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Filhos

Criação punitiva deixa criança agressiva e insegura, diz estudo

Pesquisa da Universidade de Michigan conclui também que a chamada parentalidade ativa e a disciplina positiva trazem benefícios: faz os pequenos crescerem mais assertivos, cooperativos e socialmente responsáveis

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Joanna e Bruno
Joanna e Bruno com os filhos, Luca e Pedro: fazendo as crianças se colocarem no lugar do outro
PUBLICADO EM 02/09/18 - 03h00

Como você está criando seus filhos? Conversa olhando nos olhos deles ou os deixa de castigo? Não importa se são três filhos ou mais ou se os pais são de primeira viagem. Uma pesquisa recente da Universidade de Michigan, nos EUA, mapeou as consequências na vida de crianças educadas conforme estilos diferentes de criação, chamados de “parentalidade ativa” e de “parentalidade punitiva”.

No estudo, a pesquisadora Tracy Trauner defende que uma criação mais focada em punições provoca malefícios comportamentais: os filhos tendem a ser agressivos ou tímidos e podem não conseguir tomar suas próprias decisões. Além disso, eles tendem a se rebelar contra figuras de autoridade quando forem mais velhos. “A tendência é que repitam o modelo de comportamento quando forem pais e mães”, afirma Tracy no estudo.

Por outro lado, a parentalidade ativa traria benefícios. Com orientações claras, firmes e consistentes passadas pelos pais, as crianças se tornam assertivas, socialmente responsáveis, autorreguladas e cooperativas. Isso aumenta, também, as chances de felicidade e sucesso na vida adulta, segundo a pesquisadora.

No contexto de parentalidade ativa inclui-se a disciplina positiva, baseada nos livros escritos pela psicóloga norte-americana Jane Nelsen. Esse conceito, que nunca esteve tão em alta, aposta na firmeza com gentileza, sem punições ou recompensas, para se educarem os filhos. Dentro da metodologia, há dois pilares bastante abordados na filosofia: a comunicação não violenta e a autonomia no crescimento das crianças. “Eu acho que todos nós sabemos os erros cometidos em nome da firmeza sem bondade: punição. No entanto, muitos não sabem os erros cometidos em nome da bondade sem firmeza: ser agradável demais, superproteger, mimar e garantir que as crianças nunca sofram”, disse à reportagem Jane, que esteve em Belo Horizonte na semana passada (leia na página 3).

A publicitária Joanna Tameirão, 38, mãe de Pedro, 4, e de Luca, 7, destaca que comportamento comum dos pais é querer punir o filho, colocando-o de castigo ou tirando alguma coisa dele. Mas ela e o marido, Bruno Trugano, 37, optaram pela disciplina positiva. Ela detalha uma das situações. “Um dia, o Luca chegou em casa chateado, porque levou uma advertência na escola por estar conversando na hora da explicação. Eu perguntei a ele: “Você gosta de ser interrompido quanto está falando?”. É claro que a resposta foi negativa. Foi então que pedi para ele se colocar no lugar da professora e imaginar o quanto é difícil explicar alguma coisa com alguém atrapalhando. Ele nunca mais repetiu o comportamento”. 

Outro princípio da disciplina positiva é que ela deve ser aplicada de forma natural, respeitando o tempo de adaptação tanto dos pais quanto dos filhos. “Fui criada da forma tradicional. Muitas vezes, ainda preciso me esforçar para educar minhas filhas de outra maneira”, admite a psicóloga e educadora Izabela Macedo, 40, mãe de Laura, 6, e de Clara, de 2 anos e 10 meses. “O que eu mais aprendi foi respeitá-las. Compreendi que preciso validar o que elas estão sentindo e ajudá-las a nomear esse sentimento. Eu mostro que eu também sou humana e que também erro”, afirma Izabela.

Uma das conquistas da mãe foi conseguir ensinar as filhas sobre a empatia. “Há algumas semanas, a Laura fez pirraça, e eu me estressei. Fui para o quarto chorando. Ela veio em seguida e me perguntou o que estava acontecendo. Eu pedi a ela que pegasse as cartinhas das emoções. Elas são usadas para descrever o que estamos sentido. Apontei qual era o meu sentimento, e a Laura entendeu, porque já havia se sentido da mesma forma”, conta.

Ferramentas podem ser usadas no cotidiano

Desenvolvida pelos psiquiatras Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, profissionais que viveram o período pós-guerra em Viena, na Áustria, a filosofia positiva olha para os indivíduos e pensa sobre como cada um deles precisa ser aceito e identificado em cada uma de suas relações sociais. 

Adler acreditava que as crianças precisavam de ordem (estrutura e responsabilidade), mas também de liberdade para criar conexões com seu entorno. Para isso, sugeriu ferramentas, ou seja, comportamentos, que é possível desenvolver na rotina ao se considerar uma relação de longo prazo.

Para os autores, para trabalhar essas ferramentas é importante, por exemplo, demonstrar que o pai e a mãe são bons ouvintes. Isso deve acontecer porque cada uma das crianças precisa ter seu tempo de fala separado. Olhar nos olhos, falar na altura do olhar da criança, dizer que está atento ao que a criança diz é fundamental para que a disciplina positiva gere frutos.

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