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Plano de BH para criar 400 km de ciclovias ficou no papel

Executivo estabeleceu a meta, com custos da ordem de R$ 132 milhões, até 2020, mas, em quatro anos de promessas, quase nada foi efetivamente feito

Por Izabela Ferreira Alves, 
Queila Ariadne, Rafael Rocha e
Tatiana Lagôa

Francisco faz verdadeira corrida de obstáculos para chegar de bike ao trabalho - Foto: Flávio Tavares

Francisco faz verdadeira corrida de obstáculos para chegar de bike ao trabalho - Foto: Flávio Tavares

Em 2020, Belo Horizonte ganharia novos 100 km de ciclovias em várias regiões da cidade. Era um incremento aos cerca de 200 km que seriam criados nos três anos anteriores, 2017, 2018 e 2019. Dessa forma, em dezembro do ano passado, o belo-horizontino teria 400 km de ciclovias para pedalar. Para isso, bastaria a prefeitura cumprir o plano que ela mesma divulgou. O que não ocorreu. Quatro anos se passaram, e quase nada do programado foi feito ainda. 

Ao contrário: a malha cicloviária da cidade está quatro vezes menor do que deveria, segundo os próprios planos traçados pelo Executivo municipal. Divulgado em 2017, o documento que oficializou as metas de ampliação cicloviária é chamado Plano de Ações de Mobilidade por Bicicletas (Planbici). Os custos envolvidos eram da ordem de R$ 132 milhões. 

Atualmente, a capital tem cerca de 118 km de ciclovias, segundo a BHTrans. Nas contas dos ciclistas, o número é menor – 89,9 km. Ambas as partes, no entanto, concordam que a cidade engatinha quando o assunto é mobilidade urbana por meio das pedaladas. A promessa de alcançar 2% de viagens por bicicleta em 2020 foi igualmente ignorada. O número atual estimado é de 0,4% -– cinco vezes menor. A meta consta no Plano de Mobilidade de Belo Horizonte (PlanMob). 

A resistência ao tema chega por várias rotas. O mito de que a geografia de Belo Horizonte, bem servida de ladeiras, é pouco atraente ao ciclista é derrubado com o exemplo de outras cidades. “Em São Francisco, há muito mais ruas íngremes do que aqui. O uso de bicicleta por lá é comum”, diz Eveline Trevisan, coordenadora de Sustentabilidade e Meio Ambiente da BHTrans.  

Alguns moradores e comerciantes torcem o nariz para a iniciativa, pois não querem perder vagas de estacionamento na rua. “Houve resistência dentro da própria prefeitura, que reflete a resistência da população, uma dificuldade de pautar esse assunto”, revela Eveline. “Todos nós ficamos muito frustrados”, completa. 

A letargia acumulada no passado recente parece estar abrindo espaço para mudanças positivas. Ao menos é a visão otimista compartilhada por Eveline. Ciclovias provisórias instaladas durante a pandemia tiveram adesão razoável da população, e os 30 km de rotas acabaram ganhando caráter permanente. Isso estaria convencendo a prefeitura de que o assunto não é tão pedregoso quanto parecia. 

Essa aderência maior às ciclovias vem sendo presenciada em várias cidades neste período de isolamento. “É sustentável, individual, e algumas pessoas estavam com receio do transporte público”, explica Eveline. No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia recomendado que deslocamentos inadiáveis durante a pandemia fossem feitos por bicicleta. A queda na qualidade do transporte coletivo também levou usuários a resgatar a bicicleta guardada. 

“Estamos bastante atrasados, mas vim aprendendo que pequenas vitórias são importantes”, diz a servidora. A euforia, no entanto, não é compartilhada entre ciclistas. A decepção de Marcos Gomes é indisfarçável. Ele é integrante do BH em Ciclo, coletivo que defende a mobilidade urbana por bicicleta e que participou da elaboração do Planbici. “O plano não teve nenhum avanço. É um descaso da prefeitura”, protesta. 

O coordenador de recursos humanos Francisco Coelho usa a bicicleta para ir trabalhar diariamente. No caminho de 6 km, ele se desdobra para vencer a falta de ciclovias e o desrespeito de motoristas, além da sinalização e iluminação falhas. “As ciclovias não se encontram, não é algo inteligente”, diz. Essa falta de conexão entre as rotas é um dos problemas que a BHTrans tenta resolver. As ligações criadas durante a pandemia, como na avenida Tereza Cristina, no sentido do eixo Leste-Oeste, têm tal objetivo. 

Vilarinho: avenida de grande movimento tem plano de ciclovias prestes a sair do papel - Foto: Flávio Tavares

Vilarinho: avenida de grande movimento tem plano de ciclovias prestes a sair do papel - Foto: Flávio Tavares

Novas rotas no radar, mas sem previsão 

Para tentar recuperar o tempo perdido, a BHTrans pretende ampliar a rede cicloviária, criando 51 km, em 24 rotas, em várias avenidas da cidade. A empresa não fala em data exata nem em valores, mas pretende abrir consulta pública neste mês para apresentar a proposta à sociedade.  

A Pampulha é a região mais atendida, com novos caminhos a serem criados nas avenidas Sebastião de Brito, João Paulo I, Atlântida, Heráclito Mourão de Miranda, Pedro I e Antônio Abrahão Caram, totalizando 15,4 km. Todos os projetos executivos já estão finalizados, mas falta a autorização da prefeitura para início dos trabalhos. 

Além da criação de novas instalações, melhorias que envolvem recursos mais tímidos são importantes, segundo os representantes da BH em Ciclo. Como em Venda Nova, região de fluxo intenso e ligação com a estação Vilarinho, que recebe ônibus e metrô. Por falta de sinalização na avenida Vilarinho, fica difícil saber o que é pista de caminhada e o que é espaço para bicicletas – a nova proposta da BHTrans contempla o trecho. “Bicicleta não é a solução completa, mas é parte nas melhorias da mobilidade da cidade. As pessoas vão vir depois que tiver estrutura”, diz o ciclista Marcos Gomes. 

Mais estações de compartilhamento 

Bastante usado no passado, o serviço de compartilhamento de bicicletas acabou se esvaziando na cidade nos últimos anos. As cerca de 40 estações, que disponibilizavam 400 bicicletas, minguaram para 14 pontos atualmente, todos situados nos arredores da lagoa da Pampulha. A empresa que presta o serviço manifestou interesse em ampliar a oferta para a área central. A BHTrans está em fase de estudos para liberar a extensão do serviço. 

 

 

 

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