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Legado dos movimentos é de força social e multiplicidade

Eleição de mulheres negras e feministas em 2016 sinaliza início de mudanças

Dos 20 centavos que deram início às jornadas de junho de  2013 aos 46 centavos que colocaram fim à greve dos caminhoneiros em 2018, fica para o país um legado de fortalecimento de movimentos sociais e a ideia de que é possível fazer política e produzir mudanças. A série de protestos de 2013 teve força para conquistar a redução das tarifas de ônibus em mais de cem cidades. Já a greve dos caminhoneiros, neste ano, escancarou o debate sobre a dependência do transporte rodoviário e, novamente, mostrou a força das mobilizações, que causaram efeitos sociais, econômicos e políticos.

 

 

Para o coordenador do núcleo de estudos sociopolíticos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Robson Sávio, os protestos evidenciaram um novo momento de reorganização da sociedade brasileira – que, por sua imensa diversidade étnico-racial, geracional, econômica e de gênero, entre outros, não aceita mais um modelo de exclusão. “Estamos em um processo de reconfiguração, não existe mais um comando vertical. Cada vez mais as pessoas têm informações e são capazes de se mobilizar”, destaca Sávio. O papel do WhatsApp na articulação dos caminhoneiros, em maio, é a maior prova disso.

 

 

Diretora do Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico, Betânia Alfonsin acredita que o aprendizado sobre a força das mobilizações e sua forma de organização em 2013, caracterizada pela horizontalidade, pela articulação em rede e pelo pluralismo político, são legados do movimento. “Isso era muito claro no Movimento Passe Livre em São Paulo. Eles sempre colocavam essa questão de coletivo, e isso é uma mudança política, democratiza o processo de tomada de decisão e distribui responsabilidades”, pontua a professora e escritora, ressaltando que “ali nasceu o impeachment” (da ex-presidente Dilma Rousseff): “Foi algo muito poderoso”.

 

 

Da multiplicidade de lutas nasceu um enorme desejo de mudança, materializado nas urnas municipais em 2016, que destacaram a representação de mulheres negras e feministas. Marielle Franco (PSOL), assassinada em março deste ano, foi a vereadora mais votada no Rio de Janeiro. Em Niterói, a campeã foi Talíria Petrone (PSOL). Em Belo Horizonte, Áurea Carolina (PSOL) é a mais votada desde 2004. “O resultado foi um sopro de esperança, uma resposta àquele apelo mais sincero da população sobre um sistema político que não nos representa, que está caindo aos pedaços, dominado por homens ricos, brancos e velhos, que não têm nada a ver com luta”, ressalta Áurea.

 

 

Elas também fazem parte do legado de 2013. “A pedra que fica no chão é a capacidade de organização e intensificação entre lutas que passam a cooperar mais entre si. É a luta por mobilidade, que também discute antirracismo, feminismo, segregação do espaço urbano e direito a moradia. Talvez não tenhamos grandes ações, mas a resistência que emergiu da conexão de lutas é permanente e vitoriosa”, afirma Áurea.

 

 

Para a integrante do Tarifa Zero Letícia Domingues, tornar a mobilidade urbana uma pauta permanente foi um ganho. “O debate da mobilidade urbana como um ponto central da vida da cidade está posto”, finaliza.

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O que fica é uma reflexão sobre a mobilidade

Renato Janine Ribeiro, professor de filosofia da USP e ex-ministro da Educação (2015)

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O que fica é uma reflexão sobre a mobilidade

Renato Janine Ribeiro, professor de filosofia da USP e ex-ministro da Educação (2015)

Quando cartazes contam história

Jornadas de Junho lembram que briga é sobre infraestrutura, abastecimento e desigualdade

Da Revolta do Vintém, em 1880, até a greve dos caminhoneiros em 2018, já são 138 anos de rebeliões motivadas pelo transporte. Desde o Brasil Império, essa briga é muito maior: também é sobre infraestrutura, sobre abastecimento e sobre desigualdade. “Os mais pobres moram mais longe do trabalho e gastam uma ou duas horas no deslocamento. Os mais ricos gastam muito menos tempo. É preciso entender essa desigualdade para entender a centralidade do transporte nas pautas das manifestações”, destaca o professor de arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador da mobilidade urbana Roberto Andrés.

 

Os cartazes que, em 2013, inundaram de insatisfação as ruas do país, já escreviam a história de saturação do povo brasileiro. Naquela época, os protestos nasceram com o aumento da tarifa de ônibus, mas incorporaram rapidamente outras questões, como a falta de investimentos, a corrupção e uma enorme indignação com tudo o que a Copa do Mundo no Brasil representava.

“A Copa simbolizava um momento em que o Estado brasileiro beneficiava poucos, e não todos, o que é uma coisa histórica na formação do nosso Estado”, destacou Andrés.

 

Grafias de junho

De pedidos de melhorias na saúde e na educação a críticas ao projeto da chamada “cura gay”, apresentado naquela época pelo deputado federal Marcos Feliciano, os cartazes empunhados nas ruas em 2013 estão sendo reunidos no projeto Grafias de Junho, a pesquisa de doutorado do professor Roberto Andrés.“A ideia é criar um grande acervo sobre esse importante ciclo da história, a partir da diversidade do que as pessoas escreviam nas cartolinas que levavam para a rua”, afirma o professor. Até agora, já há mais de 1.500 fotografias e 2.500 cartazes catalogados. O banco de dados é interativo, e quem quiser pesquisar ou colaborar pode acessar o site www.grafiasdejunho.org.

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A pedra que fica no chão é a capacidade de organização e intensificação entre as lutas

Áurea Carolina, vereadora de Belo Horizonte (PSOL)

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A pedra que fica no chão é a capacidade de organização e intensificação entre as lutas

Áurea Carolina, vereadora de Belo Horizonte (PSOL)

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Data de Publicação: 09/07/2018