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Efeitos colaterais: 84% foram afetados por depressão e ansiedade

Pesquisa feita pela Mais Conteúdo para a série de reportagens “Tá tudo bem?” mostra que o isolamento e o medo de pegar a doença, morrer ou perder alguém para a Covid-19 são os principais gatilhos

Por Izabela Ferreira Alves, 
Queila Ariadne, Rafael Rocha e
Tatiana Lagôa

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“Obrigada por perguntar.” Entre os inúmeros comentários gerados ao longo da reportagem “Tá tudo bem?”, que trouxeram à tona desabafos sobre política, saúde, economia e rotina, a gratidão teve uma forte presença. “Às vezes fica muito difícil, mas é bom ter alguém que pergunte como estamos”, diz uma leitora, em resposta à pergunta postada nas redes sociais de O TEMPO. Junto com essa reflexão, que ressalta a importância dessa pergunta na vida das pessoas, a série de reportagens chega ao fim mostrando que 84% das pessoas sentiram sintomas de depressão ou ansiedade ao longo da pandemia e, para 46% delas, o principal gatilho foi o medo de pegar a doença, morrer ou perder alguém querido. Os dados fazem parte de um levantamento da Mais Conteúdo, feito exclusivamente para a  reportagem especial.

Desde o dia 8 de março, quando a primeira matéria foi publicada nas plataforma de O TEMPO, até ontem, 195 pessoas responderam à enquete sobre como a pandemia afetou a saúde mental delas. Entre os que responderam que tiveram sintomas de depressão ou ansiedade, o principal sintoma indicado foi a sensação de desânimo intenso, apontada por 27% dos participantes. Em segundo lugar aparece o medo intenso da morte e outros pensamentos negativos, citados por 26%. Insônia e alteração do apetite ficam empatados em terceiro lugar, com 14% cada.

Gatilhos

Segundo o levantamento, 26% apontaram o isolamento obrigatório como fator desencadeador do adoecimento mental durante a pandemia. Mas, para 46%, o principal gatilho foi o medo de contrair a Covid, morrer ou perder alguém querido para essa doença que, só até a noite de ontem, já tinha matado 282.127 brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. Também ontem foram 2.841 mortes confirmadas, o que significa que, a cada minuto, duas pessoas perderam a vida.

A psicóloga Dáglia Sena, que trabalha no CTI da Santa Casa de Belo Horizonte, explica que a insegurança é a base dos quadros de ansiedade. “Não saber o que vai acontecer em horas, dias ou meses traz apreensão. E, se esse sentimento dura muito tempo, ele acentua o quadro ansioso. Mas, para ser considerado um transtorno, essa sensação tem que permanecer por um tempo considerável. Nesse sentido, a pandemia acabou sendo um gatilho, pois, além de durar um ano, as ameaças têm se tornado cada vez mais reais, com mais gente perto de nós morrendo ou tendo a doença mais grave”, analisa a psicóloga.

A especialista ressalta ainda que o medo de morrer é comum. Entretanto, a partir do momento em que esse temor começar a interferir na vida da pessoa, o sinal de alerta precisa ser ligado. “Se o medo atrapalha minhas atividades diárias e me paralisa, aí é adoecimento mennal”, destaca.

A pesquisa feita pela Mais Conteúdo revela que mais da metade (56%) das pessoas que apresentaram sintomas de ansiedade ou depressão não procurou ajuda médica. Entre os 44% que buscaram tratamento, 15% disseram que tomaram medicação, 15% afirmaram que procuraram terapia, e 26% conseguiram conciliar os dois.

Mas, se a pandemia é um gatilho, por que nem todos desenvolveram transtornos emocionais? A psicóloga Dáglia Sena explica que, em pessoas que já têm uma histórico de ansiedade e depressão, as condições de isolamento e incertezas impostas pela pandemia causaram um sentimento de desamparo muito forte, o que é ainda mais sério para quem já estava com um quadro emocional mais fragilizado. “É sempre importante ressaltar que tristeza é diferente de depressão. Se essa tristeza durar muito tempo, é hora de procurar ajuda”, ressalta Dáglia.

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Núcleo de Projetos EspeciaisJornal O TEMPO - Mar/2021