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Foto: (Parlamentares inflamaram polêmicas e ‘lacração na internet’ ao longo de 2023 / Reprodução)

Washington Quaquá, Gleisi Hoffmann, Sóstenes Cavalcante, André Janones, Marcos do Val e Nikolas Ferreira são alguns dos políticos que fizeram investidas contra opositores neste ano

Parlamentares inflamaram polêmicas e ‘lacração na internet’ ao longo de 2023

Gleisi Hoffmann, Washington Quaquá, André Janones, Nikolas Ferreira, Marcos do Val e Sóstenes Cavalcante são alguns dos políticos que fizeram investidas contra opositores neste ano

Por Lucyenne Landim Publicado em 27 de dezembro de 2023 | 09h00

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A polarização e o conflito entre políticos de esquerda e da direita se tratando como inimigos, e não apenas como adversários, intensificou polêmicas neste ano no Congresso Nacional, especialmente nas redes sociais. Parlamentares que atuam em campos opostos patrocinaram ataques cheios de ofensas e críticas pessoais e, por muitas vezes, essas brigas viraram virtuais.

 

Comportamentos incompatíveis com o decoro parlamentar terminaram, inclusive, sem punições no Conselho de Ética. Com tantos casos, partidos entraram em acordo para evitar que denúncias avançassem no órgão e causasse advertências mais sérias, como cassação de mandatos. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, das 29 representações apresentadas, 22 foram arquivadas ou retiradas, e as sete restantes aguardam a escolha de relatores. 

 

Esse cenário tem sido alvo de críticas por tornar o debate parlamentar raso. A avaliação nos bastidores é de que os espaços do Congresso Nacional têm sido usados para “lacração em redes sociais”, antro do debate eleitoral atual, enquanto temas que precisam de aprofundamento têm sido deixados de lado. 

 

Veja abaixo alguns parlamentares que entraram em polêmicas ao longo deste ano: 

 

Washington Quaquá, deputado federal (PT-RJ)

 

A mais recente – e um dos poucos casos que saíram da esfera virtual - foi a do deputado federal Washington Quaquá (PT-RJ). Durante a promulgação da reforma tributária no plenário do Congresso Nacional, ele chegou a dar um tapa no rosto do deputado bolsonarista Messias Donato (Republicanos-ES).

 

Ele ainda ameaçou protocolar uma representação contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O petista alegou que foi tirar satisfação de parlamentares que faziam ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que estava no local e foi alvo de vaias e protestos da oposição. 

 

Quaquá foi amplamente criticado pela atitude, mas declarou não se arrepender. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu que as legendas não protejam os deputados envolvidos na confusão. Já o PT denunciou ao Conselho de Ética cinco parlamentares da oposição que dispararam ofensas a Lula na ocasião. Entre eles, o mineiro.

 

Gleisi Hoffmann, deputada federal (PT-RS)

 

A presidente nacional do PT e deputada federal, Gleisi Hoffmann (PR), alimentou um enfrentamento político nos últimos meses em suas redes sociais. As mensagens em tom duro foram direcionadas até mesmo aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), pessoas com quem Lula tenta manter uma relação amistosa para ter apoio parlamentar. 

 

Maior antagonista político do PT, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também foi alvo da petista, especialmente em declarações envolvendo a guerra entre Israel e Hamas. O investimento de Gleisi no enfrentamento nas redes sociais é uma estratégia semelhante à de outro mineiro, André Janones (Avante). O intuito é usar o espaço em que a oposição explorou o poder nos últimos anos. 

 

André Janones, deputado federal (Avante-MG)

 

Destaque na investida virtual durante a campanha de Lula, Janones foi alvo de polêmicas nesse segundo semestre. Além de empurrões com bolsonarista em uma das comissões, conversas vazadas atribuídas ao deputado o comprometeram politicamente. Na primeira delas, em outubro, o mineiro disparou xingamentos a integrantes de sua equipe, os chamando de “vermes”, “burros” e “incompetentes”. 

 

Ele ainda acusou o primo, Mac Janones, de querer vencer eleição para prefeito de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, "para roubar milhões em propina”. Na época, Janones não se manifestou sobre o assunto, mas sua equipe confirmou que o áudio era antigo, de 2018. 

 

Já em novembro, vazou uma outra conversa que ele teria tido na liderança do Avante, na Câmara, em 2019. Ele teria cobrado que seus assessores, lotados em seu gabinete, que transferissem parte dos salários para que ele pagasse despesas pessoais. 

 

A prática, conhecida como "rachadinha", configura enriquecimento ilícito e dano ao patrimônio público. Depois, ele negou ter cometido irregularidades. Contudo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux autorizou o pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) de abrir inquérito para investigar o político. E corre um processo contra ele no Conselho de Ética da Casa.

 

Nikolas Ferreira, deputado federal (PL-MG)

Também mineiro, Nikolas Ferreira, está no topo do ranking de políticos polêmicos neste ano. Em um dos episódios, em 8 de março, ele colocou uma peruca e disse se chamar 'deputada Nicole' para debochar de mulheres trans no Legislativo. O parlamentar afirmou, ironicamente, que se sentia também uma mulher e que, por isso, tinha lugar de fala no Dia Internacional das Mulheres. 

 

Ele acumulou outros casos de ataques e ofensas dentro do Congresso Nacional. Uma briga entre ele e a deputada Jandira Feghali (PCdoB) motivou a suspensão da reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre os atos de 8 de janeiro. O deputado também subiu o tom contra adversários políticos em suas redes sociais, plataforma onde conseguiu sua base eleitoral. E, mais recentemente, foi alvo de ofensas de Quaquá. 

 

Marcos do Val, senador (Podemos-ES)

 

Um dos principais autores de polêmicas do ano, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) admitiu que criou narrativas para manipular a opinião pública. No início do ano, ele acusou o ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) e Bolsonaro de tentarem convencê-lo a grampear o ministro Alexandre de Moraes. O parlamentar indicou que tinha um plano para o país, mas nunca deixou claro qual era sua intenção. 

 

Depois, em junho, foi alvo de buscas pela Polícia Federal (PF) em seus endereços e de uma decisão de Moraes que suspendeu os perfis que mantinha em redes sociais. Do Val também tentou acusar integrantes do governo Lula, especialmente o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, pelos atos de 8 de janeiro. Mas, novamente, não teve holofotes no seu plano. 

 

Sóstenes Cavalcante, deputado federal (PL-RJ)

 

Líder da bancada evangélica no Congresso Nacional e presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), aliado de Bolsonaro, travou brigas nas redes sociais contra integrantes do governo Lula, especialmente contra Flávio Dino. Mais recentemente, fez campanha para que o Senado rejeitasse o nome de Dino para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), com o argumento de que o ministro “debocha” da política. 

 

Ele também teve como alvo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao classificar como “piada pronta” a classificação dela como uma das dez pessoas mais influentes do ano no campo da ciência, segundo a revista Nature. O posicionamento fez com que ministros de Lula não comparecessem ao chamado da comissão que ele preside para evitar ataques. 

 

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