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Delivery avança e impacta o trânsito | A Revolução do Trânsito

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Delivery avança e impacta o trânsito

Desemprego recorde e maior demanda por entregas, principalmente na pandemia, levam a aumento do número de motofretistas e crescimento da frota de motos e de acidentes entre motociclistas em Minas Gerais

Por Izabela Ferreira Alves, 
Queila Ariadne, Rafael Rocha e
Tatiana Lagôa

iFood mais que dobrou as entregas no Brasil desde 2019, e a receita da Uber Eats subiu 190% no terceiro trimestre de 2020 - Foto: Flávio Tavares

iFood mais que dobrou as entregas no Brasil desde 2019, e a receita da Uber Eats subiu 190% no terceiro trimestre de 2020 - Foto: Flávio Tavares

Não é de hoje que motofretistas fazem ziguezague entre os carros, correndo contra o tempo para que a comida chegue aos consumidores ainda quente e, de preferência, intacta. Mas o aumento da demanda por delivery, aliado ao crescimento das plataformas de entregas por aplicativos e à queda no número de vagas de empregos formais, colaborou para a maior tensão no trânsito. 

Desde que a tecnologia de entregas por aplicativos chegou ao mercado brasileiro, em 2011, a frota de motos cresceu 39,6% em Minas Gerais, passando de 1,847 milhão para os 2,58 milhões atuais. São 732,68 mil motocicletas a mais circulando no Estado, segundo o Detran-MG. Ao mesmo tempo, a participação das motocicletas nos acidentes de trânsito cresceu no país. Em 2011, 48% das indenizações por morte pagas pelo seguro Dpvat eram de acidentes em automóveis e 38% em motocicletas. Com mais motos nas ruas, a situação se inverteu. Em 2020, 51,9% das indenizações foram para familiares de motociclistas vítimas de acidentes fatais e 33,52% para famílias de condutores de automóveis vitimados.  

Se por um lado a demanda por entregas subiu, por outro a busca por trabalho também empurrou mais pessoas para a profissão de motofretista. “Eu era garçonete, mas, devido à pandemia, o restaurante onde eu trabalhava fechou, e a opção que eu tive foi fazer entregas para sobreviver”, conta Lúcia*, 44. Uma rotina exaustiva, sem horário de término do trabalho ou parada para almoço. “Tem dias que trabalho das oito da manhã até meia-noite para fazer o meu dia”, diz a motofrestista, que pediu para ter o nome mantido em sigilo com receio de cancelamento das plataformas em que atua.  

Líder desse mercado de entrega de alimentos, o aplicativo iFood mais que dobrou o número de atendimentos feitos no Brasil entre 2019 e 2021. Segundo a plataforma, em novembro de 2019, foram recebidos 26,6 milhões de pedidos. Em março deste ano, a empresa registrou 60 milhões. No mesmo período, o número de entregadores cadastrados na plataforma subiu 6,25%. A Uber não passou os números de entregas e de parceiros. No fim do ano passado, a empresa havia anunciado que a divisão de entregas do grupo, o Uber Eats, alcançou uma alta de 190% na receita líquida ajustada. Os dados comparam o terceiro trimestre de 2020 com o mesmo período de 2019. 

Categoria precisa de suporte e legislação 

Na linha de frente durante a pandemia, milhares de motoboys colocam a própria pele em risco para que as entregas cheguem às casas de pessoas que, muitas vezes, estão isoladas e no conforto do lar. Trabalham sob pressão, por muitas horas, com baixa remuneração e sem vínculo trabalhista. A falta de suporte e de uma legislação que os ampare é a principal reclamação deles.  

“Quando os motoboys comunicam que sofreram um acidente, não recebem nem um ‘sinto muito’”, diz a presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos que Utilizam Aplicativos do Estado de Minas Gerais, Simone Almeida.  

O diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego e coordenador da Mobilização Nacional dos Médicos e Psicólogos Especialistas em Trânsito, Alysson Coimbra, afirma que a regulamentação trabalhista para os motofretistas é urgente. “Como eles não têm vínculo empregatício, não são responsabilidade nem das empresas de aplicativo, nem dos restaurantes. Ou seja, não são de ninguém, ou melhor, eles são do SUS”, diz. 

Medidas de segurança 

iFood. Empresa oferece seguro por acidentes pessoais e de vida para entregadores ativos na plataforma. O seguro cobre até R$ 15 mil de despesas médicas e odontológicas de emergência, além de indenização em caso de acidentes que levem a invalidez permanente total ou parcial e morte acidental. Além disso, a empresa faz ações de proteção contra a Covid-19, como a entrega de kits com máscara e álcool em gel.  

Uber. A Uber informou que reforça aos parceiros a importância do respeito às regras do Código de Trânsito. Os entregadores do Uber Eats contam com um seguro por acidentes pessoais. A empresa desenvolve, ainda, ações de prevenção contra o novo coronavírus. E tem também parceria com uma consultoria de segurança viária, que conta com especialistas em engenharia de tráfego e análise de comportamento para produzir materiais educativos e de prevenção para motociclistas. 

Dpvat. A reportagem tentou dados de pagamentos de seguro deste ano junto à Caixa, que se tornou o operador do Dpvat em 2021. Porém, a instituição financeira se negou a passar a informação pedida. 

 

 

 

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Núcleo de Projetos EspeciaisJornal O TEMPO - Maio/2021