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Tecnologia é a saída para a mobilidade urbana | A Revolução do Trânsito

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Tecnologia é a saída para a mobilidade urbana

Com restrições na circulação e transporte coletivo deficitário, pandemia escancara a urgência do debate de soluções para o trânsito; BHTrans propõe plano de revisão do transporte público, modernização e gestão participativa

Por Izabela Ferreira Alves, 
Queila Ariadne, Rafael Rocha e
Tatiana Lagôa

BHTrans quer participação da comunidade para encontrar soluções para o trânsito da capital - Foto: Flávio Tavares

BHTrans quer participação da comunidade para encontrar soluções para o trânsito da capital - Foto: Flávio Tavares

O direito de ir e vir é para todos, mas a pandemia escancara como ele sempre esteve ligado à condição econômica do sujeito. Com os deslocamentos limitados e os ônibus cheios, a mobilidade urbana é mais um desafio do “novo normal”. Se o momento é de pré-colapso do transporte coletivo, ele também impulsiona a mudança rumo à necessária revolução no trânsito. Traz à tona a necessidade de debater os problemas e construir soluções com a cidade. Um dos principais legados da Covid-19 é a clareza da importância da tecnologia como aliada na busca dessas respostas.  

Para unir de novo o planejamento da mobilidade à satisfação de quem se locomove, a BHTrans se concentra em cinco frentes de trabalho: revisão do transporte coletivo, inovações em mobilidade, trafegabilidade, gestão participativa e modernização institucional.  

Trânsito e transporte coletivo assumem linhas tênues nessa cesta de ações. A integração entre os sistemas, inclusive privados, em uma única plataforma é fundamental para a eficiência do setor. Isso remete ao conceito de mobilidade como serviço, ainda em amadurecimento ao redor do mundo.  

“Se fosse só pôr mais dinheiro, não seria uma questão de política pública, mas um problema financeiro. É muito mais profundo que perguntar à sociedade se quer subsidiar passagem. Só depois de revisar essas frentes, vamos definir se teremos um recurso fixo para mobilidade e como ele será aplicado: se em investimentos ou operação”, antecipa o presidente da BHTrans, Diogo Prosdocimi. 

Veja as frentes:

 

 

Coletivo

Coletivo

Nessa frente, chama a atenção a pesquisa Origem/Destino dinâmica. Hoje, uma das causas de não se resolver a lotação é BHTrans e empresas só saberem quando o usuário entra no ônibus, não quando ele sai. “Temos a percepção de lotação com uma margem de erro grande”, admite o presidente da BHTrans, Diogo Prosdocimi.  

Ele prioriza o desenho de uma rede multimodal – bicicleta, ônibus e transporte sob demanda. Por fim, uma nova proposta de contabilidade das empresas para melhorar o serviço. A meta é mudar o paradigma das contas de finanças corporativas para financiamento de projetos.  

O urbanista Roberto Andrés ressalta a importância da revisão do contrato. “Ele fere os princípios da mobilidade. É preciso reduzir a tarifa, uma das mais altas do país”. 

 

 

 

Inovações

Inovações

A grande novidade está no transporte sob demanda para ônibus. Aplicativos permitem aos passageiros reservar um lugar nos veículos. O usuário indica a origem e o destino, e o sistema garante a lotação dentro dos limites seguros, bem como locais de embarque e desembarque mais convenientes. “Captar e analisar de forma rápida o desejo, atendê-lo de forma específica, eficiente”, explica Prosdocimi.  

Reino Unido, África do Sul e Itália já operam dessa forma, e há pilotos em Goiânia. O Grupo Globo está construindo um portfólio de startups que hoje inclui a Buser. “Um app eficiente vai chegar, podemos ser os primeiros ou esperar”.  

No pagamento, já existe o Kin Mais, um aplicativo que dispensa a compra de créditos nas estações de transbordo. 

 

 

Institucional

Institucional 

A meta é trabalhar também com bastante tecnologia embarcada. Um dos pontos altos é a chegada da inteligência artificial aos semáforos. Assim, os sinais passariam a se adaptar ao tráfego, e não o contrário.  

Quanto à modernização da empresa de economia mista, temas como questões trabalhistas, terceirizações e multas estão na pauta.  

Contador e professor de contabilidade da Faculdade Milton Campos, Cléber Araújo destaca, no balanço da empresa com 1.100 empregados, os altos custos com provisões para ações trabalhistas. “Em 2019, foram R$ 26.077.993 e, em 2019, R$ 29.959.863. Não há garantia de que essas pessoas já foram desligadas, então a despesa é bastante significativa”. 

 

 

Participação

Participação 

Medidas e políticas para aumentar a presença social na gestão do transporte são o foco. Retomada do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana (Comurb), a volta das reuniões das Comissões de Transporte e Trânsito nas nove regionais e a melhoria dos canais de comunicação com o usuário, para possibilitar retorno aos cidadãos.  

“A volta do Comurb, de um lado, é uma boa notícia; de outro, demandaria uma revisão, porque esse conselho foi muito mal desenhado, com muitos notáveis e uma participação popular muito incipiente”, justifica o arquiteto urbanista e professor da UFMG Roberto Andrés. Atenção a mulheres, idosos e pessoas com deficiência está prevista por meio de funcionalidades em aplicativos para denúncias contra assédio e auxílio para embarque.  

 

 

Trafegabilidade

Trafegabilidade 

“Há um problema sério de infraestrutura”, afirma Prosdocimi sobre a falta de capacidade de escoamento em certas vias de BH. Numa pista de 3,5 m, estima-se, durante uma hora, o fluxo de 5.000 pessoas de ônibus. Na av. Nossa Senhora do Carmo, no pico da manhã, são 13 mil pessoas em deslocamento. Nas avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos, 24 mil, e na Amazonas, 33 mil.  

Para gerenciar a demanda e aprimorar as condições viárias com vistas à humanização do trânsito, essa frente se estrutura em três eixos: o Corredor Amazonas, a implantação de faixas preferenciais e a política Visão Zero – forma de se desenvolver um sistema de mobilidade em que nenhuma morte é aceitável.  

Em março de 2020 o Banco Mundial liberou empréstimo de US$ 80 bilhões para o Expresso Amazonas. E a ideia é operacionalizar o Visão Zero em projetos de segurança, campanhas educativas e zonas calmas, de até 30 km/h.  

Já as faixas preferenciais para ônibus seriam implantadas em 60 km, distribuídos em 14 rotas: Carlos Luz, Rota Padre Pedro Pinto, Rota Noroeste (Abílio Machado, Brigadeiro Eduardo Gomes, Ivaí), Rota Jacuí, Rotas Leste 1, 2 e 3; Rota José Cândido, Antônio Carlos 2, Raja Gabaglia, Contorno, Rota Sul - João Pinheiro, praça da Liberdade, Cristóvão Colombo, Nossa Senhora do Carmo e BR–356 e Rota Afonso Pena.  

“A meta de 60 km de faixas exclusivas é modesta. BH pode executar até 300 km. No Visão Zero, o que reduz mortes mesmo é uma queda da velocidade mais ampla, junto à fiscalização”, cobra Andrés. 

 

 

 

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Núcleo de Projetos EspeciaisJornal O TEMPO - Maio/2021