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Desde que nasceu, menina de 9 anos faz tratamento gratuito em universidade

Atendimentos médico, estético e odontológico beneficiam famílias também do interior

Mariela Guimarães

Esther Pimenta Simões tem 9 anos, mas a universidade faz parte da rotina da menina desde que era um bebê. Assim que nasceu, foi incluída no programa do Centro de Tratamento e Reabilitação de Fissuras Labiopalatais e Deformidades Craniofaciais (Centrare), uma parceria entre o Hospital da Baleia e o curso de odontologia da PUC Minas. Aos seis meses, ela fez a primeira cirurgia (plástica) no Hospital da Baleia. “Com um ano e meio, fez a segunda, e já foi encaminhada para o tratamento odontológico na PUC. Os alunos e professores são ótimos, e não pagamos absolutamente nada”, conta a mãe de Esther, Pauline Pimenta Simões.

Para ser incluído no Centrare, é preciso ser encaminhado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O professor de odontologia da PUC Minas, Ildeu Andrade Jr., explica que os interessados, mesmo de outros Estados, podem procurar informações nas secretarias municipais de saúde das cidades onde moram.

Por semana, o Centrare atende, em média, 12 novos pacientes em um tratamento multidisciplinar, que envolve cirurgia plástica, fonoaudiologia e odontologia. “São vários alunos da graduação e do mestrado envolvidos. Isso é muito importante, pois prepara o profissional para lidar com as deformidades craniofaciais”, destaca o professor.

Troca

De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Sólon Caldas, a troca entre instituição e comunidade é fundamental. “Uma universidade se baseia no tripé do ensino, pesquisa e extensão. Portanto, a aproximação com a comunidade na qual está inserida faz parte do papel social. Abrir as portas oferecendo serviços é uma forma de retribuição”, diz.

Naílza Ferreira, 36, faz acompanhamento médico na Clínica Integrada de Saúde do UniBH, no campus do Buritis, região Oeste de Belo Horizonte. “Nos postos de saúde, o atendimento demora e eles mal olham para a gente. Aqui, os alunos de medicina dão muita atenção e eu saio daqui entendendo tudo”, conta.

Ela foi atendida por uma aluna do quarto período de medicina, com supervisão da professora e cardiologista Maria Cristina Almeida. “O fato da universidade abrir o ambulatório é muito positivo. Normalmente, os pacientes vêm de postos de saúde, com restrição de materiais e poucos médicos. Aqui, eles vão ter um atendimento mais humanizado. Já os alunos ganham com a experiência de atender um paciente real, em um consultório real”, destaca a professora, lembrando ainda que, ao receber os pacientes que seriam tratados nos postos, as universidades contribuem para aliviar o sistema público.

Alívio e pesquisa

Segundo Caldas, o governo também tem benefícios. “Quando os pacientes são encaminhados para as instituições de ensino, o poder público consegue desafogar os atendimentos, o que desonera pelo menos um pouco o governo, principalmente o municipal, que é quem faz os convênios”, afirma Caldas. Os ministérios da Saúde e da Educação não souberam informar quantos convênios existem ou quanto as parcerias com faculdades geram de economia ao governo.

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), destaca que nos 40 hospitais universitários federais do país que atualmente ela administra, os ganhos vão muito além dos financeiros, uma vez que os atendimentos geram estudos que trarão retorno a toda sociedade. Um exemplo é a pesquisa sobre o Zika Vírus, realizada no Hospital das Clínicas (HC-UFMG), que está testando uma vacina.

Diabéticos podem fazer exame preventivo de neuropatia

Joanita Porto, 79, foi ao campus da Newton Paiva fazer uma avaliação preventiva dos pés, zona de preocupação constante para os diabéticos. O médico Luiz Henrique Diniz, professor da universidade, que idealizou o projeto Caminhando com a Vida, explica que os diabéticos tendem a sofrer com a chamada neuropatia periférica, que é uma perda da sensibilidade nos pés, que pode gerar complicações de ferimentos e até amputação. “Mais de 80% das amputações estão relacionadas a diabetes. Resolvemos investir em um projeto que integra diferentes áreas, como enfermagem, fisioterapia e farmácia, exatamente para prevenir a evolução do quadro”, explica.

Os alunos têm autonomia para fazer os exames, e contam com um professor para orientar no diagnóstico. “É muito importante ter esse contato com a comunidade, porque serão nossos futuros pacientes”, afirma a estudante de enfermagem Valquíria Melo. “Espero que tenha continuidade. Gostei, e vou indicar para quem precisar”, diz Joanita.

Veterinária

O Hospital Veterinário do UniBH (Buritis) atende a comunidade, com agendamento prévio e taxas acessíveis. “Para os alunos, é importante ter contato com o maior número de casos possíveis. Isso nos ajuda a formar excelentes profissionais”, afirma o coordenador do curso Bruno Machado.

Expediente

Diretor Executivo: Heron Guimarães | Secretaria de Redação: Murilo Rocha e Renata Nunnes | Chefe de Reportagem: Flaviane Paixão | Edição Portal O TEMPO: Cândido Henrique| Edição de texto: Karlon Aredes | Reportagem: Queila Ariadne | Imagens: Mariela Guimarães | Infografias: Denver Braga | Vídeo: Paulo Duarte e Sidnei Mesquita |
Data de Publicação: 21/4/2019 |