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Depressão: uma outra pandemia

Começa aqui a “Tá tudo bem?”, série de reportagens que O TEMPO publica a partir de hoje sobre depressão, com relatos de quem sofre, familiares e profissionais.

Por Izabela Ferreira Alves, 
Queila Ariadne, Rafael Rocha e
Tatiana Lagôa

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A cada contaminado por Covid-19, existem três deprimidos no mundo; são 300 milhões de pessoas que lutam contra a doença, que é motivo de preocupação para a OMS

Faltou leito, faltou renda e faltou emprego. Faltou até mesmo o ar. No contexto da pandemia, só não faltou preocupação, o que fez aumentar ainda mais um problema que já era gigante: a depressão. Em dez meses, cerca de 100 milhões de pessoas contraíram Covid-19 em todo o mundo, segundo o monitoramento da universidade norte-americana Johns Hopkins. Mas, para cada contaminado, pelo menos três pessoas estão com sintomas de depressão. Se antes da pandemia a doença já atingia mais de 300 milhões de pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), agora tende a crescer cada vez mais. No Brasil, por exemplo, monitoramento do Ministério da Saúde já apontou agravamento do quadro de doenças psíquicas entre abril e outubro.

Daí a importância da pergunta “Tá tudo bem?”, tema da série de reportagens que O TEMPO publica a partir de hoje, com relatos de quem sofre, quem convive, quem cuida e de profissionais da saúde das redes municipais, estaduais, federal e particular. Mais do que uma saudação, a frase substitui os abraços extintos há cerca de um ano e pode acalentar quem está com a alma adoecida.

Segundo o governo federal, em abril de 2020, 86,5% dos brasileiros entrevistados declararam ter sintomas de ansiedade, e 16%, de depressão. Em outubro, o número de ansiosos caiu para 74%, enquanto o de deprimidos mais do que dobrou (39,1%). Esse quadro, para a coordenadora da Comissão de Orientação em Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Conselho Regional de Psicologia (CRP), Cristiane Nogueira, indica maior adoecimento da população. “Vamos pagar essa conta por muitos anos, pois as pessoas tornam-se incapazes para o trabalho e para a vida, com a cronicidade das doenças psiquiátricas”, afirma.

O medo de morrer, trazido pela pandemia, fez com que a advogada Sandra Mara de Macedo Costa, 44, praticamente deixasse de viver. “É muita gente morrendo por essa doença, e isso é desesperador. Eu não consigo fazer mais nada, por medo. Não tenho coragem de sair de casa. Quando tento ir ao açougue ou ao supermercado, chego a passar mal”, conta. E quando ela fala em passar mal não é força de expressão, é literal. É que, após o marido dela ter sido contaminado pela Covid-19 e os pensamentos negativos terem dominado a mente dela, o corpo reagiu. “Eu coloquei na minha cabeça que, se eu pegasse coronavírus, não resistiria, porque estou acima do peso e sou pré-diabética. Fiquei muito angustiada e comecei a sentir que estava morrendo. Meu coração batia muito forte, eu achava que estava infartando”, lembra.

Um dia, Sandra foi parar no hospital e ouviu do médico que estava fisicamente bem. O problema estava na mente, desencadeando crises de ansiedade. Com o tempo, ela entrou em depressão e passou a perder o estímulo de reação. Foi preciso remédio e ajuda profissional para se reequilibrar. E quando as crises voltam, é o marido dela quem pergunta o “Tá tudo bem?” e dá o colo necessário. Até que tudo fique bem mesmo.

Para Luiza, 32, que terá a verdadeira identidade preservada a pedido dela, crises de ansiedade e depressão não eram uma novidade. Mas chegaram ao ápice na pandemia. “O medo agrava a depressão. Me pego muitas vezes apavorada com a possibilidade de os meus pais morrerem de coronavírus”, diz. Ela luta contra a depressão desde os 21 anos. O gatilho foi um relacionamento abusivo.

O namorado, que em pouco tempo se tornou marido e depois pai da filha dela, de 7 anos, a diminuía diariamente, a isolava dos amigos e a fazia duvidar da própria capacidade. “Ele sempre me dizia que eu não dava conta de fazer nada e eu aceitava aquilo calada. Ele foi me fragilizando emocionalmente, perdi o emprego, me vi dependente dele financeira e emocionalmente”, lembra. Depois de a destruir por dentro, o agressor foi além: “Ele começou a me agredir fisicamente. Eu não sei contar quantas vezes apanhei”, diz. Ao revisitar o passado traumático, Luiza respira fundo, segura o choro e sentencia: “Não sei se depois de tudo que passei vou ficar completamente livre da depressão. Essa doença é como uma âncora na minha vida, que sempre me puxa para baixo enquanto luto para subir”, afirma.

É uma dor que já fez com que ela ficasse quatro dias trancada no quarto, sem tomar banho e praticamente sem comer. O que a tirou da crise foi a ajuda dos pais. “Tive que pedir ajuda porque estava me sentindo muito negligenciada pela minha família. Falei: ‘Pelo amor de Deus, me ajuda a sair daqui’, porque estava me afundando em um poço de tristeza e desânimo”, conta.

Hoje, Luiza está medicada e faz acompanhamento psicológico. Consegue até sorrir. Mas ainda se sente impotente. “Quem convive comigo não fala que eu tenho depressão. Sou uma pessoa normal, com uma vida social normal, apesar dessa luta que eu travo contra a estagnação”, afirma.

"Minha sensação é de estar em uma escada rolante, sem saber para onde vou"

Luiza*, vítima de depressão

Assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou no início da pandemia, a Covid-19 mexeu com a cabeça de muita gente e agravou o quadro de adoecimento mental que vinha se instalando no mundo. Nos postos de saúde, demandas de pessoas com sintomas de alerta para depressão e ansiedade têm sido frequentes. Algumas são encaminhadas para atendimento especializado. Mas várias delas melhoram com amparo e atenção, o que não necessariamente precisa ser feito por um médico. 

“Muitas vezes o acolhimento e a escuta qualificada têm sido suficientes para ajudar esses pacientes”, relata o médico de família e comunidade Gabriel Nobre Aguiar. Segundo o especialista, é nítido o adoecimento mental causado pela pandemia. “Sempre surgem relatos de manifestações psíquicas. Algumas queixas comuns são preocupação, ansiedade, tensão, irritabilidade, tristeza, desesperança, angústia e somatizações”, diz o médico.

Esses sintomas podem ser amenizados com o apoio de pessoas próximas. É por isso que a pergunta “Tá tudo bem?”, tão automática no dia a dia, pode ajudar a transformar a vida de alguém que está sofrendo algum transtorno de saúde mental.

“Nos acostumamos a perguntar ou responder de forma superficial. Mas perguntar se tá tudo bem significa para o outro que você se importa, que ele faz parte do seu mundo. Mas tem que ser uma pergunta sincera, porque é na disponibilidade da sua escuta que o outro sente segurança de dizer a verdade. A gente não sai por aí dizendo para todo mundo quando as coisas não estão bem, só que, quando alguém se preocupa, pode incentivar o outro a buscar ajuda”, afirma a psicóloga Dáglia Sena. 

Falta estrutura para atender pacientes de saúde mental

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Ao mesmo tempo em que disparam distúrbios psíquicos, Covid-19 redireciona profissionais e faz essas consultas caírem 20,6%

Se, de um lado, o número de pessoas com ansiedade e depressão tem aumentado, de outro, está faltando infraestrutura na rede médica. Essa contradição está nas estatísticas: enquanto o mundo se voltou ao combate da pandemia, o volume de atendimentos a pacientes com transtornos mentais na rede pública brasileira caiu 20,6% de janeiro a outubro de 2020, frente ao mesmo período de 2019. Os dados são do Ministério da Saúde.

Em Minas Gerais, a média mensal de atendimentos nos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps), que era de 11.315 em 2019, caiu para 9.847 em 2020. Uma queda de 13% até outubro do ano passado, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). A diretora de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da SES-MG, Lírica Salluz, explica que a redução não reflete menor adoecimento. “Não significa queda na demanda. Pode ter correlação com reorganização de equipes e desafios impostos às estruturas, mas é importante ter em mente que era esperado apurar um aumento do sofrimento, dada a realidade enfrentada”, diz. 

Lírica lembra que, apesar de os Caps não terem sido fechados, houve suspensão ou interrupção temporária dos atendimentos coletivos, como oficinas e terapias em grupos, em função dos riscos de contágio pelo coronavírus. O próprio Ministério da Saúde informou que, em função da pandemia, foi preciso fazer realocações de unidades, com consequente diminuição na prestação de serviço. 

A aposentada Maria Madalena Aparecida Arcanjo, 62, sofre de transtorno bipolar e já fazia acompanhamento psicológico no Caps de Santa Bárbara, na região Central do Estado, desde 2017. Os episódios de transtornos psíquicos começaram há 16 anos, quando teve que acompanhar um tratamento da filha. “De 2005 a 2007, praticamente morei na Santa Casa, em BH, porque minha menina teve que fazer uma cirurgia muito séria na coluna. Colocou 13 hastes e 26 pinos. Quando voltamos, minha mãe estava com Alzheimer. Tive um surto de pânico, e aí desencadearam-se todos os meus problemas”, diz. 

Na pandemia, o quadro mental de Madalena se agravou e, quando ela mais precisava, não conseguiu o mesmo atendimento de antes. 

Logo no início da pandemia, a equipe do Caps da cidade foi transferida para outro prédio. O lugar passou a ser usado como base para primeiros atendimentos e triagem dos pacientes com suspeita de Covid-19. “Aí os postos de saúde também passaram a fazer essa triagem. Então, consultar e ter atendimento especializado lá ficou difícil”, acrescenta. Apesar das crises de depressão, ela passou a ter consultas semestrais com o psiquiatra e, agora, só consegue um dos medicamentos na Farmácia Popular. “Por mês, só com os remédios de cabeça, gasto R$ 100”. 

E não são só remédios que faltam. “O que vemos nos municípios, ao menos na nossa macrorregião Central, são os colegas comprando impressora com dinheiro do próprio bolso para imprimir prontuário, porque nem prontuário eletrônico nós temos”, conta a coordenadora da Comissão de Orientação em Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Conselho Regional de Psicologia (CRP), Cristiane Nogueira.

"Não significa queda na demanda. Pode ter correlação com reorganização de equipes e desafios impostos às estruturas”

Lírica Salluz, Diretora de Saúde Mental/ SES-MG

Postos de saúde de BH ganham novos psicólogos

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Se a pandemia obrigou os governos a tomar medidas rápidas de ampliação nas estruturas de leitos hospitalares para infectados, no segmento da saúde mental as soluções não foram tão imediatas. Enquanto a Covid-19 causa efeitos visíveis em uma pequena parte da população, a depressão e a ansiedade avançam silenciosamente pela população, o que ajuda a embaçar a visão do poder público na construção de medidas urgentes.

“Eu penso que haverá consequências de algo infindável”, assume o gerente de Saúde Mental da capital, Fernando Siqueira, sobre o tamanho desse problema. Para que a capital não seja surpreendida com esses efeitos danosos na saúde mental coletiva, a prefeitura contratou uma equipe de 45 psicólogos, cuja missão é atender pacientes que tenham tido algum sofrimento mental que seja desdobramento da Covid-19.

Iniciada em janeiro, a iniciativa já demonstra aderência. As equipes estão recebendo casos de profissionais de saúde em luto devido à perda de colegas de trabalho, além de pacientes com estresse e ansiedade devido à pandemia.

Apesar desse incremento na rede da capital, Siqueira acredita que a estrutura de saúde mental na cidade é suficiente para a demanda. Mas reconhece que teve que priorizar os casos de transtornos mentais graves durante a pandemia. Isso levou à diminuição nos atendimentos, especialmente nas unidades do Cersam e centros de convivência. “A gente deixou o transtorno mental comum em certo stand-by. Os casos leves não foram priorizados, mesmo porque tínhamos que priorizar outra situação”, completa.

Rearranjo da rede imposto pela pandemia asfixia saúde mental

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Quando a angústia e o medo de morrer ou perder alguém querido agravam quadros de depressão e ansiedade, pacientes enfrentam dificuldades para marcar consultas psiquiátricas e conseguir medicamentos para seguir com tratamentos.

Na periferia de Belo Horizonte, há praticamente um ano Dulcinéia Maria Pereira, 41, não consegue agendar um psiquiatra para acompanhamento de seu transtorno de personalidade Borderline. Em Contagem, na região metropolitana, além da falta de psiquiatras e medicamentos, a precariedade nas estruturas faz com que pacientes graves, alguns em surtos psicóticos, fujam constantemente dos leitos de internações. Em Pedro Leopoldo, onde os centros de saúde não contam com psicólogos, o aumento de casos de sofrimento mental causou um estrangulamento da única unidade especializada do município, que também fica na região metropolitana da capital.

O cenário de saúde mental durante a pandemia tem sido desalentador. Por um lado, são inúmeros os relatos de médicos e enfermeiros afastados pela Covid-19, o que deixa a rede deficitária. Por outro, surgem novos pacientes em busca de ajuda psicológica depois da perda de emprego, da morte de amigos e parentes, do acúmulo de dívidas, dos conflitos familiares acentuados, do desânimo com estudos, entre outros.

Uma conta que não fecha e se reflete em atendimento precário em cidades como Pedro Leopoldo. “A rede daqui não está preparada para atender os casos leves de sofrimento mental”, desabafa Thaís Cappuccio, psicóloga que atende no único Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da cidade. Com 14 anos de atuação, a profissional demonstra preocupação especial com a população jovem. “A morte está muito vivificada com a pandemia. Isso assombra, perturba e tem deixado a juventude paralisada e adoecida”, explica.

Assombro parecido contamina a pequena casa alugada no bairro Ribeiro de Abreu, em Belo Horizonte, onde Dulcinéia mora sozinha e luta para não ter seu quadro de saúde mental piorado. Ela possui transtorno de personalidade Borderline, que leva as pessoas a ter comportamentos explosivos. Desconfiou que precisava de ajuda anos atrás, quando uma briga com um ex-namorado virou caso de polícia – era um surto psicótico. Nos últimos meses, auge da pandemia, pegar ônibus lotado para vencer os 13 km entre a casa dela e o trabalho ajudou a piorar o quadro de ansiedade da cozinheira. Paciente do Hospital das Clínicas, ela foi informada de que teria o tratamento adiado devido à pandemia. Procurou a rede municipal, mas foi orientada a aguardar. “Eles falam que não tem psicólogo nem psiquiatra no posto de saúde aqui do meu bairro. A prioridade é Covid”, reclama.

Dulcinéia segue esperando, mas sem previsão. Enquanto isso, a única solução que consegue no centro de saúde é atualizar a receita médica para tomar três tipos de antidepressivos e antipsicóticos. “É difícil conviver comigo mesma”, diz. A impossibilidade de conseguir ajuda médica tem agravado o contexto. “Tem vezes que, ao sair para trabalhar, eu passo mal, entro no ônibus e começo a suar dos pés à cabeça, vem um pânico”, diz.

Em Contagem, o cenário não é diferente: faltam profissionais, medicamentos e equipamentos, segundo uma funcionária de um Caps, que pediu anonimato. Ela conta que portões frágeis e muros baixos fazem com que sempre haja fuga de pacientes graves, vários deles dependentes químicos. Os pacientes sentem e reclamam da escassez. “Parou de ter médico todo dia, começou a ter somente em três dias. Tem ocasião de urgência que não tem psiquiatra”, conta uma paciente que também pediu anonimato.

Outro lado

Respostas

Em nota, a Prefeitura de Contagem confirmou o aumento na demanda por atendimento na área de saúde mental e disse ter dificuldades de contratar psiquiatra. Reconheceu ser necessário ampliar os serviços. Já a Prefeitura de Pedro Leopoldo afirma que a demanda cresceu 20% para casos leves e médios, destaca que há um Caps na cidade, mas admite que o ideal seria ter mais psicólogos na rede de atenção primária.

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Psicólogos criam pronto-socorro emocional

Uma filha que não podia sair por medo de contaminar os pais idosos. Um pai preocupado com a exposição da filha dentista ao vírus. Uma senhora angustiada porque não pode nem dar adeus à amiga, enterrada com restrições sanitárias. Foi exatamente para aliviar as angústias de quem ficou preso junto com os problemas em casa que um grupo de psicólogos e psiquiatras de todo o Brasil criou um serviço de atendimento telefônico gratuito para ouvir e levar algum alento, mesmo que fosse a sugestão de escutar uma música e meditar.

Totalmente voluntária, essa rede funcionava como uma espécie de pronto-socorro emocional, coordenada pelo Instituto Entrelaços. “A maioria das queixas era sobre ansiedade, de pessoas tentando entender como viver na pandemia. Eram muitas pessoas mais solitárias ou quem foi obrigado a conviver com famílias que já tinham as relações desgastadas”, conta a psicóloga Marília Aguiar, que ajudou a coordenar essa rede de apoio em Minas Gerais.

A escuta acolhe, mas, às vezes, é preciso recorrer a especialistas. A psicóloga Dáglia Sena ressalta a importância da rede de apoio para identificar a depressão e ajudar o paciente a buscar ajuda. “Do mesmo jeito que eu procuro um médico quando estou gripada, tenho que procurar ajuda quando percebo que minhas emoções estão atrapalhando a minha convivência com os outros e o exercício das minhas atividades no meu dia a dia”, alerta Dáglia. 

Médicos oferecem acolhimento

Assim como a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou no início da pandemia, a Covid-19 mexeu com a cabeça de muita gente e agravou o quadro de adoecimento mental que vinha se instalando no mundo. Nos postos de saúde, demandas de pessoas com sintomas de alerta para depressão e ansiedade têm sido frequentes. Algumas são encaminhadas para atendimento especializado. Mas várias delas melhoram com amparo e atenção, o que não necessariamente precisa ser feito por um médico.

“Muitas vezes o acolhimento e a escuta qualificada têm sido suficientes para ajudar esses pacientes”, relata o médico de família e comunidade Gabriel Nobre Aguiar. Segundo o especialista, é nítido o adoecimento mental causado pela pandemia. “Sempre surgem relatos de manifestações psíquicas. Algumas queixas comuns são preocupação, ansiedade, tensão, irritabilidade, tristeza, desesperança, angústia e somatizações”, diz o médico.

Esses sintomas podem ser amenizados com o apoio de pessoas próximas. É por isso que a pergunta “Tá tudo bem?”, tão automática no dia a dia, pode ajudar a transformar a vida de alguém que está sofrendo algum transtorno de saúde mental.

“Nos acostumamos a perguntar ou responder de forma superficial. Mas perguntar se tá tudo bem significa para o outro que você se importa, que ele faz parte do seu mundo. Mas tem que ser uma pergunta sincera, porque é na disponibilidade da sua escuta que o outro sente segurança de dizer a verdade. A gente não sai por aí dizendo para todo mundo quando as coisas não estão bem, só que, quando alguém se preocupa, pode incentivar o outro a buscar ajuda”, afirma a psicóloga Dáglia Sena. 

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