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Foto: (Área visitada em território Maxakali não tem rio nem mata / Reprodução)

Aldeia Pradinho, do povo Maxakali, em Bertópolis

Área visitada em território Maxakali não tem rio nem mata

Nossa equipe de reportagem atravessou de carro o maior território contíguo dos Maxakali – de Água Boa, em Santa Helena de Minas, a Pradinho, em Bertópolis (53 km²).

Por Maria Irenilda Publicado em 18 de abril de 2023 | 09h00

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Nossa equipe de reportagem atravessou de carro o maior território contíguo dos Maxakali – de Água Boa, em Santa Helena de Minas, a Pradinho, em Bertópolis (53 km). A mata não existe mais. Os aldeamentos de três a 15 moradias preenchem, de forma espaçada, a imensidão verde do capim. Em cada aldeia, vive uma mesma família, e em todas há uma escola da rede estadual de ensino. Os professores são os próprios indígenas, e as construções são simples, de alvenaria, barro batido e pau a pique. 

 

No percurso de 40 minutos, não encontramos rio. A água vem de poços artesianos e não é potável. A falta de saneamento básico causa verminoses e diarreia. Sem floresta para caçar e rio para pescar como faziam os ancestrais, a maioria dos Maxakali sobrevive de pequenas plantações, criação de galinha e porcos, além do auxílio do governo a pessoas de baixa renda.

 

“Na minha criação, tudo era mato. Tinha fruta, caça, pesca. A comida nossa era a natureza, não tinha esse problema de fazer compra. Meu sonho é ter nossas matas de volta, as nascentes e os rios para pescar”, diz Maria Diva Maxakali.

Cacica Diva Maxakali, na Aldeia Água Boa, em Santa Helena de Minas


CULTURA MAXAKALI

Os Maxakali não têm chefe. Eles são um grupo que trabalha muito a autonomia.  Mesmo sem concentração de poder, há figuras de autoridades, como o Xamã - homens e mulheres de grande sabedoria a respeito de ervas, rituais, procedimentos de cura e o mundo dos espíritos de sua cultura. “Os mais velhos são figuras de autoridade, mas também ocorre de acordo com a capacidade de fazer aliança e exercer algum tipo de violência, até certa medida”, explica o antropólogo Leonardo Leocádio.

 

A divisão da sociedade Maxakali é bem rígida. O universo masculino e feminino tem uma divisão muito forte de espaços. A aldeia é o local da civilização, da cultura e das mulheres. Fora da Aldeia, a natureza, o lugar do selvagem é do homem. “A caça compõe boa parte do ser homem maxakali, da masculinidade. Todos aprendem a caçar desde a idade mais tenra”, comenta Leocádio.

 

A natureza é percebida por todos, mas a mulher tende a ficar mais na casa. A principal atividade fora da Aldeia da mulher é a pesca. Elas são exímias pescadoras. “Elas são figuras políticas dentro da Aldeia. São as conversas entre as mulheres que geralmente fomentam alianças ou geram um desafetos, vinganças e brigas”, acrescenta o antropólogo. 

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