Facebook
Twitter
Google Plus
Facebook
Twitter
Whatsapp
Google Plus
Recuperar Senha
Fechar
Entrar

Brasil, produtor de mão de obra para exportação

Nas “categorias de base” no Brasil, formam-se grandes artistas, mas que quase nunca permanecem no país devido à falta de incentivo

Um país que não proporciona condições de manter seus melhores profissionais atuando no mercado interno acaba perdendo seus craques para o resto do mundo. É assim no futebol, é assim no balé clássico.

 

Em tempos de Copa do Mundo, nossos principais atletas estão nos clubes europeus e até asiáticos, apenas uma modesta minoria permanece no futebol nacional. Sem contar que, poucos, pouquíssimos, atingem o status de celebridade e conseguem viver apenas do esporte. A grande maioria dos profissionais do futebol no Brasil é ignorada pela mídia, jogam poucos meses no ano e, quando recebem salários, mal dá para pagar as contas.

 

Situação idêntica a que acontece no balé. Nas “categorias de base” no Brasil, formam-se grandes artistas, mas que quase nunca permanecem no país devido à falta de incentivo, reconhecimento e até condições mínimas de trabalho.

 

“No futebol, os jogadores ainda têm como recorrer aos grandes e médios clubes que podem pagar um bom salário. Já no balé, infelizmente, isso não acontece. Se você quiser alcançar certo prestígio financeiro e profissional, no Brasil não existe muita opção, fazendo com que muitos artistas altamente qualificados prefiram trabalhar no exterior. Essa é uma triste realidade”, pontua Erick, que se define como “corintiano roxo”.

 

“Com certeza, sempre tive vontade de dançar no meu país, mas infelizmente não temos incentivo nenhum para isso. É bem triste, tantos talentos brasileiros espalhados pelo mundo, porque nosso país não nos valoriza. Um exemplo é o Teatro Municipal do Rio de Janeiro (que ficou meses sem pagar os salários dos integrantes de seus corpos artísticos). Sou fã desses bailarinos que, mesmo sem receber salários por tanto tempo, continuaram a dançar pelo amor ao balé!”, completa Bruna.

A escola russa e o “Barcelona do Balé”

Na Copa do Mundo, vemos em campo uma diversidade de escolas do futebol, que se caracterizam mais pela técnica, tática ou individualidade de seus jogadores. A brasileira sempre encantou o mundo, mesmo que neste Mundial não tenha atingido seus melhores resultados.

 

No mundo do balé, são os russos que fascinam os espectadores ao redor do planeta. E esse respeito é fruto de uma tradição de mais de 280 anos e de uma metodologia de ensino reconhecida por todas as outras escolas.

 

Assim como na escola de ensino regular, os bailarinos também passam por uma “alfabetização” na dança. É preciso aprender com uma metodologia estruturada os fundamentos do clássico e, ao longo da história, há nomes que fundaram uma marca própria de ensino, entre eles a cubana Alicia Alonso, o dinamarquês Bournonville, o italiano Cecchetti ou os russos Balanchine e Agripina Vaganova.

 

“Na metodologia sistematizada e codificada por Vaganova, a decomposição dos passos nas classes iniciantes não é apenas uma marca. Respeitar a decomposição dos passos, sem pular etapas, é uma regra a ser seguida. Todo passo deve ter o início do seu estudo no chão. Deitados ou sentados sobre o solo, os alunos irão aprender cada passo, entender a sua dinâmica, a posição correta para colocar o tronco e adquirir uma boa memória muscular”, explica texto assinado por Ana Botafogo, a bailarina clássica mais conhecida do Brasil. 

 

Cada método tem características bem particulares, como posições de braços, cabeças, dinâmicas de passos, decomposição e execução deles. “A escola oficial do balé russo é a Academia de Ballet Russo Agripina Vaganova. Com 280 anos, é uma das mais antigas escolas do mundo, com reconhecimento mundial”, explica o bailarino brasileiro. 

 

O Bolshoi é uma síntese dessa história. E, para transferir para o universo da bola, está no patamar dos maiores e melhores clubes europeus, com um time e um repertório incomparáveis. 
“O Teatro Bolshoi acredito que seja a companhia que mais tem espetáculos durante o ano, são em média seis por semana e, toda semana um, espetáculo diferente ou às vezes até dois diferente na mesma semana”, compara Bruna. 

 

“O que faz do Bolshoi tão reconhecido é a tradição e a paixão pela dança, em especial o balé. E o orgulho dos russos e dos bailarinos em saberem que possuem e fazem parte do maior e melhor teatro do mundo. Não é à toa que Bolshoi em russo significa grande: ‘O Grande Teatro’”, explica Erick.

Treino é treino, jogo é jogo ou Ensaio é ensaio e apresentação é apresentação

Mais uma daquelas máximas do mundo futebolístico que podem ser transferidas para o balé clássico. Mas, no caso da arte dos palcos, o significado dessa expressão é justamente o contrário do que vale para os gramados.

 

Não que os jogadores não se dediquem nos treinamentos, mas a exigência em um ensaio de balé é duas vezes superior ao desgaste físico e até mesmo psicológico de uma noite de apresentação. Sem contar que, sob o olhar rigoroso do diretor, não dá para nenhum bailarino ficar só no “chinelinho”. 

 

“Sem dúvida há bastante diferença entre ensaio e espetáculo. Só no ensaio você tem a possibilidade de repetir, corrigir erros, buscar a perfeição. Isso vale para o futebol também, só que no balé nós temos uma regra: no ensaio, o bailarino precisa dar 200% para que no palco ele consiga atingir o seu 100%. Ou seja, sem corpo mole!”, compara Erick.

 

“Então o ensaio acaba sendo mais cansativo fisicamente do que a própria apresentação, às vezes, ensaiando horas para dançar parte de um minuto no espetáculo”, completa Bruna.

Expediente

Diretor Executivo: Heron Guimarães | Superintendente de Jornalismo: Ana Weiss | Secretaria de Redação: Murilo Rocha e Renata Nunnes | Chefe de Reportagem: Flaviane Paixão | Edição Portal O TEMPO: Cândido Henrique | Reportagem: Soraya Belusi, direto de Moscou | Imagens: Douglas Magno | Web-Design: Larissa Ferreira | Desenvolvimento Web: Isabela Ansaloni e Raquel Andrade |
Data de Publicação: 15/07/2018