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Dar as mãos tem efeito analgésico em situações de dor

Resultado foi investigado por cientistas norte-americanos

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Toque de cura. Ficar de mãos dadas sincroniza ondas cerebrais e reduz a percepção da dor
PUBLICADO EM 13/09/18 - 03h00

Instintivamente, em situações de dor e de medo, é comum levar a mão ao lugar do machucado ou procurar a mão de uma pessoa para apertar. Isso acontece porque essa reação em momentos de dor, como ao tomar vacina, durante o parto ou antes de um diagnóstico importante, tem função anestésica.

Esse efeito fisiológico do toque foi investigado em 22 casais heterossexuais por pesquisadores do Instituto de Ciência Cognitiva da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos. Toucas de eletroencefalograma, com sensores foram usadas para monitorar a atividade cerebral dos participantes.

Os casais foram expostos a diferentes cenários (sentados juntos, mas sem encostar; sentados em salas separadas; e sentados juntos de mãos dadas) e, em determinado momento, os cientistas incluíram um estímulo doloroso – uma barra de metal era aquecida e pressionada contra o braço das participantes mulheres por sete segundos.

Em cada diferente cenário, os cientistas pediram para que os participantes avaliassem a intensidade da dor, e notaram que quanto mais próximo o casal estava, mais similar era o padrão de ondas cerebrais detectado, especialmente quando havia dor envolvida.

Esse fenômeno da “sincronização interpessoal” – quando o organismo de uma pessoa começa a espelhar fisiologicamente as características de quem está por perto –, engloba ainda os batimentos cardíacos e o ritmo da respiração. Durante o estudo, essa sincronia atingia o ápice quando o casal estava de mãos dadas.

Além de alterar o padrão de ondas cerebrais e sincronizar os cérebros, os cientistas acreditam que essas descobertas contribuem de maneira única para a compreensão dos mecanismos fisiológicos da analgesia relacionada ao toque. “Embora pesquisas recentes mostrem o papel da empatia do acompanhante no alívio da dor no paciente, a contribuição da interação social para a analgesia é desconhecida”, diz o artigo publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy os Sciences of the United States of America” (PNAS).

De acordo com o neurologista Marcos Felipe Camarinha, professor da pós-graduação em neurologia da Faculdade Ipemed, a ciência já sabe que as próprias estruturas cerebrais interferem na percepção da dor. Ele explica que ao estudar os estímulos percebe que os estímulos de dor e de tato têm diferentes estruturas. “Os estímulos de toque são conduzidos por fibras grossas, com capa de bainha de mielina tecido adiposo que protege suas células nervosas) que os conduzem mais rápido do que ocorre com as fibras de dor, que são fibras finas e que não possuem bainha de mielina”, afirma.

Dessa forma, diz o professor, as fibras de dor têm uma velocidade de condução mais lenta do que as de tato. “Então, quando os estímulos são mandados de forma concomitante, o do tato chega antes e isso ajuda no bloqueio da dor. Por isso, quando batemos o pé logo levamos a mão e massageamos, pois esse estímulo chega mais precocemente do que os estímulos dor”, diz o professor de pós-graduação da Faculdade Ipemed.

 

Toque libera “hormônio do amor”

Um hormônio produzido no hipotálamo (oxitocina), conhecido como hormônio do amor, também costuma ser liberado ao toque pele a pele, e tem como uma das características a redução de ansiedade e dor. Quando isso acontece há também uma diminuição dos níveis de hormônios de estresse.

Outros efeitos estão ligados à sensação de prazer, bem-estar físico e emocional e à sensação de segurança. Além do contato físico, a oxitocina pode ser liberada também quando alguém nos faz um elogio, meditação e exercício físico.

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