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Épico dos superlativos

Com temperos fortes para todos os gostos, “GoT” tem mortes dramáticas, romances açucarados e sexo despudorado

Quando você pensa em série épica com dragões, batalhas e castelos o que vem à sua cabeça? “Ah, é série de nerd”; ou “é coisa para fã de RPG”; ou “atração para moleques”. Não há como negar que “Game of Thrones” começou em um nicho de público restrito e só mais tarde virou fenômeno de audiência. Muitos dos fãs que hoje sabem tudo sobre os Sete Reinos, há sete anos nem ligavam para a série. “Game of Thrones”, que estreia neste domingo (14) sua última temporada, conseguiu levantar público aos poucos e, à medida que o interesse cresceu, a série se transformou numa superprodução e a história ficou maior do que seu próprio criador, o escritor George R.R. Martin. Ele deu uma pausa na saga no quinto livro e, a partir da sexta temporada, a série ficou nas mãos dos criadores David Benioff e D. B. Weiss.

“GoT” é grandiosa não só nos números. As mortes são sangrentas; as cenas de sexo raramente são básicas e heteronormativas; as maldades vêm acompanhadas de crueldade; os romances são uma afronta para os diabéticos. Em “GoT”, sexo e violência não têm filtros. Teve rei transando com o cunhado; estupros; mulheres tratadas como objetos sexuais e saco de pancadas; pré-adolescente mamando no peito da mãe; parto de ser demoníaco… E as mortes são dramáticas. Em “GoT”, não basta morrer. Os personagens são decapitados, degolados, apunhalados, espancados, têm a língua arrancada, o pênis decepado… 

Porém, por baixo desse baile de superlativos, a série tem roteiro cuidadoso. O primeiro episódio é primoroso e inteligente. Apresenta os personagens, deixa claro o conflito que se abaterá sobre o reino, traz a primeira de muitas polêmicas – o relacionamento incestuoso entre os irmãos Cersei e Jaime Lannister – e termina com um bom gancho: o atentado contra Bran Stark. Tudo temperado com romance, politicagem, traição e recheado com elementos novelescos que ampliam o alcance da trama. “A série pode ser vista de vários ângulos. Tem melodrama, amor, batalhas épicas”, fala a crítica de TV Patrícia Kogut. “É uma aventura que se encaixa em diversos gêneros e nerd é só uma variável.” Patrícia foi pega pela série bem depois de seu início. “O assunto me repelia, mas, como eu ficava fora das conversas, senti a obrigação de ver e ela me fisgou”, confessa.

Nas temporadas que se seguem, os roteiristas conseguem manter esse ritmo em seus episódios, trazendo sempre uma polêmica; uma tramoia política; uma morte ou uma luta; um gancho para a sequência. “As tramas se cruzam e a série se forma de um jeito que o público não se perde na rota”, fala Patrícia. 

No arco geral de cada temporada, o público recebe um nono episódio chocante – morte de Ned Stark, Batalha dos Bastardos, Casamento Vermelho… – e um décimo capítulo que deixa uma esperança no ar, como o nascimento dos dragões. A sétima temporada dita um novo ritmo e, mais curta, traz informações essenciais em todos os sete capítulos. O último ano, que terá seis episódios, deve seguir esse tom.

Paulo Gustavo Pereira, autor do “Almanaque dos Seriados”, reforça o lado pouco convencional da série, já que a essência dela é clássica. “Há tempos não se via série de capa e espada, ainda mais como essa: tradicional na forma, mas ousada e amoral no enredo”, fala Pereira. “Quando aparecem os White Walkers, por exemplo, você já sabe que, no fim, os inimigos se unirão para combater um mal comum, assim como em outras histórias como ‘Watchmen’, por exemplo”, afirma. “A luta pelo poder é um tema clássico, mas o jeito de contar essa história, com elementos fora do padrão, não é”, completa ele.

Série congrega as pessoas e leva o público de volta para a televisão

“Game of Thrones” – assim como foi “Lost” – mobiliza os fãs para além da tela e a interação entre trama e público não se encerra com o fim do episódio da semana. Depois de ver o capítulo, as pessoas comentam o que viram em fóruns e redes sociais. Em uma era de Netflix, em que o espectador faz uma maratona solitária e vê toda a temporada de uma atração de uma vez só, “GoT” trouxe de volta essa audiência coletiva. Todos os fãs assistem aos episódios quase simultaneamente, seja na frente da TV, ou via HBO GO.

“Numa época em que a TV está enfraquecida, ver uma série no horário da grade de programação é algo que se destaca”, fala Patrícia Kogut. “No fim, ela é uma série que congrega as pessoas.” A crítica de TV acha que, com o fim da série, essa audiência vai se pulverizar, afinal ainda não há um herdeiro para ocupar esse trono. Mesmo com cinco spin-offs de “GoT” programados, difícil saber se o público vai abraçar as novas ideias. Paulo Gustavo Pereira espera para ver se “No Olho do Mundo”, saga do escritor Robert Jordan, que ganhou um piloto recentemente nos EUA e já passou pela mão de muitos estúdios, vai sair definitivamente do papel.

Expediente

Diretor Executivo: Heron Guimarães | Secretaria de Redação: Murilo Rocha e Renata Nunnes | Chefe de Reportagem: Flaviane Paixão | Edição Portal O TEMPO: Cândido Henrique| Edição de texto: Daniel Barbosa, Fabiano Fonseca e Renato Lombardi | Reportagem: Ana Paula Moreira, Etienne Jacintho, Isis Mota e Rafael Rocha | Imagens: Leo Fontes, Mariela Guimarães e HBO | Infografias e vídeo: Andrea Viana |
Data de Publicação: 13/04/2019