hoje estamos no momento de resgatar as condições do museu e resolver questões como a continuidade de projetos. As questões de climatização foram resolvidas, de controle de temperatura e umidade, os aparelhos foram consertados”, conta a curadora da exposição, Fabíola Moulin, que é diretora de museus da Fundação Municipal de Cultura.
“A exposição é simbólica nesse sentido. Desde que o Conjunto Moderno da Pampulha teve o reconhecimento da Unesco, passamos a ter uma situação mais favorável em todos os sentidos, o que possibilita investimentos em infraestrutura”, completa Fabíola, adiantando que o MAP vai passar por reforma e restauro em 2018, como parte do compromisso com a Unesco e com o programa turístico e cultural que está sendo pensado para o conjunto da Pampulha.
Para ela, o marco dos 60 anos se torna um momento de reflexão sobre a história do MAP, primeiro e único de arte moderna e contemporânea da cidade, criado com vocação modernista. “É um museu extremamente importante para a cidade e singular. Não temos outro com esse acervo que o museu tem, ligado à arte moderna e contemporânea. O museu tem desde obra do Guignard, um destaque da arte moderna, até expoentes contemporâneos como Rivane Neuenschwander, artista bastante premiada que fez uma (exposição) individual no museu e hoje tem reconhecimento nacional e internacional. Temos destaques de uma produção dos anos 40 a 60, de arte moderna, e temos também uma parte importante da produção contemporânea”, afirma Fabíola, destacando o próprio prédio modernista.
“A primeira obra do acervo do museu é o edifício, que tem essa vocação moderna e contemporânea. Desde sua concepção, permanecemos com programas que tentam dialogar com a edificação. É importante entender que os programas do museu querem fazer diálogo com a arquitetura e com o acervo gerado a partir desses programas”, comenta.
Cartaz. A exposição comemorativa remete à história do Bolsa Pampulha, programa de fomento às artes visuais. “A ideia foi reunir o acervo proveniente dessas seis edições do Bolsa Pampulha e fazer uma exposição que apontasse para o futuro do museu, mostrando que a história continua e entendendo o MAP como espaço museológico e também como espaço de residência da arte”, observa a curadora.
A mostra traz obras e documentos diversos, referentes ao programa, que estão incorporados ao acervo do MAP. São aproximadamente 50 trabalhos expostos e documentos sobre o Bolsa Pampulha, tais como projetos das obras, fotografias, convites, folders, vídeos, entre outros.
Ao todo já foram 62 artistas que participaram do projeto, alguns deles contribuindo para a formação do acervo do museu com doações de exemplares das obras realizadas. “Apresentamos algumas obras que ficaram no acervo e temos outra parte de quem não deixou seus trabalhos no museu. Eles estão representados por um conjunto documental, vitrines onde estão parte do processo, anotações, esboços, desenhos, fotografia, folders”, comenta.
Para lidar com tantas obras, a proposta da curadoria foi abandonar uma linha cronológica para criar diálogos e fricções. “Colocamos lado a lado obras de diferentes edições, mas que se aproximam em suas pesquisas e universos poéticos”, conta Fabíola.
Veja também






