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Imunoterapia

Estudo da UFMG indica novo caminho para combater câncer

Mapa do microambiente de tumor revela estruturas que podem ser usadas em tratamento

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Em busca de alternativas. O professor de patologia do ICB Alexander Birbrair analisa tumores
PUBLICADO EM 07/11/18 - 04h00

Criar novos métodos cada vez mais eficazes e menos invasivos para o tratamento de câncer vem sendo objeto de estudo de diversos pesquisadores em todo o mundo. Nessa perspectiva, um estudo realizado no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (ICB) vem revelando elementos que podem ampliar as alternativas para o tratamento da doença. Um mapeamento detalhado do ambiente tecidual dos tumores, realizado pelo laboratório do professor de patologia do ICB Alexander Birbrair, revelou a existência de nervos sensoriais atuando no microambiente tumoral.

“Percebemos que essas inervações não são apenas trilhos para as células de câncer, mas têm papel fundamental tanto no começo quanto na progressão do câncer, bem como na formação de metástases ou espalhamento das células cancerígenas”, explica o pesquisador, que trabalha neste projeto com recursos do Instituto Serrapilheira.

“As células malignas modificam tanto os nossos tecidos que mesmo eliminando essas células de câncer, o tecido já está tão alterado que favorece a volta de células tumorais”, destaca Birbrair.

Desse modo, ele explica a importância de se entender toda a complexidade do ambiente que envolve o tumor. “Por isso, é urgente conhecer os constituintes do microambiente tumoral, onde as células de câncer residem. Entender como estes são afetados possibilitará não só eliminar as células tumorais, mas também impedir sua volta”, ressalta.

Alternativa

O pesquisador ressalta que um possível tratamento baseando-se em um combate mais específico poderia trazer ao paciente com a doença uma situação mais eficaz e menos invasiva do que os tratamentos convencionais, como a quimioterapia e a radioterapia. “A terapia hoje em dia foca muito a tentativa de destruir a célula de câncer com quimioterápicos muito destrutivos, mas com efeitos colaterais, por isso há perda de cabelo e células sanguíneas. Então queremos encontrar alvos mais certeiros dentro do microambiente tumoral para criarmos drogas mais específicas que vão eliminar o crescimento dos tumores”, explica o pesquisador.

Um alvo sobre o qual a equipe se debruça são as células de Schwann, que abraçam e protegem os nervos. “Descobrimos que, dentro do tumor, as células de Schwann não estão associadas a inervações – elas desgrudam dos nervos e migram para os vasos sanguíneos, de onde tentam combater o tumor”, conta o pesquisador, que vislumbra a possibilidade de utilizar esse mecanismo no tratamento de câncer.

Para a pesquisa, que ainda está em fase pré-clínica (com modelos animais e células em cultura de biópsias humanas), ele aponta dois objetivos principais. “Primeiramente, trabalhamos na identificação dos mecanismos pelos quais o crescimento do tumor é regulado pelo sistema nervoso periférico, para depois criarmos maneiras de manipulá-lo e inibir o desenvolvimento tumoral”, explica Birbrair.

Linha segue tendência mundial

A pesquisa do professor da UFMG Alexander Birbrair está em sintonia com as principais pesquisas a respeito dos tumores. Nas últimas décadas, pesquisadores vêm se debruçando em cima dos outros componentes, além das células malignas, presentes no tumor. No mesmo ambiente, há também células do sistema imune, como os linfócitos, células dendríticas e vasos sanguíneos, o que oferece vasto campo para outras formas de tratamento, diferentes da tradicional estratégia de eliminar somente as células de câncer.

O último prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina foi dado ao pesquisador Norte Americano, James P. Allison e ao japonês Tasuku Honjo, pelo desenvolvimento de um tratamento contra o câncer com imunoterapia. “O foco principal dos últimos dez anos foram células do sistema imunológico presentes no tumor. Agora, no nosso estudo, o que tem de novo são as células do sistema nervoso”, explica o professor Birbrair.

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