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R$ 2 bilhões

Governo tenta manobra e gera crise na Codemig

Estado quer usar empresa para empréstimo junto a banco chinês

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Codemig
Processo do governo de Minas para conseguir R$ 2 bilhões via estatal provocou crise
PUBLICADO EM 30/05/18 - 03h00

Por não conseguir levar adiante o processo de venda dos 49% das ações do nióbio por meio da cisão da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) – revelado com exclusividade por O TEMPO –, o governo de Minas tentará outra manobra para conseguir R$ 2 bilhões via estatal. A nova transação provocou a demissão do diretor de Mineração da companhia, Marcelo Nassif, e gerou uma crise interna na empresa.

Funcionários do alto escalão da Codemig explicaram à reportagem, sob condição de anonimato, como o Estado pretende obter um empréstimo bilionário a juros altos, que pode colocar a empresa em risco financeiro. Eles temem retaliação por parte da presidência da empresa, já que os trâmites seguem sob determinação de sigilo. 

Segundo eles, o Conselho de Administração da estatal aprovou, em reunião na semana passada, um empréstimo no valor de R$ 2 bilhões junto à instituição financeira chinesa Hangtong Bank. A ata da reunião foi assinada na segunda-feira (28), mas ainda não havia sido registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg).

“Esse valor adquirido pela Codemig será passado para a administração estadual por meio da Minas Gerais Participações S/A (MGI). A MGI vai lançar debêntures no mercado direcionados à Codemig, que vai comprá-las com o dinheiro do empréstimo. A MGI vai usar o valor para quitar dívidas do governo do Estado com precatórios, liberando o caixa do Estado para outros gastos”, contou a fonte da companhia que participou das negociações. A dívida será arcada pelo próximo governo, lembrou a fonte.

As debêntures são títulos que uma empresa lança quando tem um crédito a receber. Quem compra esses títulos paga um valor à vista, com desconto, visando receber uma valor maior no futuro. Por exemplo, a Codemig poderia comprar R$ 2 bilhões em debêntures para receber, no futuro, R$ 2,5 bilhões. Acontece que o valor que a estatal lucraria comprando essas debêntures vai ser menor que os juros que ela vai pagar ao banco chinês pelo empréstimo, gerando prejuízos. “A empresa não tem receita pra pagar esse empréstimo, caso a MGI não honre o compromisso. Não há caixa para bancar essa dívida”, alerta outro servidor da Codemig.

O negócio já está sendo tratado desde abril, quando o presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco, teria ido a São Paulo, no dia 13 daquele mês, para se reunir com representantes do banco chinês. O empréstimo pode ser concretizado ainda nesta semana. “Já está tudo engatilhado. Basta registrarem a ata, e o empréstimo sai imediatamente”, disse a fonte da Codemig, que teme que a operação quebre a empresa.

Sem concordar com a negociação, o diretor de Mineração da Codemig, Marcelo Arruda Nassif, pediu demissão do cargo. Nassif foi procurado para comentar sua saída, mas não atendeu as ligações. A Codemig também não se pronunciou sobre o tema.

Adiamento. Em março, o jornal “Valor Econômico” havia publicado que a Codemig havia adiado os planos de fazer uma oferta inicial de ações do nióbio. Em vez disso, a companhia lançou concorrência entre os bancos para levantar R$ 2 bilhões em dívida colateralizada. A estatal pretendia captar cerca de R$ 3 bilhões.

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