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Trabalhar de pé em escritórios pode se tornar uma nova tendência

Forma de trabalhar seria benéfica não apenas para a saúde, mas também para a energia e criatividade dos funcionários; empresas e governos começam a testar modelo

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Mesas adaptadas para o trabalho em pé costumam ser mais caras que as mesas comuns
Mesas adaptadas para o trabalho em pé costumam ser mais caras que as mesas comuns
PUBLICADO EM 22/04/14 - 13h51

Várias pesquisas sugeriram que ficar constantemente sentado durante o período de trabalho pode prejudicar a saúde. A partir disto, abre-se uma nova possibilidade: será que os escritórios do futuro poderiam girar em torno da ideia de trabalhar em pé?

Os que defendem um tempo maior de pé durante o trabalho afirmam que esta nova forma de trabalhar é benéfica não apenas para a saúde, mas também para a energia e criatividade dos funcionários. E muitas grandes companhias estão começando a levar a sério estas afirmações.

A gerência das instalações da companhia americana GE na Grã-Bretanha está considerando a possibilidade de dar uma escolha aos funcionários."Sabe-se cada vez mais que períodos longos de comportamento sedentário têm um efeito adverso para a saúde, então estamos tentando introduzir mesas para (os funcionários ficarem) em pé", disse o engenheiro da GE Jonathan McGregor.

No entanto, o custo precisa ser calculado. As grandes empresas estão levantando os dados sobre doenças e folgas dos trabalhadores antes de tomar uma decisão. Os preços podem variar, mas uma mesa que permita trabalhar em pé geralmente custa mais do que as mesas convencionais. Na Grã-Bretanha, por exemplo, empresas cobram entre 500 libras (quase R$ 1,9 mil) e 400 libras (quase R$ 1,5 mil) por cada uma destas mesas quando são feitos pedidos de 50 ou mais unidades. O preço de uma mesa normal é de 172 libras, em média (R$ 642).

Além da diferença do custo, há também outra questão: as pessoas precisarão escolher se vão ficar sentadas ou em pé. Obrigar os funcionários a ficar em pé pode prejudicar o moral no local de trabalho.

Alan Hedge, especialista em ergonomia, é cético em relação à este tipo de mudança entre os trabalhadores. "Alguns simplesmente vão querer continuar sentados e os que tiverem mesas ajustáveis poderão ter desentendimentos com os que permanecem sentados". Hedge acredita que os chefes deveriam estimular os funcionários a se mover mais dentro do escritório. "Precisamos tratar a experiência de trabalhar sentado como a de dirigir. É preciso fazer pausas regularmente", afirmou.

O conceito de permanecer sentado em um local de trabalho é uma inovação recente, segundo Jeremy Myerson, professor de design no Royal College of Art.  "Se você analisar o final do século 19", disse o professor, "os escrivãos vitorianos podiam ficar em pé em frente às suas mesas e se moviam muito mais", explicou. "É possível ver o escritório industrial dos últimos cem anos como uma espécie de aberração na trajetória dos hábitos de trabalho dos últimos mil anos, quando sempre nos movimentamos", acrescentou.

O que mudou tudo no século 20 foi o modelo de produção chamado de "taylorismo", quando estudos de uso de tempo e movimentação foram aplicados ao trabalho de escritório."É muito mais fácil supervisionar e controlar as pessoas quando elas estão sentadas", disse Myerson.
O professor sugere que, nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, há uma "tendência de tratar o projeto do local de trabalho como custo e não como investimento".

Myerson lembra que nem todos seguem esta vertente. "A Dinamarca acabou de determinar que os empregadores ofereçam aos funcionários mesas para sentar ou para ficar em pé", disse.

BBC

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